Nas últimas décadas, devido ao novo estilo de vida das mulheres, cada vez mais temos gestantes com mais de 35 anos, o que aumenta a probabilidade de comorbidade nesta paciente. A metformina vem sendo usada nas gestantes com diabetes tipo 2, contudo é necessário saber se existe alguma consequência tardia nas crianças destas mulheres.
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Em fevereiro de 2023 foi publicado um artigo na Lancet – Diabetes & Endocrinology, com o objetivo examinar a adiposidade em filhos de mulheres com diabetes tipo 2 do estudo Metformin in Women with Type 2 Diabetes in Pregnancy (MiTy), com e sem exposição intrauterina à metformina, até 24 meses de idade. MiTy Kids é um estudo de acompanhamento que incluiu bebês de mulheres que participaram do estudo controle, duplo-cego, randomizado MiTy, recebendo 1.000 mg de metformina oral duas vezes ao dia ou placebo. Medidas antropométricas, incluindo peso, altura e dobras cutâneas, foram feitas aos 3, 6, 12, 18 e 24 meses. Aos 24 meses, a regressão linear foi usada para comparar o escore Z do IMC e a soma das dobras cutâneas nos grupos metformina versus placebo, ajustados para fatores de confusão. Polinômios fracionários foram usados para avaliar as trajetórias de crescimento.
Resultados
De acordo com os pesquisadores, aos 24 meses, não houve diferença entre os grupos na pontuação média do IMC Z (0,84 [SD 1,52] com metformina versus 0,91 [1,38] com placebo; diferença média 0,07 [IC 95% –0,31 a 0,45], p=0,72) ou soma média das dobras cutâneas (23,0 mm [5,2] vs 23,8 mm [5·4]; diferença média 0·8 mm [–0,7 a 2,3], p=0,31). Além disso, a metformina não foi preditora do escore Z do IMC aos 24 meses de idade (diferença média –0,01 [IC 95% –0,42 a 0,37], p=0,92), e não houve diferença geral na trajetória do IMC, contudo, nos meninos, as trajetórias foram significativamente diferentes por tratamento (p=0,048). O IMC no grupo metformina foi maior entre 6 e 24 meses, porém, vale ressaltar que filhos de mulheres com diabetes tipo 2 eram aproximadamente 1 DP mais pesados do que a população de referência da OMS.
Conclusão e mensagem prática
Os autores concluíram que, em geral, os dados são tranquilizadores em relação ao uso de metformina durante a gravidez em mulheres com diabetes tipo 2 e à saúde de longo prazo de seus filhos. Afinal, a antropometria foi semelhante em crianças expostas e não expostas à metformina no útero. Contudo, acredito que precisamos de mais estudos para avaliar a saúde dessas crianças, sempre ponderando o risco benefício do uso de metformina e da gestante com diabetes tipo 2 bem controlada.
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