A vaginose bacteriana (VB) é uma síndrome polimicrobiana, frequentemente precipitada por uma interrupção no equilíbrio natural da microbiota vaginal, marcada pela redução de lactobacillos e crescimento excessivo de bactérias anaeróbicas. A VB tende a ser prevalente entre mulheres em seus anos reprodutivos e é tipicamente caracterizada por sintomas como corrimento vaginal de odor desagradável, constituindo aproximadamente 40-50% de todas as infecções vaginais.
Nos últimos anos, os probióticos, administrados por via oral ou vaginal, ganharam força associados a terapia convencional com antibióticos devido ao seu impacto benéfico na microbiota vaginal. Eles demonstraram potencial para conter a recorrência da VB, restaurando e mantendo o equilíbrio da microbiota vaginal natural. Com o objetivo de avaliar a diferença nas taxas de recorrência de VB, um recente estudo publicado na BMC Women’s Health comparou através de um ensaio clínico randomizado, controlado no Irã, dois grupos de intervenção: um recebendo probióticos orais e o outro probióticos vaginais, seguindo um regime de tratamento de rotina com metronidazol.
Discussão e Resultados
Um total de 55 mulheres de 18 a 50 anos, casadas e não gestantes, participaram deste estudo e foram divididas em dois grupos: o grupo probiótico vaginal (n=20) e o grupo probiótico oral (n=35). O diagnóstico de VB foi baseado no sistema de pontuação de Nugent (coloração de Gram).
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Todas as pacientes diagnosticadas com VB foram inicialmente tratadas com metronidazol oral padrão (500 mg, duas vezes ao dia) por uma semana. Após a confirmação laboratorial da VB, as pacientes foram aleatoriamente designadas para um dos dois grupos (A e B) usando um método de distribuição alternativo. O grupo A recebeu uma cápsula vaginal de Lactovage® (Lactobacillus juntamente com prebiótico maltodextrina) por duas semanas. O grupo B recebeu 2 cápsulas orais Lactofem® (cepas bacterianas benéficas juntamente com prebiótico frutooligossacarídeo) durante quatro semanas.
A comparação das variáveis quantitativas entre os dois grupos foi conduzida usando o teste t de Student. A relação entre variáveis qualitativas foi avaliada usando o teste Qui-quadrado, e a correlação entre variáveis quantitativas foi avaliada com o teste de correlação. Todos os testes foram bicaudais, e o nível de significância foi estabelecido em p < 0,05.
Em relação ao histórico de infecção vaginal, 20% das mulheres do grupo probiótico vaginal e 17,1% do grupo probiótico oral relataram ter tido infecção no passado, sem diferença significativa entre os grupos (P = 0,530). Histórico de infertilidade foi relatado por 15% das mulheres do grupo probiótico vaginal e 8,6% do grupo probiótico oral, mas a diferença não foi estatisticamente significativa (P = 0,377).
Em termos de histórico obstétrico, 20% das mulheres no grupo probiótico vaginal e 22,9% no grupo probiótico oral tinham histórico de parto prematuro. Essa diferença não foi estatisticamente significativa (P = 0,544). Da mesma forma, não houve diferença significativa na proporção de mulheres que apresentaram ruptura prematura de membranas em gravidez recente (10% no grupo probiótico vaginal e 17,1% no grupo probiótico oral P = 0,383).
SGORJ 2024: Vaginites, vaginoses e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)
A pontuação de Nugent diminuiu de 8,5 para 3 no grupo vaginal e de 9 para 3 no grupo oral, sugerindo a eficácia de ambos os tratamentos. Embora a diferença entre os grupos não tenha sido estatisticamente significativa, cada grupo mostrou melhorias significativas em relação aos seus estados iniciais (valor de p < 0,001).
Limitações como o tamanho da amostra relativamente pequena e o período de acompanhamento curto (um mês), podem não capturar totalmente a recorrência de longo prazo da VB e devem ser consideradas.
Mensagens práticas: probióticos na vaginose bacteriana
Os achados deste trabalho, apesar de uma pequena amostra, demonstraram melhora significativa nos sintomas de vaginose bacteriana para pacientes tratadas com metronidazol associado a probióticos orais e vaginais, não havendo diferença entre os grupos de probióticos orais e vaginais ( p = 0,053). O uso de probióticos associados ao tratamento com antibóticos para vaginose bacteriana, parecem ser importante perspectivas, em especial na sua recorrência.
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