A gestação é um período de profundas transformações fisiológicas e biomecânicas. O aumento da carga física e o deslocamento anterior do centro de gravidade podem contribuir para dores musculoesqueléticas, com impacto na rotina e na qualidade de vida das gestantes.
Entre os desconfortos relatados, a dor lombar e pélvica está entre os sintomas frequentes na gestação e pode estar associada a distúrbios do sono e quadros de ansiedade. Estratégias não farmacológicas são consideradas no manejo desses
O estudo publicado na revista BMJ Open, em 2026, teve como objetivo sintetizar as evidências sobre a eficácia do Pilates no alívio da dor musculoesquelética e de outros desconfortos comuns durante a gravidez.
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Metodologia da revisão
Trata-se de uma revisão sistemática com metanálise conduzida de acordo com as diretrizes PRISMA. Os pesquisadores realizaram buscas em bases como PubMed, Scopus e Cochrane até janeiro de 2026, com foco em ensaios clínicos randomizados e estudos prospectivos que utilizaram o Pilates como intervenção principal.
A população do estudo incluiu gestantes no segundo e terceiro trimestres de gestação. Foram excluídas dores não relacionadas a distúrbios induzidos pela própria gravidez e estudos realizados apenas no pós-parto.
Os desfechos primários analisados incluíram intensidade da dor, medida pela Escala Visual Analógica, e nível de incapacidade funcional, avaliado por questionários como o ODI e o PGQ.
Principais resultados
A metanálise de 10 estudos demonstrou que o Pilates reduziu significativamente a intensidade da dor musculoesquelética, com diferença média de -2,59 e p=0,001.
Além disso, houve melhora nos níveis de incapacidade funcional das participantes, com diferença média padronizada de -1,82 e p=0,002.
No campo emocional, o estado psicológico das gestantes apresentou melhora estatisticamente relevante, com p=0,0005. Embora tenha ocorrido tendência positiva na qualidade do sono, com diferença média de -1,93, esse dado não alcançou significância estatística, com p=0,17.
Para ansiedade e depressão avaliadas de forma dicotômica, os resultados indicaram risco relativo de 0,08 e 1,08, respectivamente, sugerindo potenciais benefícios preventivos que ainda carecem de amostras maiores.
Desafios e limitações práticas
O texto destaca que o diferencial mecânico do Pilates está relacionado à ativação da respiração lateral e dos músculos estabilizadores profundos, como o transverso do abdome e o multífidus lombar, o que pode proporcionar suporte à pelve e à coluna.
No entanto, o estudo aponta limitações. A impossibilidade de cegamento das participantes para exercícios físicos pode gerar viés de expectativa, e a certeza da evidência foi rebaixada em alguns desfechos devido ao tamanho reduzido das amostras totais, com menos de 400 participantes.
Mensagem prática
Os achados sugerem que o Pilates pode contribuir para a redução da dor musculoesquelética e da incapacidade funcional em gestantes, especialmente nos casos de dor lombar e instabilidade pélvica.
A prática também foi associada à melhora do estado psicológico, embora os resultados sobre qualidade do sono não tenham alcançado significância estatística. A prescrição descrita no texto envolve sessões de 50 a 60 minutos, duas a três vezes por semana.
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Autoria
Roberta Furtado Stivanin Rachid Novais
Graduação em Medicina pela Faculdade Souza Marques (2006), Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade pela UFF (2008), Especialização em Ginecologia e Obstetrícia Pela SOGIMA/RJ (2012), Mestrado em Saúde Materno Infantil pela UFF (2016). Atualmente é Professora de Obstetrícia do Departamento Materno-Infantil da UFF e Doutoranda em Ciências Médicas também na UFF.
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