A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do QFITLIA® (fitusirana sódica), medicamento desenvolvido pela empresa Sanofi Medley para o tratamento de pacientes com hemofilia A ou hemofilia B, com ou sem inibidores dos fatores de coagulação VIII ou IX. O produto é indicado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos. O novo tratamento pode ser utilizado tanto na profilaxia quanto na redução da frequência de episódios hemorrágicos, uma das principais complicações da doença.
A análise do medicamento recebeu prioridade regulatória, conforme previsto na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 205/2017, que estabelece procedimentos acelerados para avaliação de terapias destinadas a doenças raras. A aprovação foi publicada no Diário Oficial da União por meio da Resolução (RE) 794/2026.
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Doença genética compromete coagulação do sangue
A hemofilia é uma condição genética rara caracterizada pela dificuldade do organismo em formar coágulos sanguíneos adequados. A doença ocorre devido à deficiência de proteínas essenciais para a coagulação, conhecidas como fatores de coagulação.
Na hemofilia A, a alteração está relacionada à falta do fator VIII, enquanto na hemofilia B ocorre deficiência do fator IX. Ambas estão associadas ao cromossomo X, o que explica a maior incidência da doença entre homens.
Sem níveis adequados desses fatores, o organismo tem dificuldade em produzir trombina, enzima essencial para a formação do coágulo. Como consequência, os pacientes podem apresentar episódios hemorrágicos prolongados ou recorrentes.
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A gravidade da doença varia conforme o nível de atividade dos fatores de coagulação no sangue. Em casos mais graves, podem ocorrer sangramentos espontâneos, especialmente em articulações e músculos. Nos quadros mais leves, os episódios costumam surgir após traumas ou procedimentos cirúrgicos.

Brasil tem mais de 14 mil pacientes diagnosticados
Segundo dados do Perfil de Coagulopatias, divulgado pelo Ministério da Saúde em 2024, o Brasil possui 14.202 pessoas diagnosticadas com hemofilia. Desse total, 11.863 pacientes apresentam hemofilia A, a forma mais comum da doença, enquanto 2.339 têm hemofilia B.
O diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo são considerados essenciais para reduzir complicações, prevenir danos articulares e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A incorporação de novas terapias, como a fitusirana, amplia as opções de tratamento disponíveis para o manejo da doença.
Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
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