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Neurologia25 março 2026

Lamotrigina e riscos cardiovasculares: como fazer a monitorização? 

Neste artigo revisaremos os efeitos cardiovasculares da lamotrigina e as indicações de monitorização do seu uso
Por Victor Fiorini

Efeitos cardiovasculares da lamotrigina incluem potencial de bloqueio dos canais de sódio cardíacos, com propriedades semelhantes aos antiarrítmicos classe IB. Em estudos in vitro, lamotrigina pode causar prolongamento do PR e QRS, sugerindo risco teórico de arritmias, especialmente em pacientes com doença cardíaca estrutural, canalopatias (como síndrome de Brugada), insuficiência cardíaca, valvulopatias, arritmias ventriculares, doença de condução ou múltiplos fatores de risco para doença coronariana. O uso concomitante de outros bloqueadores de canais de sódio pode potencializar esse risco.  

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Cuidados ao utilizar a lamotrigina 

Na prática clínica, a maioria dos estudos populacionais e revisões sistemáticas demonstra que lamotrigina não está associada a um aumento significativo de arritmias, morte súbita ou alterações patológicas de ECG em pacientes sem doença cardíaca estrutural.  

Observa-se um pequeno aumento não patológico do intervalo PR  (aproximadamente 3%), sem associação com eventos clínicos graves.  

Em idosos e pacientes com comorbidades cardíacas, o risco de arritmias ventriculares ou morte súbita não é elevado.  

Casos de QRS alargado, Brugada, ou morte súbita são raros e geralmente relacionados a intoxicação, polifarmácia ou doenças cardíacas preexistentes.  

Monitorização cardiovascular  

Durante o tratamento com lamotrigina, a monitorização deve ser individualizada conforme o perfil de risco. Recomenda-se: 

  • Avaliação clínica e ECG basal antes do início em pacientes com doença cardíaca estrutural, canalopatias, múltiplos fatores de risco cardiovascular, ou uso concomitante de outros bloqueadores de canais de sódio.  
  • Monitorização periódica do ECG em pacientes com doença cardíaca, polifarmácia, ou sintomas sugestivos (síncope, palpitações, dor torácica).  
  • Orientação para que pacientes relatem imediatamente sintomas cardíacos, como síncope ou palpitações.  
  • Em pacientes sem fatores de risco cardiovascular, não há necessidade de monitorização rotineira, mas deve-se manter vigilância clínica. 
  • Em casos de alteração significativa do ECG (prolongamento de PR, QRS, ou QTc), considerar ajuste de dose, investigação de interações medicamentosas e reavaliação da indicação. 

Dados sobre monitorização em populações pediátricas e em pacientes com canalopatias raras permanecem limitados. O FDA nos Estados Unidos recomenda cautela e monitorização em pacientes com risco cardiovascular, mas não contraindica o uso em pacientes sem doença cardíaca estrutural.  

Em resumo, lamotrigina pode causar alterações discretas de condução cardíaca, sem aumento significativo de eventos graves em pacientes sem doença cardíaca. A monitorização cardiovascular deve ser realizada com ECG basal e acompanhamento clínico em populações de risco, e orientações claras sobre sintomas cardíacos devem ser fornecidas.

Autoria

Foto de Victor Fiorini

Victor Fiorini

Médico formado pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP. Residência de Clinica Médica pela UNIFESP. Residência de Neurologia Clínica pelo HCFMUSP. Professor de Neurologia na Afya Educação Médica. Professor de Urgências e Emergências do Hospital Israelita Albert Einstein. Professor de Neurologia do Curso de Medicina do Centro Universitário São Camilo (2013-2024). Autor de capítulos de Livros na Área de Neurologia. Médico do Corpo Clínico dos Hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star.

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