O acesso direto da residência médica é uma verdadeira jornada a ser percorrida. Algumas especialidades são mais puxadas que as outras, a carga horária e o tipo de serviço a ser realizado podem variar bastante, o ambiente de trabalho também muda dependendo da sua escolha, mas o que marca realmente esse 2-3 anos após o ingresso no R1, e para qualquer área escolhida é a CONSTÂNCIA!!
Estar todos os dias, muitas noites e incontáveis finais de semana no ambiente hospitalar traz, por repetição e aprendizado, excelência e diferenciação para o médico recém-formado.
No caso da cirurgia geral por exemplo o ritmo não é tranquilo, me lembro certa vez de ter definido esse período como os 2 melhores e piores anos da minha vida! Hoje percebo com mais tranquilidade tudo que passamos, principalmente pela experiência adquirida e pelos bons momentos que se passaram.
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Algumas pessoas optam por estudar e entrar na residência diretamente após a graduação, outras muitas vezes precisam trabalhar e se organizar para garantir os anos à frente como bolsistas. Listo abaixo alguns prós e contras de cada escolha:
Entrar direto na residência
Vantagens:
- Muito menos arriscado sendo que a faculdade não te prepara pra começar a dar a plantão, a chance de errar sozinho, e sem recursos é imensa, e na residência você está sempre assistido por alguém mais experiente!
- Aprender de forma correta e guiada por embasamento científico com profissionais capacitados e treinados para ensinar o recém-formado.
- Menos tempo como plantonista na “linha de frente” das urgências e emergências.
Desvantagens:
- Não deu tempo de fazer um caixa, e dependendo da sua carga horária não vai dar tempo de fazer plantão fora. O valor da bolsa é fixo para o território nacional, não é em todas as cidades que dá pra se virar com o que ganha o residente.
- Limitação financeira e temporal para vida pessoal e para buscar outras experiências como por exemplo cursos e congressos.
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Trabalhar antes da residência
Vantagens:
- Levantar uma poupança para arcar com os custos, pelo menos nos primeiros anos da vida de residente.
- Jogo de cintura pra lidar com o mundo hospitalar, pacientes, equipe, enfermagem e colegas de trabalho.
- Oportunidade de fazer bons cursos em locais distantes (na época presencial) que geralmente são realizados em grandes centros, com alto custo e oferecem algum tipo de prática (hands-on).
Desvantagens:
- A mesma questão do plantão sem experiência, com chance de cometer alguns erros sem ter a quem recorrer, assumindo total responsabilidade pelos desfechos.
- Vícios e condutas não embasadas cientificamente que aprendemos de quem também não passou pelo processo de refinamento que acontece na residência, a famosa “orelhada”.
- Atrasar a cada ano a conclusão final que é se tornar um especialista, e atuar na sua área específica de conhecimento.
Eu particularmente acabei entrando mais tarde na residência, cursando uma pós-graduação durante o primeiro ano de recém-formada, trabalhando e viajando bastante, mas acho os dois caminhos válidos a depender muito da condição de cada um.
De qualquer forma, independente da hora, haverá muito trabalho e correria e crescimento durante a residência, especialmente nos primeiros meses de R1.
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