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Endocrinologia12 março 2025

Tirzepatida pode evitar a progressão da doença renal do diabetes?

A doença renal do diabetes (DRD) é uma das principais complicações do diabetes mellitus tipo 2 (DM2), representando uma das principais causas de insuficiência renal crônica, além de contribuir para o aumento o risco cardiovascular dos pacientes. Estratégias terapêuticas para reduzir a progressão da DRD são essenciais para melhorar desfechos clínicos desses indivíduos. Neste contexto, …

Por Ícaro Sampaio

A doença renal do diabetes (DRD) é uma das principais complicações do diabetes mellitus tipo 2 (DM2), representando uma das principais causas de insuficiência renal crônica, além de contribuir para o aumento o risco cardiovascular dos pacientes. Estratégias terapêuticas para reduzir a progressão da DRD são essenciais para melhorar desfechos clínicos desses indivíduos. Neste contexto, a tirzepatida, um agonista dual dos receptores de GIP e GLP-1, tem demonstrado benefícios no controle glicêmico, na perda de peso e, potencialmente, na proteção renal.

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Recentemente foi publicada na Diabetes Care uma análise post hoc de dados combinados dos ensaios clínicos SURPASS-1 a 5, que avaliaram o impacto da tirzepatida (5, 10 e 15 mg) comparada ao placebo e a outras terapias ativas, como insulina glargina, insulina degludeca e semaglutida. Os pesquisadores analisaram a mudança percentual do basal até a semana 40/42 na razão albumina-creatinina urinária (RAC).

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Os resultados mostraram que a tirzepatida foi associada a uma redução significativa na albuminúria em comparação com os grupos controle. Especificamente:
• Tirzepatida 5 mg: redução de 19,3%.
• Tirzepatida 10 mg: redução de 22,0%.
• Tirzepatida 15 mg: redução de 26,3%.

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Os efeitos foram mais pronunciados em subgrupos de pacientes com albuminúria ≥30 mg/g, sugerindo um potencial efeito nefroprotetor. Os efeitos observados podem ser explicados por diferentes mecanismos: melhora no controle glicêmico, perda de peso, possível efeito direto nos rins e redução da pressão arterial. Vale ressaltar a natureza post hoc da análise, de modo que os resultados devem ser interpretados com cautela.

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Os achados sugerem que a tirzepatida pode ter um efeito protetor nos rins, reduzindo a albuminúria em pacientes com DM2. No entanto, estudos prospectivos de longa duração são necessários para confirmar seu impacto na progressão da doença renal crônica.

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Referência:

Ellen M. Apperloo, Katherine R. Tuttle, Imre Pavo, Axel Haupt, Rebecca Taylor, Russell J. Wiese, Andrea Hemmingway, David Z.I. Cherney, Naveed Sattar, Hiddo J.L. Heerspink; Tirzepatide Associated With Reduced Albuminuria in Participants With Type 2 Diabetes: Pooled Post Hoc Analysis From the Randomized Active- and Placebo-Controlled SURPASS-1–5 Clinical Trials. Diabetes Care 20 February 2025; 48 (3): 430–436.

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Autoria

Foto de Ícaro Sampaio

Ícaro Sampaio

  • Graduação em medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco
  • Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro - BA
  • Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE
  • Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
  • Médico Assistente e Preceptor no Serviço de Endocrinologia do Hospital das Clínicas da UFPE

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