Um total de 417.367 novos casos de câncer de endométrio (CE) foram diagnosticados em todo o mundo em 2020, com uma estimativa de 97.370 mortes relacionadas ao câncer (PAL N, 2022). Pesquisadores têm observado uma maior incidência de hiperplasia endometrial atípica e CE em pacientes mais jovens, em torno de 40 anos, muito provavelmente isto está relacionado com nuliparidade ou gravidez mais tardia.
Análise recente
Em agosto de 2022 foi publicado um artigo no Journal of Obstetrics and Gynecology Research, com o objetivo de investigar a taxa de recorrência, a taxa de nascidos vivos e os resultados do dispositivo intrauterino de liberação de levonorgestrel (DIU-LNG) para o tratamento de hiperplasia endometrial atípica (AEH) ou câncer de endométrio grau 1 (CE) em pacientes que desejam tratamento de preservação da fertilidade e naquelas que procuram tratamento conservador, mas sem a preservação da fertilidade.
A idade média dos pacientes participantes da pesquisa foi de 35 (variação: 29-39) anos e a taxa de recorrência global foi de 56% (5/9). Três das nove pacientes apresentavam CE grau 1 e seis apresentavam AEH. Sendo que as taxas de resposta ao DIU-LNG em pacientes com Grau 1 CE e AEH foram 66% e 100%, respectivamente. Quatro pacientes (três com AEH, um com grau 1 CE) apresentaram recorrência 6 meses após o tratamento com acetato de medroxiprogesterona oral (AMP) e todos as 4 (100%) tiveram resposta completa. Oito pacientes desejavam a preservação da fertilidade, das quais 37% (3/8) conceberam após receber tratamento de fertilidade e 25% (2/8) tiveram nascido vivo; as três restantes haviam recebido AMP anteriormente por 6 meses e tiveram recorrência; destas, 1 nasceu vivo.
Saiba mais: Qual o melhor tratamento para hiperplasia endometrial (HE)?
Conclusão
Os pesquisadores concluíram que o DIU-LNG é eficaz para o manejo de AEH e EC em pacientes jovens que desejam tratamento de preservação da fertilidade, incluindo aquelas inelegíveis para AMP devido à presença de comorbidades e aquelas com recorrência após o tratamento com AMP (tratamento de 6 meses) e pacientes que procuram por um tratamento conservador, sem a preservação da fertilidade. Independente do tratamento escolhido em conjunto com a paciente, é de suma importância o esclarecimento dos riscos e benefícios de cada um para a paciente. No geral, os médicos esquecem de pensar na fertilidade da paciente com câncer, contudo, hoje existem tratamento no qual podemos preservar a fertilidade e após a paciente conceber, terminar o tratamento mais agressivo, se necessário.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.