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Ginecologia e Obstetrícia30 maio 2026

CBGO 2026 - SOP e manejo integral da síndrome dos ovários policísticos

Mesa discute sobre SOMP e foca em fenótipos, resistência insulínica, infertilidade e manejo individualizado.
Por Sérgio Okano

A mesa dedicada à Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), realizada durante o 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), reuniu especialistas para discutir aspectos fisiopatológicos, metabólicos, reprodutivos e terapêuticos da condição, destacando as atualizações mais recentes sobre diagnóstico e manejo. 

Saiba mais: SOMP substitui SOP: nova nomenclatura da síndrome dos ovários policísticos 

Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina orienta a discussão clínica 

A professora Ana Carolina Japur de Sá Rosa-e-Silva, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), abriu a sessão abordando os mecanismos fisiopatológicos da SOMP. A palestrante reforçou o papel central da resistência insulínica na gênese das alterações ovarianas e nas repercussões metabólicas e reprodutivas observadas nessas pacientes. Também destacou a crescente discussão sobre os diferentes fenótipos da síndrome, ressaltando que os fenótipos A e B, caracterizados pela presença simultânea de hiperandrogenismo e disfunção ovulatória, estão associados a maior impacto metabólico e a maior risco cardiometabólico quando comparados aos fenótipos C e D.

Como a resistência insulínica se relaciona aos fenótipos da SOP? 

Na sequência, o professor José Maria Soares Júnior, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), revisou a evolução histórica dos conceitos relacionados à SOMP e discutiu suas repercussões metabólicas, reprodutivas e psicossociais. O palestrante apresentou o posicionamento recente da FEBRASGO sobre a síndrome e provocou uma reflexão sobre a heterogeneidade dos fenótipos, questionando se os fenótipos C e D deveriam permanecer sob a mesma nomenclatura diante das diferenças de risco e das complicações esperadas. Também foi enfatizada a importância do diagnóstico e do acompanhamento durante a adolescência, período em que as repercussões sobre autoestima, imagem corporal, obesidade, saúde mental e qualidade do sono podem ser particularmente relevantes. 

Repercussões metabólicas ampliam o olhar sobre saúde feminina 

O professor Sebastião Freitas de Medeiros, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), aprofundou a discussão sobre os mecanismos metabólicos envolvidos na SOMP, destacando a interação entre fígado, tecido adiposo e ovário. Foram discutidos os efeitos das hepatocinas e adipocinas, especialmente da leptina, na amplificação da resistência insulínica, da lipogênese e do estado inflamatório crônico de baixo grau característico da síndrome. O palestrante também ressaltou a necessidade de individualizar o tratamento metabólico, incluindo a avaliação do papel das estatinas, da metformina e dos agonistas do receptor de GLP-1 nas pacientes que apresentam indicação clínica para essas terapias. 

[inclusão editorial] Saiba mais: GLP-1 na SOP: emagrecimento sem impacto metabólico relevante? 

Ao individualizar o tratamento, metformina e GLP-1 entram na avaliação clínica 

Encerrando a mesa, a Dra. Andrea Nácul, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), abordou a infertilidade associada à SOMP e as estratégias atuais para indução da ovulação. Foi destacado que aproximadamente 80% dos casos de infertilidade anovulatória estão relacionados à síndrome, tornando-a a principal causa de anovulação crônica em mulheres em idade reprodutiva. A palestrante reforçou que o tratamento deve sempre contemplar mudanças no estilo de vida (MEV), associadas ou não às técnicas de reprodução assistida, conforme a necessidade individual. Também apresentou o modelo SMART como ferramenta para definição de metas e objetivos no processo de mudança comportamental. Em relação à indução da ovulação, foi ressaltado que tanto o citrato de clomifeno quanto o letrozol permanecem como opções terapêuticas, sendo o letrozol atualmente considerado a primeira linha de tratamento para indução ovulatória em mulheres com SOP. 

Simpósio Satélite Afya aborda manejo de úlceras genitais no CBGO 2026 

Durante o CBGO 2026, a Afya realizou o Simpósio Satélite “Úlceras genitais: imagens e respostas — novo algoritmo da Sociedade Internacional no auxílio do manejo”, ministrado pela ginecologista Caroline Alves de Oliveira Martins, editora-chefe de Ginecologia e Obstetrícia dos produtos digitais da Afya. A atividade abordou, de forma prática e visual, o manejo de úlceras genitais a partir de um novo algoritmo internacional. O simpósio também contou com médico Járder Burdet, professor e editor-chefe da Afya GO. 

Cobertura CBGO 2026 – Portal Afya 

O Portal Afya acompanha a cobertura do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), um dos principais encontros científicos da especialidade no país. O evento acontece entre os dias 27 e 30 de maio de 2026, no Minascentro, em Belo Horizonte/MG, reunindo ginecologistas, obstetras, residentes, estudantes de medicina e demais profissionais interessados nas atualizações em saúde da mulher. 

O evento é promovido pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Autoria

Foto de Sérgio Okano

Sérgio Okano

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