Uma análise genética do estudo ASPREE, publicada em 2026 na revista Alzheimer’s & Dementia, investigou a relação entre aspirina e demência em idosos. Os pesquisadores avaliaram 13.541 participantes e identificaram uma possível interação entre escores poligênicos associados à predisposição genética para maior contagem de plaquetas, risco de demência e sangramento.
O estudo utilizou dados de um ensaio randomizado realizado na Austrália e nos Estados Unidos, comparando aspirina 100 mg/dia com placebo. O acompanhamento mediano foi de 4,6 anos, período em que 345 participantes desenvolveram demência.

Quintil 5 associa menor demência e maior risco de sangramento
Entre os participantes classificados no quintil superior do escore poligênico relacionado à contagem plaquetária (PGS003548), a aspirina apresentou associação com menor incidência de demência. Na análise ajustada, o risco foi inferior ao observado com placebo (HR 0,29; IC 95% 0,16–0,55; p = 0,00012). Entretanto, o mesmo grupo apresentou aumento do risco de sangramento grave (HR 2,08; IC 95% 1,33–3,26; p = 0,0013).
Esse quintil reuniu 2.708 participantes, dos quais 1.310 receberam aspirina e 1.398, placebo. Durante o acompanhamento, foram registrados 13 casos de demência (1,0%) no grupo aspirina, contra 46 (3,3%) no grupo placebo. Em contrapartida, ocorreram 58 eventos de sangramento grave (4,4%) entre os participantes tratados com aspirina, comparados a 29 (2,1%) no grupo placebo.
Segundo os pesquisadores, a redução absoluta do risco de demência foi de aproximadamente 2,3 pontos percentuais, com número necessário para tratar (NNT) estimado em 44. O aumento absoluto do risco de sangramento grave também foi de aproximadamente 2,3 pontos percentuais, resultando em número necessário para causar dano (NNH) semelhante, de 44. Em termos de incidência, os autores estimaram cerca de cinco casos de demência a menos e cinco eventos hemorrágicos adicionais por 1.000 pessoas-ano.
Nos quatro quintis genéticos inferiores, não houve redução estatisticamente significativa da incidência de demência associada à aspirina. Os resultados indicam possível heterogeneidade da resposta ao tratamento conforme o perfil genético plaquetário. Contudo, os autores ressaltam o caráter exploratório da análise e a necessidade de validação independente antes de qualquer aplicação clínica.
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Como os escores poligênicos identificaram a interação?
A investigação examinou 1.848 escores poligênicos após procedimentos de controle de qualidade. Três escores relacionados à contagem plaquetária apresentaram interação significativa com o tratamento após correção para múltiplas comparações.
Em contraste, o genótipo APOE não demonstrou interação significativa com a aspirina. Os pesquisadores também não identificaram interações significativas entre o tratamento e escores associados às doenças neurodegenerativas após correção estatística.
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Prática clínica exige ponderar benefício e risco
Os autores destacam que os resultados são exploratórios e ainda exigem validação independente. A análise post hoc, o número limitado de eventos e a predominância de participantes com ancestralidade europeia restringem sua aplicação clínica.
A relação entre aspirina e demência ainda não justifica a implementação assistencial da estratificação genética. Os autores propõem estudos que integrem escores genéticos, função plaquetária e marcadores neurovasculares.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Bruna Lupp
Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.
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