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Ginecologia e Obstetrícia30 maio 2026

CBGO 2026 - Linfadenectomia no câncer ginecológico: quando indicar? 

Mesa discutiu indicações, morbidade e papel do linfonodo sentinela em diferentes tumores ginecológicos.

A mesa sobre linfadenectomia no câncer ginecológico, realizada durante o 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), reuniu especialistas para discutir o papel da abordagem linfonodal em diferentes tumores ginecológicos, com foco em indicação cirúrgica, morbidade e uso da biópsia do linfonodo sentinela nos cenários em que essa estratégia é possível. 

Câncer de colo uterino exige avaliação linfonodal bem indicada 

O professor Jesus Paula, chefe do setor de Ginecologia do Instituto do Câncer de São Paulo, abriu a mesa falando sobre a linfadenectomia no câncer de colo uterino.

O câncer de colo uterino evolui por contiguidade aos órgãos vizinhos e por acometimento linfonodal. Entre as razões destacadas para realizar a dissecção linfonodal estão o estadiamento, a definição do tratamento complementar e a remoção de possíveis metástases microscópicas.

Atualmente, preconiza-se a identificação de comprometimento linfonodal por exames de imagem antes da possível cirurgia, para nortear melhor o tratamento definitivo.

A linfadenectomia pode levar a morbidades intra e pós-operatórias relevantes; logo, deve ser bem indicada.

O linfonodo sentinela é o primeiro gânglio que recebe drenagem linfática a partir do tumor. A realização da biópsia do linfonodo sentinela tem menor morbidade e pode determinar o melhor seguimento.

A linfadenectomia sistemática, pélvica e aórtica, deve ser realizada somente em situações especiais.

Como a biópsia do linfonodo sentinela entra no câncer de endométrio? 

O professor Delzio Bicalho, membro da Comissão Nacional Especializada de Ginecologia Oncológica da FEBRASGO, falou sobre o papel da linfadenectomia no câncer de endométrio.

O tratamento padrão para o câncer de endométrio é cirúrgico. Estudos atuais mostram que remover mais linfonodos saudáveis não aumenta o tempo livre de doença e aumenta a morbidade. Segundo guideline britânico citado na apresentação, a cada linfonodo retirado, aumenta em 6% o risco de linfedema.

A biópsia do linfonodo sentinela deve ser indicada em casos selecionados, é menos mórbida e não inferior à linfadenectomia sistemática; logo, esta última deve ser desencorajada. O professor destacou o papel atual importante do prognóstico relacionado ao estudo imunohistoquímico com a análise molecular do tumor de endométrio. 

Saiba mais: Biópsia do linfonodo sentinela no câncer endometrial inicial e hiperplasia 

Avaliar linfonodos suspeitos nos tumores epiteliais de ovário 

O professor Renato Moretti, coordenador do serviço de Ginecologia Oncológica do Hospital Israelita Albert Einstein, reforçou toda a morbidade relacionada às linfadenectomias. Por outro lado, o acometimento linfonodal é frequente nos tumores epiteliais ovarianos.

Na doença avançada, a linfadenectomia sistemática deve ser abandonada, segundo estudos atuais, exceto nos casos em que, clinicamente, os linfonodos parecem suspeitos.

Na doença aparentemente inicial, a linfadenectomia tem como objetivo determinar o estadiamento e é indicada em situações de maior risco de acometimento linfonodal, a depender do tipo histológico.

O uso da biópsia de linfonodo sentinela em tumor ovariano ainda é alvo de pesquisas, pois a drenagem linfática é ampla e variável. 

Quando a disseminação linfática é rara nos tumores de cordões sexuais 

O Dr. Caetano da Silva, professor da Faculdade de Medicina do ABC, pontuou sobre a raridade dos tumores de cordões sexuais, que representam 2% a 7% das malignidades ovarianas.

A maioria é diagnosticada em estágios iniciais, com boa sobrevida. A disseminação linfática é rara. Geralmente, a disseminação e as recorrências são peritoneais. Logo, não costuma ser indicada a linfadenectomia sistemática, e a linfadenectomia sentinela carece de mais estudos.

Câncer de vulva concentra debate sobre morbidade cirúrgica 

A professora Walquiria Primo, da Universidade Federal de Brasília, fechou a mesa falando sobre o papel da linfadenectomia no câncer de vulva. 

O câncer vulvar é raro, mais frequente em mulheres idosas e relacionado a dermatoses vulvares, em especial o líquen escleroso, com diagnósticos tardios. 

A professora também destacou o manejo cada vez mais conservador desse tumor. A linfadenectomia inguinofemoral apresenta alta taxa de morbidade. A biópsia do linfonodo sentinela é uma alternativa em casos iniciais, com lesões menores que 4 cm. As micrometástases, menores que 2 mm, identificadas podem ser manejadas posteriormente com radioterapia, com menos morbidade quando comparada à linfadenectomia inguinofemoral completa.

O exame físico ginecológico cuidadoso é fundamental para o diagnóstico precoce das lesões precursoras e do câncer inicial vulvar. 

Saiba mais: Câncer de vulva e neoplasias intraepiteliais vulvares 

Mensagem Final  

Atualmente, os tratamentos cirúrgicos ginecológicos apresentam uma tendência ao descalonamento, com substituição da linfadenectomia sistemática pela biópsia de linfonodo sentinela nos sítios possíveis. Nesse contexto, a linfadenectomia no câncer ginecológico deve ser discutida conforme o tipo tumoral, o risco de acometimento linfonodal, a morbidade esperada e a possibilidade de estratégias menos invasivas. 

Simpósio Satélite Afya aborda manejo de úlceras genitais no CBGO 2026 

Durante o CBGO 2026, a Afya realizou o Simpósio Satélite “Úlceras genitais: imagens e respostas — novo algoritmo da Sociedade Internacional no auxílio do manejo”, ministrado pela ginecologista Caroline Alves de Oliveira Martins, editora-chefe de Ginecologia e Obstetrícia dos produtos digitais da Afya. A atividade abordou, de forma prática e visual, o manejo de úlceras genitais a partir de um novo algoritmo internacional. O simpósio também contou com médico Járder Burdet, professor e editor-chefe da Afya GO. 

Cobertura CBGO 2026 – Portal Afya 

O Portal Afya acompanhou a cobertura do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), um dos principais encontros científicos da especialidade no país. O evento aconteceu entre os dias 27 e 30 de maio de 2026, no Minascentro, em Belo Horizonte/MG, reunindo ginecologistas, obstetras, residentes, estudantes de medicina e demais profissionais interessados nas atualizações em saúde da mulher. 

O evento é promovido pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

 

Autoria

Foto de Caroline Oliveira

Caroline Oliveira

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