Quadros de TB disseminada são uma causa comum de hospitalização em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) e apresentam mortalidade precoce elevada. Sendo assim, estratégias de tratamento vêm sendo investigadas com o objetivo de diminuir mortalidade. Nesse contexto, os resultados do NewStrat-TB foram apresentados no CROI 2026.

Estudo
O NewStrat-TB foi um estudo conduzido em três hospitais na Cidade do Cabo, na África do Sul, com PVHIV hospitalizados com TB disseminada. Participantes foram randomizados para receber tratamento padrão vs. esquema intensificado (rifampicina em doses de 35mg/kg/dia e levofloxacino) e prednisona (1,5mg/kg/dia) vs. placebo, nos primeiros 14 dias, seguidos por tratamento padrão. Foram considerados elegíveis adultos vivendo com HIV admitidos nos hospitais participantes com quadro de TB disseminada.
Metodologia
Ao total, 712 participantes foram incluídos na população por intenção de tratamento. Desses, 389 (55%) eram do sexo feminino. A mediana de idade foi de 36 anos (IQR = 30 – 43) e a de contagem de CD4 foi de 43 células/mm³. O diagnóstico de TB disseminada foi baseado em teste molecular na urina em 83%, em TB-LAM em 68% e em teste molecular no sangue em 31%. Somente 75/696 (11%) dos participantes tinham carga viral indetectável (< 50 cópias/mL).
A randomização em relação ao tratamento intensificado ou padrão foi interrompida precocemente devido a maior mortalidade com 2 semanas no grupo com tratamento intensificado.
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Resultados
Em relação ao uso de prednisona, na semana 12, a mortalidade foi de 17,6% (IC 95% = 14, 0 – 22,0) no grupo que recebeu prednisona e 19,2% (IC 95% = 15,5 – 23,7) no grupo que recebeu placebo. A mortalidade em 14 dias foi de 6,8% (IC 95% = 4,6 – 9,9) vs. 9,5% (IC 95% = 6,9 – 13,1) no grupo de prednisona e placebo, respectivamente. A frequência de eventos adversos graus 3 e 4 e eventos não sérios foi semelhante entre os grupos.
A conclusão do estudo é que, apesar de bem tolerada, prednisona adjuvante não reduziu mortalidade em pacientes com coinfecção TB-HIV internados por TB disseminada.
Autoria

Isabel Cristina Melo Mendes
Infectologista pelo Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ) ⦁ Graduação em Medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro
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