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Ginecologia e Obstetrícia28 maio 2026

CBGO 2026 - Terapia hormonal na ginecologia endócrina: mitos e evidências 

Mesa discutiu condutas em terapia hormonal para amenorreia, sangramento uterino anormal, endometriose, IOP, LES e SOP na prática clínica.
Por Sérgio Okano

A mesa-redonda “Terapia Hormonal na Prática Clínica da Ginecologia Endócrina: Mitos, Evidências e Casos Complexos”, realizada durante o 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), foi conduzida pelo professor Edmund Baracat, da Faculdade de Medicina da USP, e ocorreu em formato interativo, com discussão de casos clínicos e participação ativa da plateia na construção das condutas propostas. 

Amenorreia primária na síndrome de Turner exige investigação precoce 

A primeira apresentação foi realizada pela professora Ana Carolina Japur de Sá Rosa e Silva, da USP de Ribeirão Preto, que discutiu inicialmente um caso de amenorreia primária (M1P3) em uma adolescente com síndrome de Turner, seguido de um caso de sangramento uterino anormal intenso dez meses após a menarca. Durante a discussão, a palestrante enfatizou que não se deve aguardar os 16 anos de idade para investigação da amenorreia primária quando já há um diagnóstico estabelecido, como na síndrome de Turner. Nesses casos, foi reforçada a indicação de iniciar estradiol em doses fisiológicas baixas, como 12,5 mcg/dia, simulando os níveis hormonais de meninas pré-púberes. Também foi destacado que a progesterona deve ser introduzida apenas quando houver necessidade de proteção endometrial ou descamação uterina. 

Como abordar sangramento uterino anormal na adolescência? 

Em relação ao sangramento uterino anormal na adolescência, especialmente diante da suspeita de coagulopatias, a mesa discutiu o uso de contraceptivos hormonais combinados contendo etinilestradiol 30 mcg, podendo ser prescritos em esquemas intensivos, como a cada oito horas por sete dias ou a cada 12 horas por sete dias, seguido posteriormente de manutenção com dose diária. 

Terapia hormonal da menopausa após endometriose deve ser individualizada 

Na sequência, a professora Cristina Laguna, da Unicamp, apresentou um caso de paciente de 37 anos submetida à pan-histerectomia devido à piora dos sintomas relacionados à endometriose, evoluindo posteriormente com sintomas climatéricos importantes. A palestrante chamou atenção para o fato de que não há necessidade de aguardar um período específico para o início da terapia hormonal da menopausa (THM) nessas pacientes, desde que a indicação seja individualizada e ajustada conforme a faixa etária e os sintomas clínicos. 

Saiba mais: Terapia Hormonal em Pacientes com História de Endometriose: piora a doença? 

Insuficiência ovariana prematura muda a lógica da janela de oportunidade 

Outro caso discutido envolveu uma mulher em idade reprodutiva com infertilidade e níveis de FSH compatíveis com insuficiência ovariana prematura (IOP). Nessa situação, destacou-se que não se aplica o conceito clássico de “janela de oportunidade” utilizado na menopausa fisiológica, sendo a THM recomendada até a idade esperada da menopausa natural, respeitando-se as mesmas contraindicações habituais da terapia hormonal. 

Saiba mais: Guideline de insuficiência ovariana prematura 

SOP e risco cardiovascular orientam escolha contraceptiva 

Encerrando a sessão, o professor Gustavo Soares, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, abordou aspectos da terapia hormonal na peri- e pós-menopausa, com foco especial em contraindicações e no manejo da síndrome dos ovários policísticos (SOP). Durante a discussão sobre lúpus eritematoso sistêmico (LES), o palestrante ressaltou que pacientes sem atividade de doença significativa (SLEDAI = 2) e sem síndrome antifosfolípide associada (SAAF) podem utilizar THM com relativa segurança, destacando que exacerbações da doença são raras nesses cenários. 

No contexto da SOP, o debate concentrou-se principalmente na escolha contraceptiva em pacientes com maior risco cardiovascular, enfatizando a importância das mudanças no estilo de vida e discutindo o uso do sistema intrauterino liberador de levonorgestrel como alternativa terapêutica relevante. 

Simpósio Satélite Afya aborda manejo de úlceras genitais no CBGO 2026 

Durante o CBGO 2026, a Afya realizará o Simpósio Satélite “Úlceras genitais: imagens e respostas — novo algoritmo da Sociedade Internacional no auxílio do manejo”, ministrado pela ginecologista Caroline Alves de Oliveira Martins, editora-chefe de Ginecologia e Obstetrícia dos produtos digitais da Afya. A atividade abordará, de forma prática e visual, o manejo de úlceras genitais a partir de um novo algoritmo internacional. O simpósio também contará com médico Járder Burdet, professor e editor-chefe da Afya GO. 

Serviço — Simpósio Satélite Afya no CBGO 2026
Tema: Úlceras genitais: imagens e respostas — novo algoritmo da Sociedade Internacional no auxílio do manejo
Data: 29/05/2026
Horário: 12h20 às 13h20
Local: Auditório D — Minas Centro
Palestrantes: Caroline Oliveira e Járder Burdet 

Cobertura CBGO 2026 – Portal Afya 

O Portal Afya acompanha a cobertura do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), um dos principais encontros científicos da especialidade no país. O evento acontece entre os dias 27 e 30 de maio de 2026, no Minascentro, em Belo Horizonte/MG, reunindo ginecologistas, obstetras, residentes, estudantes de medicina e demais profissionais interessados nas atualizações em saúde da mulher. 

O evento é promovido pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Autoria

Foto de Sérgio Okano

Sérgio Okano

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