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Ginecologia e Obstetrícia24 dezembro 2024

O papel da vitamina D no câncer de mama 

Estudo buscou revisar o papel da vitamina D no câncer de mama por meio da rede de vias reguladas pela vitamina D.

O câncer é considerado uma das mais importantes causas de mortalidade em humanos. É de fato a principal barreira ao aumento da expectativa de vida em todos os países. E dentre eles, o câncer de mama é um dos mais comuns no mundo com elevadas taxas de morbimortalidade. 

Apesar dos avanços significativos na detecção precoce e tratamento, a taxa de incidência tem aumentado em muitos países nos últimos anos. É extremamente importante desenvolver estratégias de prevenção primária que efetivamente diminuam as taxas de incidência do câncer de mama. Recentemente, vitaminas como a vitamina D têm sido estudadas mostrando potenciais benefícios na prevenção do câncer de mama através das suas propriedades antitumorais. 

ESMO 2024: Câncer de mama metastático

O hormônio calcitriol ou 1,25-dihidroxivitamina D3 é derivada da vitamina D e apresenta diversas funções nos tecidos humanos. A vitamina D pode ser gerada endogenamente através da pele pela exposição solar, além de ser adquirida pelos alimentos e suplementos. Acredita-se que, globalmente, 1 bilhão de pessoas apresentem deficiência da vitamina D. 

Segundo estudos, a vitamina D apresenta propriedades antitumorais, anti-inflamatórias, anti-invasão, pró-apoptóticas e antiproliferativas. 

Foram identificados, através de perfis genômicos, vários alvos responsivos ao calcitriol em células mamárias normais e tumorais. Através dos seus receptores, a vitamina D pode influenciar a expressão de milhares de genes de downregulation 

Uma revisão sistemática publicada em outubro de 2024 na Asian Pacific Journal of Cancer Prevention revisou as conexões dos genes e suas vias reguladas pela vitamina D e seu receptor no contexto do câncer de mama. 

Os resultados encontrados relacionados à vitamina D e seu receptor estão listados a seguir. 

Efeitos no metabolismo e anticâncer: 

De acordo com dados da maioria dos estudos epidemiológicos e observacionais, os níveis séricos de vitamina D e o risco de câncer de mama é inversamente proporcional. O calcitriol e agonistas sintéticos do seu receptor exibem propriedades anticâncer através da regulação da apoptose, diferenciação e parada do ciclo celular no câncer de mama mostrado em alguns modelos tumorais em animais.  

Vitamina D e pró-autofagia: 

A autofagia é um processo de defesa contra o dano e início do câncer em tecidos saudáveis. A célula sofre lise e eliminação em caso de alterações, proteínas anômalas ou outros constituintes alterados dentro do citoplasma. A autofagia é ativada pela vitamina D. No caso do câncer de mama, quando esta lesão progride, a perda da capacidade de autofagia tem sido demonstrada.  

Efeitos antitumorais: 

Vários estudos mostraram que o calcitriol pode suprimir a expressão de marcadores mioepiteliais, incluindo b4-integrina, a6-integrna e P-caderina. A expressão da P-caderina tem sido associada a pior prognóstico, maior proliferação, metástases linfonodais e maior grau histológico em células do câncer de mama com receptores negativos para estrogênio e progesterona. 

Efeito antiangiogênese: 

A angiogênese é um processo fisiológico normal e essencial para o crescimento e desenvolvimento de novos vasos. Este equilíbrio é perdido na formação dos tumores. Evidências recentes sugerem que em células do câncer de mama, a vitamina D pode levar a downregulation de fatores pró-angiogênicos como VEGFA, TGF-β1, PGF, bFGF e MMP-9 através da indução da expressão do gene 3 (MEG3). A superexpressão do MEG3 pode ter um efeito supressivo no crescimento celular, invasão e angiogênese. 

Efeitos antiproliferativos: 

Calcitriol e seus análogos têm sido descritos como portadores de efeitos inibitórios no crescimento e proliferação do câncer de mama através da regulação de oncogenes, especificamente c-myc e c-fos. 

Vitamina D e pró-apoptose: 

Em células tumorais mamárias, a vitamina D pode ativar alterações morfológicas e bioquímicas ligadas à apoptose, como a quebra do DNA e condensação da cromatina assim como a geração de alterações nas mitocôndrias e liberação do citocromo C. 

Efeitos imunomoduladores: 

Os receptores da vitamina D são expressos em células do sistema imune. A vitamina D inibe a superexpressão de células T ativadas e outras células do sistema imunológico adaptativo que poderia levar a doenças autoimunes.  

Vitamina D e instabilidade genômica: 

A vitamina D foi relatada com potencial de estimular a cistatina que inibe a degradação proteolítica da catepsina L e TP53BP1, levando à estabilidade do genoma. 

Resumo e mensagem prática 

Vários estudos mostraram a relação da vitamina D e seu efeito protetor contra o câncer de mama. Mais pesquisas são necessárias para elucidar os mecanismos envolvidos e aumentar o conhecimento sobre seu possível uso tanto na prevenção quanto como adjuvante ao tratamento do câncer de mama.

Saiba mais: Tratamento cirúrgico do câncer de mama localmente avançado

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