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Ginecologia e ObstetríciaOUT 2023

Recomendações de boas práticas da FIGO para parto cesáreo

Para parto cesáreo planejado ou eletivo, o local deve estar preparado e a estratificação de risco já deverá ter sido feita previamente.

Por Ênio Luis Damaso

A FIGO publicou recentemente no International Journal of Gynecology & Obstetrics, um artigo suplementar sobre as recomendações de boas práticas para o parto cesáreo, revisando epidemiologia, principais indicações, recomendações técnicas e de organização dos serviços de saúde. 

Saiba mais: Ácido tranexâmico para prevenir hemorragia obstétrica após parto cesáreo

O artigo 

O parto cesáreo é um procedimento cirúrgico abdominal realizado para o nascimento de uma criança quando a via vaginal não é viável ou desejada devido a indicações materno-fetais.  

Em relação ao local do parto, todas as unidades de saúde de parto deveriam poder realizar uma cesariana com segurança, o que não é a realidade atual. Isso deveria incluir as instalações, materiais disponíveis e recursos humanos capacitados. Para parto cesáreo planejado ou eletivo, o local deve estar preparado para a paciente e a estratificação de risco já deverá ter sido feita previamente.  

Em contraste, para cesáreas não planejadas (urgência ou emergência), o método de triagem Prep-for-Labor da FIGO permite uma rápida tomada de decisão sobre se a cesariana pode ser realizada com segurança no local ou se é necessária a transferência para um centro de cuidados avançados. Trata-se de um check list de preenchimento rápido com perguntas de respostas binárias (sim/não) que podem auxiliar nessa tomada de decisão. Além disso, uma lista de verificação de pessoal/ferramentas para um parto cesáreo seguro no local é fornecida para permitir a tomada de decisões oportunas.  

As complicações maternas após cesariana são três vezes maiores que o parto vaginal. Para prevenir a cesariana sem indicação médica, favorecendo o parto vaginal, são fornecidas orientações atualizadas, seguras e eficazes, definindo o trabalho de parto, a duração do segundo estágio e o status antes que um trabalho de parto distociado seja confirmado.  

Essas definições atualizadas, segundo a FIGO, são: 

  • Trabalho de parto fase ativa para nulíparas e multíparas: ≥ 6 cm de dilatação cervical; 
  • Considerar fase ativa prolongada se a progressão da dilatação cervical for menor que 1 cm em nulíparas e menor que 2 cm multíparas, após 2 horas de observação; 
  • Exame de toque vaginal deverá ser realizado a cada 4 horas.  

Quanto a técnica do procedimento, quer o parto cesáreo seja planejado ou de emergência, o procedimento simplificado Misgav Ladach é proposto, pois é adequado para casos de baixo e alto risco, incluindo gemelaridade, reduzindo assim a morbidade operatória e a recuperação pós-operatória.  

O Trial of labor after cesarean delivery (TOLAC) refere-se a uma tentativa planejada de parto vaginal por uma mulher que já teve um parto cesáreo anterior, independentemente do resultado. Este método oferece às mulheres que desejam um parto vaginal a possibilidade de atingir esse objetivo – um parto vaginal após cesariana (VBAC). Além de atender à preferência da paciente pelo parto vaginal, em nível individual, o VBAC está associado à diminuição da morbidade materna e à diminuição do risco de complicações em gestações futuras, bem como à diminuição da taxa geral de cesariana em nível populacional.  

Leia também: Eficácia do propranolol na redução de cesáreas em trabalho de parto prolongado

Considerações finais 

A implementação destas recomendações de boas práticas irá melhorar o parto, reduzindo o excesso de cesarianas não indicadas, ao mesmo tempo que define com precisão os recursos e cuidados pós-operatórios necessários para um desempenho seguro no local. Permitir partos seguros por cesariana e TOLAC, mesmo em locais com taxas atualmente baixas, melhorará significativamente os resultados maternos e fetais. 

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Referências bibliográficas

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