O câncer é considerado uma das mais importantes causas de mortalidade em humanos. É de fato a principal barreira ao aumento da expectativa de vida em todos os países. E dentre eles, o câncer de mama é um dos mais comuns no mundo com elevadas taxas de morbimortalidade.
Apesar dos avanços significativos na detecção precoce e tratamento, a taxa de incidência tem aumentado em muitos países nos últimos anos. É extremamente importante desenvolver estratégias de prevenção primária que efetivamente diminuam as taxas de incidência do câncer de mama. Recentemente, vitaminas como a vitamina D têm sido estudadas mostrando potenciais benefícios na prevenção do câncer de mama através das suas propriedades antitumorais.
ESMO 2024: Câncer de mama metastático
O hormônio calcitriol ou 1,25-dihidroxivitamina D3 é derivada da vitamina D e apresenta diversas funções nos tecidos humanos. A vitamina D pode ser gerada endogenamente através da pele pela exposição solar, além de ser adquirida pelos alimentos e suplementos. Acredita-se que, globalmente, 1 bilhão de pessoas apresentem deficiência da vitamina D.
Segundo estudos, a vitamina D apresenta propriedades antitumorais, anti-inflamatórias, anti-invasão, pró-apoptóticas e antiproliferativas.
Foram identificados, através de perfis genômicos, vários alvos responsivos ao calcitriol em células mamárias normais e tumorais. Através dos seus receptores, a vitamina D pode influenciar a expressão de milhares de genes de downregulation.
Uma revisão sistemática publicada em outubro de 2024 na Asian Pacific Journal of Cancer Prevention revisou as conexões dos genes e suas vias reguladas pela vitamina D e seu receptor no contexto do câncer de mama.
Os resultados encontrados relacionados à vitamina D e seu receptor estão listados a seguir.
Efeitos no metabolismo e anticâncer:
De acordo com dados da maioria dos estudos epidemiológicos e observacionais, os níveis séricos de vitamina D e o risco de câncer de mama é inversamente proporcional. O calcitriol e agonistas sintéticos do seu receptor exibem propriedades anticâncer através da regulação da apoptose, diferenciação e parada do ciclo celular no câncer de mama mostrado em alguns modelos tumorais em animais.
Vitamina D e pró-autofagia:
A autofagia é um processo de defesa contra o dano e início do câncer em tecidos saudáveis. A célula sofre lise e eliminação em caso de alterações, proteínas anômalas ou outros constituintes alterados dentro do citoplasma. A autofagia é ativada pela vitamina D. No caso do câncer de mama, quando esta lesão progride, a perda da capacidade de autofagia tem sido demonstrada.
Efeitos antitumorais:
Vários estudos mostraram que o calcitriol pode suprimir a expressão de marcadores mioepiteliais, incluindo b4-integrina, a6-integrna e P-caderina. A expressão da P-caderina tem sido associada a pior prognóstico, maior proliferação, metástases linfonodais e maior grau histológico em células do câncer de mama com receptores negativos para estrogênio e progesterona.
Efeito antiangiogênese:
A angiogênese é um processo fisiológico normal e essencial para o crescimento e desenvolvimento de novos vasos. Este equilíbrio é perdido na formação dos tumores. Evidências recentes sugerem que em células do câncer de mama, a vitamina D pode levar a downregulation de fatores pró-angiogênicos como VEGFA, TGF-β1, PGF, bFGF e MMP-9 através da indução da expressão do gene 3 (MEG3). A superexpressão do MEG3 pode ter um efeito supressivo no crescimento celular, invasão e angiogênese.
Efeitos antiproliferativos:
Calcitriol e seus análogos têm sido descritos como portadores de efeitos inibitórios no crescimento e proliferação do câncer de mama através da regulação de oncogenes, especificamente c-myc e c-fos.
Vitamina D e pró-apoptose:
Em células tumorais mamárias, a vitamina D pode ativar alterações morfológicas e bioquímicas ligadas à apoptose, como a quebra do DNA e condensação da cromatina assim como a geração de alterações nas mitocôndrias e liberação do citocromo C.
Efeitos imunomoduladores:
Os receptores da vitamina D são expressos em células do sistema imune. A vitamina D inibe a superexpressão de células T ativadas e outras células do sistema imunológico adaptativo que poderia levar a doenças autoimunes.
Vitamina D e instabilidade genômica:
A vitamina D foi relatada com potencial de estimular a cistatina que inibe a degradação proteolítica da catepsina L e TP53BP1, levando à estabilidade do genoma.
Resumo e mensagem prática
Vários estudos mostraram a relação da vitamina D e seu efeito protetor contra o câncer de mama. Mais pesquisas são necessárias para elucidar os mecanismos envolvidos e aumentar o conhecimento sobre seu possível uso tanto na prevenção quanto como adjuvante ao tratamento do câncer de mama.
Saiba mais: Tratamento cirúrgico do câncer de mama localmente avançado
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.