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Ginecologia e Obstetrícia30 maio 2026

CBGO 2026 - Hormônios bioidênticos na THM: evidências, segurança e regulamentação 

Mesa discutiu THM, pellets, formulações manipuladas e produtos regulamentados no cuidado de mulheres no climatério.
Por Sérgio Okano

A mesa sobre terapia hormonal do climatério e hormônios bioidênticos, realizada durante o 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), trouxe uma análise crítica sobre conceitos amplamente difundidos na prática clínica e nas redes sociais, discutindo evidências científicas, segurança e regulamentação dessas formulações. 

Saiba mais: Quando indicar a terapia hormonal da menopausa 

Hormônios bioidênticos exigem definição farmacológica precisa 

O professor Rodolfo Strufaldi, da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), iniciou a apresentação revisando o conceito de hormônios bioidênticos. O palestrante destacou que, do ponto de vista farmacológico, hormônio bioidêntico é aquele cuja estrutura molecular é idêntica à produzida naturalmente pelo organismo humano. Entretanto, ressaltou que esse termo vem sendo frequentemente utilizado de forma inadequada no marketing de farmácias de manipulação e em campanhas comerciais. Entre os principais mitos discutidos, destacou-se a ideia amplamente divulgada de que hormônios bioidênticos seriam superiores às formulações convencionais ou apresentariam menor risco de eventos adversos. Segundo o professor, essa associação não encontra respaldo científico consistente. 

Saiba mais: ACP 2025: Hormônios bioidênticos – prescrever ou não? 

Como pellets hormonais se relacionam às formulações manipuladas? 

A discussão incluiu ainda os implantes hormonais subcutâneos, também chamados de “pellets”, cuja utilização tem aumentado em diversos países. Foi ressaltado que essas formulações apresentam limitações importantes relacionadas ao controle da liberação hormonal, podendo resultar em concentrações suprafisiológicas ao longo do tempo. Além disso, o palestrante chamou atenção para a escassez de estudos robustos avaliando segurança a longo prazo, bioequivalência, estabilidade das formulações e risco de contaminação. 

Saiba mais: CBGO 2025: Implantes hormonais, posicionamento da FEBRASGO 

Ao escolher a via transdérmica, segurança da terapia hormonal orienta a THM 

Na sequência, a professora Mona Lúcia Sanches Yela, da Universidade de Caxias do Sul (UCS), aprofundou a discussão sobre terapia hormonal da menopausa (THM) utilizando hormônios bioidênticos, também denominados hormônios isomoleculares. A palestrante reforçou que existem formulações bioidênticas devidamente regulamentadas, padronizadas e respaldadas por evidências científicas, diferentemente de muitas preparações manipuladas sem estudos adequados de qualidade e segurança. 

Foram citados como exemplos de hormônios bioidênticos amplamente utilizados na prática clínica o estradiol e o estetrol. A professora destacou ainda que algumas formulações consideradas naturais, como os estrogênios equinos conjugados (EEC), embora tenham origem natural, não são classificadas como bioidênticas por apresentarem estrutura molecular distinta dos hormônios produzidos pelo organismo humano. 

Em relação à segurança da terapia hormonal, foi enfatizado que a escolha da via de administração continua sendo um dos fatores mais relevantes na prática clínica. As vias transdérmica e percutânea foram apontadas como as opções com melhor perfil de segurança para muitas pacientes, especialmente por evitarem o metabolismo hepático de primeira passagem e estarem associadas a menor impacto sobre fatores trombóticos e metabólicos. 

Mensagem Prática

Ao final da sessão, os palestrantes convergiram na mensagem de que a prescrição de terapia hormonal deve ser guiada por evidências científicas, individualização do tratamento e utilização de produtos regulamentados, evitando a associação automática entre os termos “natural”, “bioidêntico” e “seguro”, frequentemente explorada em estratégias de marketing sem sustentação científica adequada. 

Simpósio Satélite Afya aborda manejo de úlceras genitais no CBGO 2026 

Durante o CBGO 2026, a Afya realizou o Simpósio Satélite “Úlceras genitais: imagens e respostas — novo algoritmo da Sociedade Internacional no auxílio do manejo”, ministrado pela ginecologista Caroline Alves de Oliveira Martins, editora-chefe de Ginecologia e Obstetrícia dos produtos digitais da Afya. A atividade abordou, de forma prática e visual, o manejo de úlceras genitais a partir de um novo algoritmo internacional. O simpósio também contou com médico Járder Burdet, professor e editor-chefe da Afya GO. 

Cobertura CBGO 2026 – Portal Afya 

O Portal Afya acompanha a cobertura do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), um dos principais encontros científicos da especialidade no país. O evento acontece entre os dias 27 e 30 de maio de 2026, no Minascentro, em Belo Horizonte/MG, reunindo ginecologistas, obstetras, residentes, estudantes de medicina e demais profissionais interessados nas atualizações em saúde da mulher. 

O evento é promovido pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Autoria

Foto de Sérgio Okano

Sérgio Okano

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