Na mesa Ponto x Contraponto em Patologia do Trato Genital Inferior, realizada durante o 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), o tema NIC 2 e ectopia cervical foi discutido a partir de duas situações frequentes na prática ginecológica: a indicação de cauterização da ectopia cervical e a escolha entre terapia conservadora ou excisional para NIC 2.
A professora Márcia Cardial, presidente da ABPTGIC, palestrou a favor do tratamento das ectopias cervicais. Ela relembrou o conceito de ectopia, definido como a presença de epitélio glandular na ectocérvice.
Estima-se que 20% das mulheres apresentem ectopia glandular, com estimativa ainda maior quando há metaplasia escamosa. Entre os fatores associados à persistência da ectopia, foram citados vaginose bacteriana, tabagismo, infecção por clamídia e HIV.
São necessários estudos adicionais para comprovar o benefício do tratamento das ectopias. A indicação de tratamento se limita à presença de sintomas, geralmente mucorreia e sinusiorragia, atentando para o risco de estenose, dor e dificuldade para colposcopias futuras, sempre afastando a presença de infecções associadas.
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Metaplasia escamosa sustenta a leitura fisiológica da ectopia
A professora Nilma Antas, da Universidade Federal da Bahia, fez o contraponto e mostrou os malefícios relacionados ao tratamento da ectopia.
Ela reforçou que a ectopia é um fenótipo fisiológico no menacme, que regride espontaneamente com a metaplasia escamosa. Além disso, a cauterização não deve ser realizada antes da exclusão de lesões HPV induzidas de alto grau. Apesar do aumento da vulnerabilidade às infecções, não se indica tratamento profilático rotineiro, segundo as evidências atuais citadas na mesa.

Terapia conservadora versus excisional para NIC 2
Na discussão sobre terapia conservadora versus excisional para NIC 2, a professora Yara Furtado, da UFRJ, falou a favor da conduta conservadora.
Embora a NIC 2 seja uma lesão intraepitelial escamosa de alto grau, essa lesão apresenta alta taxa de regressão espontânea, especialmente em mulheres abaixo de 30 anos com preocupação com o futuro reprodutivo, podendo chegar a 50% a 60% em 24 meses, segundo estudos atuais com bom nível de evidência citados durante a apresentação.
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A professora Fernanda Tso, da UNIFESP, apresentou pontos favoráveis à indicação de tratamento da NIC 2. Ela alertou que existem limitações relacionadas ao tratamento conservador, como necessidade de seguimento rigoroso, ansiedade da paciente, ausência de marcadores de prognóstico e necessidade de estrutura para acompanhamento.
A palestrante pontuou que, quando a vigilância ultrapassa 24 meses, o diagnóstico de câncer é maior na peça final. Também destacou que o HPV 16 associado apresenta menor taxa de remissão.
Além disso, lembrou que devem ser tratadas as pacientes com baixa adesão ao seguimento, doença glandular associada e zona de transformação do tipo 3.
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Mensagem prática sobre HPV 16 e desejo reprodutivo
Existem controvérsias relacionadas ao tratamento das ectopias cervicais. Embora esse fenômeno fisiológico seja mais bem compreendido, há maior vulnerabilidade às infecções, e seu tratamento se limita a casos muito selecionados, especialmente em mulheres sintomáticas.
Com relação ao manejo da NIC 2, a conduta conservadora pode ser individualizada, levando em consideração a idade da paciente, o tipo de HPV e o desejo reprodutivo. A abordagem cirúrgica é mandatória em mulheres com dificuldade de adesão ao seguimento.
Simpósio Satélite Afya aborda manejo de úlceras genitais no CBGO 2026
Durante o CBGO 2026, a Afya realizará o Simpósio Satélite “Úlceras genitais: imagens e respostas — novo algoritmo da Sociedade Internacional no auxílio do manejo”, ministrado pela ginecologista Caroline Alves de Oliveira Martins, editora-chefe de Ginecologia e Obstetrícia dos produtos digitais da Afya. A atividade abordará, de forma prática e visual, o manejo de úlceras genitais a partir de um novo algoritmo internacional. O simpósio também contará com médico Járder Burdet, professor e editor-chefe da Afya GO.
Serviço — Simpósio Satélite Afya no CBGO 2026
Tema: Úlceras genitais: imagens e respostas — novo algoritmo da Sociedade Internacional no auxílio do manejo
Data: 29/05/2026
Horário: 12h20 às 13h20
Local: Auditório D — Minas Centro
Palestrantes: Caroline Oliveira e Járder Burdet
Cobertura CBGO 2026 – Portal Afya
O Portal Afya acompanha a cobertura do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), um dos principais encontros científicos da especialidade no país. O evento acontece entre os dias 27 e 30 de maio de 2026, no Minascentro, em Belo Horizonte/MG, reunindo ginecologistas, obstetras, residentes, estudantes de medicina e demais profissionais interessados nas atualizações em saúde da mulher.
O evento é promovido pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Autoria

Caroline Oliveira
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