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Infectologia11 fevereiro 2026

Vírus Nipah: o que o médico deve saber? 

O Ministério da Saúde e a Organização Mundialda Saúde (OMS) consideram o risco de uma pandemia causada pelo vírus Nipah como baixo.
Por Camila Rangel

O vírus Nipah (NiV) é um patógeno zoonótico emergente de alta letalidade (estimada entre 40% e 75%), pertencente à família Paramyxoviridae. Identificado pela primeira vez em 1998 na Malásia, em um surto entre criadores de porcos, o NiV é classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma prioridade de saúde pública devido ao seu potencial de transmissão entre humanos. 

Leia também: Surto do vírus Nipah na Índia reacende alerta para doença altamente letal

Vírus Nipah: Transmissão e reservatório 

O reservatório natural do vírus são os morcegos frugívoros ou raposas-voadoras do gênero Pteropus. A transmissão para humanos ocorre por: 

  • Contato direto: secreções ou excreções de animais infectados (morcegos, porcos ou cavalos). 
  • Consumo: ingestão de alimentos contaminados com saliva ou urina de morcegos infectados. 
  • Transmissão inter-humana: ocorre principalmente em ambientes hospitalares ou domiciliares, através de gotículas respiratórias ou fluidos corporais de pacientes gravemente enfermos. 

Manifestações clínicas 

O período de incubação varia de 3 a 14 dias, podendo chegar a 45 dias. O quadro clínico é heterogêneo, podendo variar de assintomático até quadros graves. Os sintomas incluem tosse, mialgia, febre, tontura, cefaleia, vômitos, diarreia, dentre outros. As manifestações clínicas são diferentes entre as cepas do vírus Nipah. A cepa de Niv-B tem maior prevalência de sintomas respiratórios. A encefalite e a Síndrome Respiratória Aguda Grave são as formas graves da doença, com alta taxa de mortalidade; 

Vírus Nipah: o que o médico deve saber? 

Tecido do sistema nervoso central de paciente infectado pelo Vírus Nipah. Imagem de CDC/Brian W.J. Mahy, BSc, MA, PhD, ScD, DSc The natural reservoir for Nipah virus is still under investigation, but preliminary data suggest that bats of the genus Pteropus, are also the reservoirs for Nipah virus in Malaysia.

Illness with Nipah virus begins with 3-14 days of fever and headache. This is followed by drowsiness and disorientation characterized by mental confusion. These signs and symptoms can progress to coma within 24-48 hours. Some patients have had a respiratory illness during the early part of their infections.

Diagnóstico, manejo e prevenção do Vírus Nipah

O diagnóstico laboratorial é realizado por RT-PCR (sangue ou líquor) e sorologia (ELISA para detecção de anticorpos). Atualmente, o tratamento é essencialmente de suporte, voltado para o manejo das complicações respiratórias e neurológicas. Nenhuma terapia antiviral demonstrou eficácia contra a infecção pelo vírus Nipah. Não há vacina disponível contra o vírus. 

As principais medidas de prevenção incluem redução do risco de transmissão de animais para humanos, entre humanos e o controle do vírus em suínos. 

Mensagem prática 

Conforme sinalizado pelo Ministério da Saúde em 09/02/2026, o Brasil não tem nenhum caso confirmado da doença.  Segundo a OMS, o surto recente registrado na Índia está praticamente encerrado. Dessa forma, não há evidência de disseminação internacional ou risco para a população brasileira.  

A doença é de notificação compulsória imediata aos serviços de saúde. A detecção precoce de um caso pode prevenir surtos catastróficos. O vírus Nipah não consta na Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública, nos serviços de saúde públicos e privados em todo o território nacional, atualizada pela Portaria GM/MS nº 6.734, de 18 de março de 2025. Entretanto, casos suspeitos de Nipah são considerados um Evento de Saúde Pública, para os quais deve ser realizada notificação imediata pelos seguintes canais: [email protected] ou 0800-644-6645. 

Conforme recomendação do CDC (Centers for Disease Control and Prevention) e da OMS, em caso de suspeita de infecção pelo vírus, o profissional de saúde deve utilizar avental, luvas, proteção ocular e respirador N95® ou superior (precaução de contato + gotícula + aerossol durante procedimentos geradores de aerossóis).

Autoria

Foto de Camila Rangel

Camila Rangel

Médica graduada pela Universidade Federal de Juiz de Fora em 2018. Infectologista pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais de 2019 a 2022. Mestra pela Faculdade de Medicina da UFMG em 2025. Infectologista do Controle de Infecção Hospitalar do HC-UFMG e Auditora Médica da Unimed Federação Minas.

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Referências bibliográficas

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