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Infectologia20 outubro 2026

Vacina contra HPV reduz lesões pré-cancerígenas em 67% entre jovens

Dados ambulatoriais 2011 a 2023 do SUS apontam impacto precoce da vacinação contra o HPV
Por Luciano Lucas

Pesquisadores brasileiros publicaram, em junho de 2026, na revista Human Vaccines & Immunotherapeutics, um estudo de série temporal interrompida com dados ambulatoriais do SUS. A análise identificou queda nas primeiras consultas por neoplasia intraepitelial cervical (NIC) de alto grau, entre adolescentes de 15 a 19 anos. A redução, observada após a introdução da vacina contra o HPV no calendário nacional de vacinação, em 2014, sugere um impacto positivo na prevenção.

A análise incluiu mulheres a partir de 15 anos atendidas entre 2011 e 2023, com CID-10 de NIC de alto grau associado a procedimento específico. O trabalho foi financiado pela MSD, à qual parte dos autores está vinculada.

Saiba mais: Novas diretrizes para rastreio do câncer de colo de útero [vídeo]

Redução de atendimentos por NIC de alto grau supera 5 mil consultas

Entre as adolescentes de 15 a 19 anos, a taxa de primeiras consultas por NIC de alto grau passou de 5,5 por 100 mil em 2011 para 7,1 em 2015, antes de recuar para 1,8 em 2023. A redução de 67% em relação a 2011 colocou o indicador abaixo do patamar anterior à vacinação.

Na análise estatística de 2011 a 2019, foram observadas 2.620 consultas, diante de 7.688 projetadas caso a tendência anterior à vacinação tivesse se mantido. A diferença corresponde a 5.068 atendimentos a menos do que o esperado.

Entre as mulheres de 20 anos ou mais, os atendimentos continuaram aumentando, embora abaixo das projeções, com sobreposição dos intervalos de confiança. A análise foi baseada em registros do SUS, responsável pelo atendimento de aproximadamente 75% da população brasileira.

Atendimentos por outras ISTs seguem em alta no período analisado

Os pesquisadores também analisaram os atendimentos por outras ISTs, utilizados como controle negativo. Entre 2011 e 2023, a taxa dessas consultas aumentou de 0,8 para 5,9 por 100 mil mulheres, em contraste com a queda observada nos atendimentos por NIC de alto grau. 

Para os autores, essa diferença reforça a associação entre a vacinação contra o HPV e a redução das lesões cervicais, tornando menos provável que o resultado seja explicado apenas por menor procura por atendimento ou registros do SUS.

Estudo aponta benefícios futuros da vacinação contra HPV

A vacinação contra o HPV pode reduzir o risco de câncer do colo do útero e a necessidade de tratamentos para lesões precursoras, diminuindo também possíveis complicações obstétricas associadas a esses procedimentos, destacam os autores do estudo. Com o envelhecimento das populações vacinadas, os pesquisadores esperam novas reduções nas lesões cervicais de alto grau e em outros cânceres relacionados ao HPV.

O estudo também destaca a importância de ampliar o rastreamento com o teste molecular de DNA-HPV, destinado a mulheres de 25 a 64 anos. Para os autores, a combinação dessa estratégia com altas coberturas vacinais e ações de recuperação de pessoas não vacinadas é fundamental para avançar na prevenção do câncer do colo do útero.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Luciano Lucas

Luciano Lucas

Editor de conteúdo da Afya. Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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