Logotipo Afya
Anúncio
Ginecologia e Obstetrícia5 junho 2026

Pilates na gestação: alívio da dor e bem-estar no pré-natal

Revisão avalia Pilates na gestação e efeitos em dor musculoesquelética, incapacidade funcional, sono e estado psicológico.

A gestação é um período de profundas transformações fisiológicas e biomecânicas. O aumento da carga física e o deslocamento anterior do centro de gravidade podem contribuir para dores musculoesqueléticas, com impacto na rotina e na qualidade de vida das gestantes. 

Entre os desconfortos relatados, a dor lombar e pélvica está entre os sintomas frequentes na gestação e pode estar associada a distúrbios do sono e quadros de ansiedade. Estratégias não farmacológicas são consideradas no manejo desses  

O estudo publicado na revista BMJ Open, em 2026, teve como objetivo sintetizar as evidências sobre a eficácia do Pilates no alívio da dor musculoesquelética e de outros desconfortos comuns durante a gravidez. 

Saiba mais: Alterações fisiológicas na gestação e o impacto da atividade física: o que o médico precisa saber 

Metodologia da revisão 

Trata-se de uma revisão sistemática com metanálise conduzida de acordo com as diretrizes PRISMA. Os pesquisadores realizaram buscas em bases como PubMed, Scopus e Cochrane até janeiro de 2026, com foco em ensaios clínicos randomizados e estudos prospectivos que utilizaram o Pilates como intervenção principal. 

A população do estudo incluiu gestantes no segundo e terceiro trimestres de gestação. Foram excluídas dores não relacionadas a distúrbios induzidos pela própria gravidez e estudos realizados apenas no pós-parto. 

Os desfechos primários analisados incluíram intensidade da dor, medida pela Escala Visual Analógica, e nível de incapacidade funcional, avaliado por questionários como o ODI e o PGQ. 

Principais resultados 

A metanálise de 10 estudos demonstrou que o Pilates reduziu significativamente a intensidade da dor musculoesquelética, com diferença média de -2,59 e p=0,001. 

Além disso, houve melhora nos níveis de incapacidade funcional das participantes, com diferença média padronizada de -1,82 e p=0,002. 

No campo emocional, o estado psicológico das gestantes apresentou melhora estatisticamente relevante, com p=0,0005. Embora tenha ocorrido tendência positiva na qualidade do sono, com diferença média de -1,93, esse dado não alcançou significância estatística, com p=0,17. 

Para ansiedade e depressão avaliadas de forma dicotômica, os resultados indicaram risco relativo de 0,08 e 1,08, respectivamente, sugerindo potenciais benefícios preventivos que ainda carecem de amostras maiores. 

Desafios e limitações práticas 

O texto destaca que o diferencial mecânico do Pilates está relacionado à ativação da respiração lateral e dos músculos estabilizadores profundos, como o transverso do abdome e o multífidus lombar, o que pode proporcionar suporte à pelve e à coluna. 

No entanto, o estudo aponta limitações. A impossibilidade de cegamento das participantes para exercícios físicos pode gerar viés de expectativa, e a certeza da evidência foi rebaixada em alguns desfechos devido ao tamanho reduzido das amostras totais, com menos de 400 participantes. 

Mensagem prática 

Os achados sugerem que o Pilates pode contribuir para a redução da dor musculoesquelética e da incapacidade funcional em gestantes, especialmente nos casos de dor lombar e instabilidade pélvica. 

A prática também foi associada à melhora do estado psicológico, embora os resultados sobre qualidade do sono não tenham alcançado significância estatística. A prescrição descrita no texto envolve sessões de 50 a 60 minutos, duas a três vezes por semana. 

Saiba mais: Guideline de atividade física na gravidez

Autoria

Foto de Roberta Furtado Stivanin Rachid Novais

Roberta Furtado Stivanin Rachid Novais

Graduação em Medicina pela Faculdade Souza Marques (2006), Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade pela UFF (2008), Especialização em Ginecologia e Obstetrícia Pela SOGIMA/RJ (2012), Mestrado em Saúde Materno Infantil pela UFF (2016). Atualmente é Professora de Obstetrícia do Departamento Materno-Infantil da UFF e Doutoranda em Ciências Médicas também na UFF.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Ginecologia e Obstetrícia