O ensaio de fase 3 RISE UP, publicado no Lancet em outubro de 2026, avaliou o mitapivat na doença falciforme. O estudo duplo-cego comparou o medicamento oral a placebo em 207 pacientes de 15 países, avaliando resposta de hemoglobina e crises vaso-oclusivas. Segundo o estudo, a anemia hemolítica persistente favorece complicações e eleva a mortalidade.
Foram incluídos na análise pacientes a partir de 16 anos, com hemoglobina entre 5,5 e 10,5 g/dL e duas a dez crises anuais. Os participantes receberam mitapivat 100 mg ou placebo duas vezes ao dia por 52 semanas e houve financiamento da Agios Pharmaceuticals.
O mitapivat ativa a piruvato quinase, com aumento do ATP e redução do 2,3-DPG nas hemácias. Por isso, para os autores, o efeito pode atenuar anemia hemolítica e falcização.
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Resposta de hemoglobina atinge 41% dos pacientes tratados
A resposta de hemoglobina, ganho médio de ao menos 1 g/dL nas semanas 24 a 52, ocorreu em 41% dos tratados e 3% no placebo. Nos respondedores, a alta média de 1,6 g/dL equivale, para os pesquisadores, a cerca de duas unidades transfundidas por mês. Entretanto, eles ressalvam que o ganho, isoladamente, não comprova melhora clínica.
Em análise ad hoc, 24% dos tratados foram transfundidos, contra 41% no placebo. O achado não é confirmatório, mas os autores o destacam diante de riscos como sobrecarga de ferro e aloimunização.
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O mitapivat reduz as crises vaso-oclusivas?
No estudo, crise foi definida como dor aguda vaso-oclusiva com atendimento médico e analgesia, síndrome torácica aguda, priapismo ou sequestro hepático ou esplênico. Assim, com o mitapivat na doença falciforme, a taxa anualizada de crises foi de 2,6, contra 3,1 no placebo, sem significância estatística. Vale mencionar também que o segundo desfecho primário não foi atingido.
Uma análise post hoc exploratória no grupo tratado sugeriu 26% menos crises em respondedores de hemoglobina que em não respondedores. Além disso, a fadiga não diferiu significativamente entre os grupos.
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Segurança do mitapivat permanece semelhante à de estudos anteriores
Eventos adversos graves ocorreram em 20% dos tratados e 29% no placebo, com um caso atribuído ao mitapivat. A artralgia predominou no grupo ativo (30% contra 19%), em geral de grau 1 ou 2. Nenhum óbito foi relacionado ao tratamento e no ensaio, não foram observados episódios de hemólise aguda entre os participantes que interromperam o mitapivat, inclusive abruptamente.
A extensão aberta do RISE UP segue avaliando eficácia e segurança de longo prazo do mitapivat na doença falciforme. Assim, os pesquisadores defendem dados de mundo real para definir os pacientes com maior benefício da resposta de hemoglobina.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Giovanna Del Carlo
Editora de Conteúdo da Afya. Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá. Bacharel em Direito pelo Centro Universitário de Volta Redonda - UniFOA Pós-graduada pela PUC Minas
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