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Ginecologia e ObstetríciaDEZ 2023

Comparação entre clampeamento tardio e imediato do cordão umbilical em prematuros

Uma revisão sistemática buscou avaliar os efeitos do clampeamento oportuno e da ordenha do cordão umbilical sobre o impacto na mortalidade e morbidade em neonatos pré-termos.

Por Ênio Luis Damaso

Para neonatos nascidos a termo (após 37 semanas de gestação), adiar ou aguardar o clampeamento do cordão umbilical por pelo menos 60 segundos demonstrou melhorar os níveis de hemoglobina e hematócrito e reduzir o risco de deficiência de ferro, e agora é uma prática recomendada. No entanto, se essa prática também é benéfica para os prematuros em geral, especialmente para neonatos muito prematuros (nascidos entre 28 e 32 semanas de gestação) e extremamente prematuros (nascidos antes de 28 semanas de vida) é menos claro.

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Comparação entre clampeamento tardio e imediato do cordão umbilical em prematuros

Metodologia

Foi conduzida uma revisão sistemática e meta-análise, através de uma busca de bancos de dados e registros de ensaios clínicos randomizados até 24 de fevereiro de 2022, essa revisão foi publicada no The Lancet. Os estudos buscados comparavam o clampeamento tardio do cordão umbilical, a ordenha e o clampeamento imediato em partos prematuros (< 37 semanas de gestação).

O desfecho primário foi óbito neonatal antes da alta hospitalar. Os desfechos secundários foram analisados separadamente para neonatos prematuros nascidos antes ou depois de 32 semanas de gestação, porque antes ou depois dessa idade gestacional as morbidades são diferentes. Esses desfechos foram necessidade de transfusão de sangue, hipotermia (< 36,5 °C) na admissão, hemorragia intraventricular, doença pulmonar crônica, sepse de início tardio, enterocolite necrosante, persistência do canal arterial, internação em unidade de terapia intensiva, medidas hematológicas, outras morbidades de prematuridade e marcadores de gravidade da doença.

Principais resultados

Foram identificados 2.369 registros, dos quais 48 ensaios clínicos randomizados forneceram dados individuais dos participantes e foram elegíveis para análise primária. Foram incluídos dados de participantes individuais de 6.367 neonatos (3.303 [55%] do sexo masculino, 2.667 [45%] do sexo feminino, dois intersexos e 395 dados faltantes).

Clampeamento tardio do cordão, comparado com clampeamento imediato, reduziu a taxa de óbito neonatal antes da alta hospitalar (odds ratio [OR] 0,68 [IC 95% 0,51–0,91], evidência de alta qualidade, 20 estudos, n=3.260, 232 óbitos). Para os principais desfechos secundários, clampeamento tardio do cordão, comparado com clampeamento imediato reduziu a necessidade de transfusão de sangue, aumentou o risco de hipotermia (embora apenas em –0,13 °C [IC 95% –0,20 a –0,06]), e não houve evidência de um efeito sobre outros resultados secundários importantes. O tempo do clampeamento tardio variou de 30 a pelo menos 180 segundos (com alguns ensaios encorajando adiamentos por até 5 minutos quando viável). Para o grupo de clampeamento imediato, a maioria dos estudos (n = 14) especificou o tempo dentro de dez segundos.

Quanto a ordenha do cordão umbilical em comparação com o clampeamento imediato do cordão, não foram encontradas evidências de diferença no desfecho primário (OR 0,73 [0,44–1,20], baixa certeza, 18 estudos, n=1561, 74 óbitos). Da mesma forma, para a ordenha do cordão umbilical em comparação com o clampeamento tardio, não foi encontrada nenhuma evidência clara de diferença na taxa de óbito antes da alta (0,95 [0,59–1,53], baixa certeza, 12 estudos, n=1303, 93 óbitos).

Saiba mais: Revisão aborda as consequências neurológicas dos partos prematuros

Conclusão e mensagem prática

O principal valor científico acrescentado desta metanálise foi a abordagem rigorosa e de alta qualidade que fornece evidências para análise de mortalidade neonatal e de várias questões secundárias.

Este estudo fornece evidências de que o clampeamento tardio do cordão umbilical em comparação com o imediato, reduz a mortalidade antes da alta em neonatos prematuros. Esse efeito parece ser consistente em todos os vários subgrupos em nível de participante e em nível de ensaio.

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Referências bibliográficas

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