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Neurologia27 novembro 2020

Por que a FDA não aprovou o aducanumab para Doença de Alzheimer?

O aducanumab seria a primeira terapia redutora de amiloide para a Doença de Alzheimer, mas não foi aprovado pela FDA. Entenda.
Por Felipe Nobrega

A doença de Alzheimer (DA) é uma doença neurodegenerativa de causa idiopática e patogênese que afeta principalmente adultos mais velhos, é a causa mais comum de demência. A manifestação clínica principal e frequentemente mais precoce da DA é o comprometimento seletivo da memória, com exceções.

Embora existam tratamentos disponíveis que possam melhorar alguns sintomas da doença, não há cura ou terapia modificadora disponível atualmente, e a doença inevitavelmente progride em todos os pacientes.

caixa de cápsulas de aducanumab

Doença de Alzheimer

Os avanços na compreensão da fisiopatologia das doenças demenciais, como a DA, mudaram o manejo de pacientes com esses distúrbios de uma abordagem conservadora e sintomática para a busca de uma abordagem mais específica.

Nesta perspectiva, o aducanumab seria a primeira terapia redutora de amiloide para a DA. O medicamento, desenvolvido e testado pela Biogen, que tem como alvo uma das características patológicas marcantes da doença – placas beta-amiloide.

Este mês, a Food and Drug Administration (FDA) não aprovou o aducanumab para o tratamento da doença de Alzheimer.

Aducanumab

Os dois estudos de fase 3 sobre a droga foram interrompidos em março de 2019. Após uma análise mais aprofundada, a Biogen, fabricante do medicamento, disse que um dos estudos (302 – conhecido como EMERGE) foi positivo e o outro (301 – conhecido como ENGAGE) não. O desenho dos estudos eram idênticos, o que gerou preocupação entre os membros da equipe da FDA.

Pesquisadores da Biogen justificaram a discordância por vários fatores: uma mudança na dosagem durante o estudo e um alto número de uma doença mais progressiva entre os participantes no grupo 301 e que poderiam ter distorcido os resultados.

Mais do autor: AHA 2020: você já sabe as atualizações sobre neuroprognóstico?

Os membros dos especialistas da FDA concordaram que o aducanumab encontra seu alvo e elimina a beta-amiloide, mas muitos disseram que não estavam convencidos de que o benefício observado na escala de avaliação clínica estava necessariamente relacionado à redução da beta-amiloide.

Há uma necessidade urgente de tratamento para esta doença devastadora, o futuro promete tratamentos específicos e seguros e, com sorte, modificadores de doenças, só nos resta aguardar.

 

Referências bibliográficas:

  • Knopman DS, Jones DT, Greicius MD. Perspective: Failure to demonstrate efficacy of aducanumab: An analysis of the EMERGE and ENGAGE trials as reported by Biogen, December 2019. Alzheimers Dement 2020; Epub 2020 Nov 1.
  • Budd Haeberlein S, O’Gorman J, Chiao P, et al. Clinical development of aducanumab, an anti-Aβ human monoclonal antibody being investigated for the treatment of early Alzheimer’s disease. J Prev Alzheimers Dis 2017; 4(4): 255–263.​
  • Sevigny J, Chiao P, Bussiere T, et al. The antibody aducanumab reduces Aβ plaques in Nature 2016; 537(7618):50–56.

Autoria

Foto de Felipe Nobrega

Felipe Nobrega

Editor médico na Afya, em B2B. Neurologista com residência médica e mestrado em Neurologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Doutorando em Neurociências pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), possui título de especialista em Medicina Intensiva pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Atua no corpo clínico do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer, no Hospital CopaStar e em consultório particular. Tem experiência em neurologia clínica, neurociências, terapia intensiva e educação médica.

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