Febre alta, manchas vermelhas pelo corpo e dor nas articulações e atrás dos olhos. Esses são os sintomas mais conhecidos da dengue, que quando evolui para um quadro hemorrágico, apresenta ainda riscos de lesões no fígado e no cérebro. Os perigos da doença, no entanto, podem se manifestar tempos depois, ou ainda sem que tenha havido necessariamente manifestação clínica dos sintomas clássicos.
De acordo com a neurologista Marzia Puccioni, entre 1% e 20% dos pacientes infectados podem desenvolver encefalite, mielite, meningite e síndrome autoimune de Guillain-Barré.
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Risco neurológico
Chamada por especialistas e pesquisadores de dengue neurológica, essa forma da doença é considerada rara e acontece quando o vírus atinge o sistema nervoso, o cérebro ou a medula, podendo, muitas vezes, ser irreversível.
“Quando os sinais de inflamação neurológica aparecem é porque essa inflamação já está grave”, diz Mauricio Hoshino, neurologista do Hospital Santa Catarina – Paulista.
O vírus da dengue tem quatro sorotipos diferentes — DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4 —, mas as pesquisas até o momento identificaram problemas neurológicos principalmente nos sorotipos 2 e 3. Ainda não há uma explicação científica do porquê isso acontece.
Números atuais de casos de dengue
O Ministério da Saúde já conta mais de 500 mil casos da doença nas primeiras semanas desse de 2024 — desse total, são pelo menos 75 mortes confirmadas.
O ano caminha para ser o pior de todos os tempos: o governo federal estima 4,2 milhões de registros, um salto de 2,5 vezes em relação a 2015, ano que detém o recorde de quase 1,7 milhão de casos.
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