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Infectologia9 março 2026

Vacinação em imunossuprimidos: novas recomendações para covid-19, influenza e RSV 

Vírus respiratórios representam riscos significativos para imunossuprimidos, que apresentam respostas vacinais atenuadas e maior morbidade

Indivíduos com alguma forma de imunossupressão apresentam risco maior de desenvolvimento de quadros graves de infecções, incluindo viroses respiratórias endêmicas e sazonais. A vacinação nessa população torna-se, com isso, ainda mais importante. Contudo, mesmo para vacinas inativadas, algumas formas de imunossupressão exigem cuidados especiais em sua administração. Para maior eficácia vacinal, por vezes é necessário respeitar intervalos definidos levando em consideração a condição imunossupressora e os tratamentos instituídos. Infectious Diseases Society of America (IDSA) lançou um guideline com suas recomendações para a vacinação contra Covid, Influenza e RSV nessa população. 

Vacinação em imunossuprimidos: Novas recomendações para Covid-19, influenza e RSV 

Recomendações 

O painel recomenda que indivíduos imunossuprimidos sejam vacinados contra Covid, Influenza e RSV, com doses adequadas para idade. 

Para esse guidelines, foram considerados como pessoas com imunossupressão aquelas com: 

  • neoplasias hematológicas
  • imunodeficiências primárias 
  • doenças autoimunes tratadas com imunossupressores ou biológicos 
  • infecção pelo HIV com imunossupressão grave (CD4 < 200 ou < 15%) 
  • transplantes de órgãos sólidos ou de células hematopoiéticas 
  • tratamento com CAR-T ou quimioterapia

Em relação ao tempo para administração das vacinas, o painel recomenda os seguintes intervalos para imunossuprimidos: 

Condição imunossupressora 

Vacina contra Covid-19 

Vacina contra Influenza 

Vacina contra RSV 

Transplante de órgão sólido Pelo menos 2 semanas antes do transplante ou ≥ 3 meses pós transplante Pelo menos 2 semanas antes do transplante ou ≥ 1 mês pós transplante. Pode ser administrada antes, se durante a temporada de Influenza. Pelo menos 2 semanas antes do transplante ou ≥ 6 meses pós transplante. Durante a sazonalidade de RSV, pode ser administrada 1 mês após o transplante. 
Neoplasia hematológica Preferencialmente ≥ 2 semanas antes de iniciar tratamento e ≥ 3 meses após a última infusão (para depleção de células B, considerar ≥ 3 – 6 meses após a última infusão). 

Se não for possível, administrar durante o tratamento. 

Preferencialmente ≥ 2 semanas antes de iniciar tratamento e ≥ 3 meses após a última infusão (para depleção de células B, considerar ≥ 3 – 6 meses após a última infusão). 

Se não for possível aguardar devido à temporada de Influenza, considerar administrar antes. 

Preferencialmente ≥ 2 semanas antes de iniciar tratamento e ≥ 6 meses após a última infusão (para depleção de células B, considerar ≥ 6 meses após a última infusão). 

Se não for possível, administrar durante o tratamento. 

Transplante de células hematopoiéticas/ CAR-T Preferencialmente ≥ 3 meses após transplante ou tratamento com CAR-T (para depleção de células B, considerar ≥ 3 – 6 meses após a última infusão). 

Se não for possível, administrar durante o tratamento. 

Preferencialmente ≥ 3 meses após transplante ou tratamento com CAR-T (para depleção de células B, considerar ≥ 3 – 6 meses após a última infusão). 

Se não for possível aguardar devido à temporada de Influenza, administrar antes. 

Preferencialmente ≥ 6 meses após transplante ou tratamento com CAR-T (para depleção de células B, considerar ≥ 6 meses após a última infusão). 

Se não for possível, administrar durante o tratamento. 

Quimioterapia para tumor de órgão sólido Pelo menos 2 semanas antes de começar tratamento. Durante ou após, é aceitável. Pelo menos 2 semanas antes de começar tratamento. Durante ou após, é aceitável. Pelo menos 2 semanas antes de começar tratamento. Durante ou após, é aceitável. 
Imunodeficiência primária Alinhar com tratamento de imunoglobulina ou com acesso ao estabelecimento de assistência à saúde Alinhar com tratamento de imunoglobulina ou com acesso ao estabelecimento de assistência à saúde Alinhar com tratamento de imunoglobulina ou com acesso ao estabelecimento de assistência à saúde 
Imunossupressão por doença autoimune Preferencialmente ≥ 2 semanas antes de iniciar tratamento e ≥ 3 meses após a última infusão (para depleção de células B, considerar ≥ 3 – 6 meses após a última infusão). 

Se não for possível, administrar durante o tratamento. 

Preferencialmente ≥ 2 semanas antes de iniciar tratamento e ≥ 3 meses após a última infusão (para depleção de células B, considerar ≥ 3 – 6 meses após a última infusão). 

Se não for possível aguardar devido à temporada de Influenza, considerar administrar antes. 

Preferencialmente ≥ 2 semanas antes de iniciar tratamento e ≥ 3-6 meses após a última infusão (para depleção de células B, considerar ≥ 6 meses após a última infusão). 

Se não for possível, administrar durante o tratamento. 

HIV Alinhar com cuidados preventivos de rotina Alinhar com cuidados preventivos de rotina Alinhar com cuidados preventivos de rotina 

CBCM 2025: Imunizações em adultos – principais aspectos e disponibilidade no país

Além dessas recomendações, o painel do IDSA também faz as seguintes recomendações: 

  • É apropriado para indivíduos imunossuprimidos receberem as 3 vacinas no mesmo dia. 
  • Uma segunda dose de vacina de Covid-19 provavelmente resultará em maior proteção. 
  • Contatos intradomiciliares e contatos próximos de pacientes imunossuprimidos devem estar com seus esquemas vacinais contra as 3 doenças atualizados. 
  • Para indivíduos imunossuprimidos com < 18 anos, a vacina contra RSV deve ser discutida e a decisão de administração ou não deve ser compartilhada. 
  • Candidatos a transplante de órgãos sólidos, especialmente a transplante de pulmão, devem preferencialmente ser vacinados contra RSV antes do transplante. 
  • A vacinação contra Influenza deve ser repetida anualmente.

Leia também: Aumentam os casos de SRAG no país, indica Boletim InfoGripe

Autoria

Foto de Isabel Cristina Melo Mendes

Isabel Cristina Melo Mendes

Infectologista pelo Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ) ⦁ Graduação em Medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro

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