Uma revisão sistemática intitulada “The use of misoprostol before hysteroscopy in Nulliparous women: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials” foi publicada por um grupo de autores egípcios na revista BMC Pregnancy and Childbirth.
Background da literatura
A histeroscopia é o padrão-ouro para avaliação da cavidade uterina em mulheres na pré e pós-menopausa, permitindo diagnóstico e tratamento de lesões intracavitárias. Embora procedimentos histeroscópicos ambulatoriais sejam seguros, a instrumentação uterina pode estar associada à dor e ansiedade, especialmente em nulíparas e mulheres menopausadas, devido ao canal cervical estreito. Estratégias farmacológicas e não farmacológicas têm sido propostas para minimizar esses desconfortos, incluindo o uso de misoprostol, um análogo da prostaglandina E1, para preparo cervical. Esse agente, acessível e eficaz, pode ser administrado por vias oral, vaginal, retal ou sublingual, reduzindo complicações como lacerações cervicais e falhas no procedimento.
Embora estudos tenham investigado o uso do misoprostol antes da histeroscopia em populações específicas, como nulíparas e mulheres menopausadas, os resultados permanecem controversos. Alguns trabalhos demonstraram sua eficácia na dilatação cervical, enquanto outros não observaram benefícios significativos. Essa divergência ressalta a necessidade de mais evidências científicas, especialmente em populações de alto risco, para estabelecer protocolos claros sobre o uso do misoprostol em procedimentos histeroscópicos.
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Metodologia
Trata-se de uma revisão sistemática e metanálise que incluiu todos os estudos randomizados controlados que envolveram a administração pré-operatória de misoprostol antes da histeroscopia em mulheres nulíparas. Todos os estudos que compararam o misoprostol ao placebo, medicamentos com dinoprostona ou misoprostol em diferentes momentos ou vias e todas as vias de administração, incluindo vaginal, oral ou sublingual, foram incluídos. Ensaios não randomizados, relatos de casos, artigos de revisão e opiniões editoriais foram excluídos.
Principais achados e discussão
Treze estudos, com 1.528 participantes, foram analisados. Destes, 958 receberam misoprostol, 221 dinoprostona, 51 diclofenaco e 308 placebo. Os estudos foram realizados em países como Egito, Turquia, Canadá, Tailândia, Grécia, Índia e Holanda. A maioria foi duplo-cego e conduzida em um único centro, com exceção de dois multicêntricos. O misoprostol foi comparado ao placebo em 7 estudos, à dinoprostona em 3, a si mesmo (diferentes vias ou tempos de administração) em 4 e ao diclofenaco em 1. A via vaginal foi a mais utilizada (10 estudos), com doses variando entre 100 µg e 400 µg, administradas de 3 a 24 horas antes do procedimento.
A histeroscopia foi realizada sob anestesia geral em 6 estudos e sem anestesia em outros 6, enquanto 1 estudo não especificou o uso de anestesia. O meio de distensão mais comum foi solução salina, seguido por CO2 e glicina.
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As evidências combinadas mostraram que a administração pré-operatória de misoprostol em mulheres nulíparas está associada a uma redução significativa no tempo necessário para a dilatação cervical. Esse efeito foi evidente no grupo de dose de 100 e 400 ug, em todas as vias estudadas e 4, 6, 9–10 h antes do procedimento e uma redução razoável não significativa no número de falhas (P = 0,09) e casos que necessitaram de maior dilatação (P = 0,06) quando comparada à administração de placebo. Embora a estimativa do efeito não tenha encontrado nenhuma diferença significativa entre os 2 grupos em relação à facilidade de dilatação cervical (P = 0,33), escore de dor pré-operatória (P = 0,53), número total de casos que apresentaram efeitos colaterais (P = 0,50), efeitos colaterais específicos (náuseas, vômitos, diarreia, dor e sangramento), número total de complicações (P = 0,14), complicações específicas (laceração cervical, falso trajeto e perfuração uterina), a ausência de diferenças significativas entre esses desfechos pode estar relacionada ao pequeno tamanho da amostra da maioria dos estudos incluídos, de modo que cada estudo individual não atingiu um valor significativo. O recálculo do tamanho da amostra considerando esses desfechos em estudos futuros pode confirmar essas diferenças.
Esta é a primeira revisão sistemática que avalia o valor da administração de misoprostol antes da histeroscopia em mulheres nulíparas. Algumas revisões anteriores estudaram o valor do misoprostol antes da histeroscopia em mulheres sem qualquer especificação das características dessas mulheres em relação ao estado reprodutivo, paridade ou menopausa.
Conclusão: misoprostol antes da histeroscopia em mulheres nulíparas
O misoprostol melhorou o tempo necessário para a dilatação cervical sem afetar a taxa de complicações ou efeitos colaterais do medicamento quando comparado ao placebo, mas tem resultados semelhantes à dinoprostona com efeitos colaterais mais altos.
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