O UK Dementia Research Institute e a Alzheimer’s Research UK lançaram no Reino Unido um ensaio plataforma que testa metformina e atomoxetina no Alzheimer. Baseado no reposicionamento de fármacos, o estudo está sendo financiado pelo governo britânico e busca encurtar em anos o caminho até novos tratamentos.
O Alzheimer atinge cerca de 600 mil pessoas no país, onde o sistema público ainda não oferece terapia capaz de retardar ou interromper sua progressão.

Reposicionamento de fármacos define os primeiros braços do estudo
A metformina é usada no tratamento do diabetes tipo 2 e atua reduzindo a produção hepática de glicose e melhorando a sensibilidade à insulina. Já a atomoxetina, indicada para o TDAH, inibe seletivamente a recaptação de noradrenalina, aumentando sua disponibilidade no cérebro e modulando circuitos envolvidos na atenção e na função executiva. Ambas são investigadas no Alzheimer por seus possíveis efeitos sobre mecanismos metabólicos e neuronais.
O estudo também considera o papel da neuroinflamação, resposta imunológica no sistema nervoso central que, quando persistente ou desregulada, pode contribuir para a disfunção e a perda de neurônios, favorecendo a progressão da doença.
Como têm aprovação para outras condições e segurança conhecida, os medicamentos poderiam chegar mais rápido aos pacientes em caso de sucesso. O estudo avalia o efeito sobre memória, raciocínio e qualidade de vida ao longo da doença. A escolha coube a um painel internacional com participação de pessoas com vivência da doença.
Ensaio plataforma pode cortar mais da metade do tempo de avaliação
Cada grupo de participantes recebe um fármaco diferente, com comparação a um único grupo placebo. Esse modelo pode reduzir em mais da metade o tempo de avaliação dos tratamentos, além de diminuir custos.
Análises em etapas regulares permitem retirar rapidamente fármacos sem benefício e incluir novos candidatos. Assim, mais participantes recebem tratamento ativo do que em um ensaio tradicional. É o primeiro estudo do tipo em Alzheimer, formato já aplicado em câncer e doenças do neurônio motor.
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Quais são os critérios de inclusão e o cronograma do estudo?
Podem participar pessoas com 55 anos ou mais e diagnóstico confirmado de Alzheimer ou demência mista. A meta é recrutar cerca de 1.200 participantes em mais de 30 centros britânicos, número previsto para testar os dois primeiros fármacos. Os primeiros voluntários foram incluídos em Cambridgeshire e Surrey.
A avaliação dos dois primeiros fármacos deve terminar em 2030. Nos quatro anos iniciais do ensaio plataforma, os pesquisadores esperam incorporar outros medicamentos aos testes contra o Alzheimer.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Luciano Lucas
Editor de conteúdo da Afya. Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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