Pesquisadores brasileiros estimaram em 36,28% a prevalência da retinopatia diabética entre pessoas com diabetes no país. A metanálise brasileira, publicada em 2023, na Diabetology & Metabolic Syndrome, reuniu pesquisas nacionais para dimensionar a frequência da complicação.
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia também aborda a doença em publicação de 2023 sobre saúde ocular. O documento destaca a prevenção da perda visual por meio da identificação precoce e do atendimento especializado.

Prevalência da retinopatia diabética chega a 36,28% no Brasil
Uma revisão sistemática com metanálise, publicada em 2023, estimou em 36,28% a prevalência de retinopatia diabética entre adultos brasileiros com diabetes, com intervalo de confiança de 95% entre 32,66% e 39,97%. O levantamento reuniu 72 estudos nacionais e 29.527 participantes, identificando diferenças importantes conforme a duração do diabetes e a região analisada.
A frequência da complicação foi de 20,73% entre pacientes com menos de dez anos de diabetes, alcançando 37,73% naqueles com mais de dez anos de duração da doença. A análise regional também revelou diferenças, com prevalência de 42,68% no Sul, 35,96% no Sudeste e 25,38% no Centro-Oeste. Os pesquisadores, entretanto, identificaram elevada heterogeneidade entre os estudos, com I² de 98%, o que limita a generalização dos resultados.
Os dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) também evidenciam a relação entre o tempo de diabetes e o comprometimento ocular. Segundo a publicação de 2023, mais de 75% dos pacientes apresentam algum grau de retinopatia após 20 anos de doença. O documento também estima que, após 15 anos de diabetes, cerca de 10% desenvolvem perda visual grave e aproximadamente 2% evoluem para cegueira.
No cenário brasileiro, o CBO estima que a cegueira entre pessoas com diabetes possa atingir 4,8%. A entidade ressalta a importância da avaliação oftalmológica periódica, uma vez que o encaminhamento somente após a redução da visão pode resultar em comprometimento irreversível.
Saiba mais: ADA 2025: IA no rastreamento da retinopatia diabética
Manejo da retinopatia diabética depende da gravidade
A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) recomenda que o rastreamento da retinopatia diabética considere o tipo de diabetes, o tempo de diagnóstico e a gravidade das alterações retinianas. Em adultos com diabetes tipo 1, a avaliação deve começar após cinco anos de doença. Para pacientes com diabetes tipo 2, a investigação está indicada desde o diagnóstico, devido à possibilidade de alterações oculares preexistentes e ao atraso frequentemente observado no diagnóstico desse tipo de diabetes.
Na ausência de retinopatia ou diante de alterações leves, a diretriz recomenda acompanhamento anual. Quadros moderados ou graves exigem avaliações mais frequentes, considerando o maior risco de progressão. O exame inicial deve incluir dilatação pupilar, retinografia ou mapeamento de retina, além de biomicroscopia de fundo.
A classificação da doença orienta a definição terapêutica
Pacientes com retinopatia diabética não proliferativa grave, forma proliferativa ou edema macular devem ser encaminhados a oftalmologistas especializados. Na retinopatia proliferativa e na forma não proliferativa grave, a SBD recomenda panfotocoagulação a laser para diminuir o risco de perda visual.
Segundo as recomendações da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), disponíveis na edição 2026 de sua diretriz oficial, a panfotocoagulação reduziu de 15,9% para 6,4% a ocorrência de perda visual grave durante seis anos de acompanhamento. O benefício foi mais pronunciado entre pacientes com doença avançada, incluindo aqueles com neovascularização do disco óptico ou hemorragia vítrea.
Nos casos de edema macular diabético com comprometimento do centro da mácula e redução da acuidade visual, a diretriz recomenda tratamento farmacológico. Os agentes anti-VEGF intravítreos apresentam benefício visual em comparação à fotocoagulação a laser, embora frequentemente sejam necessárias aplicações repetidas. Quando a acuidade visual permanece preservada, a observação associada ao controle clínico pode constituir a abordagem inicial.
A vitrectomia também integra as possibilidades terapêuticas em situações específicas, como hemorragia vítrea persistente e descolamento de retina com comprometimento de estruturas relevantes. A SBD também contempla o uso pré-operatório de anti-VEGF em pacientes selecionados com retinopatia proliferativa, visando reduzir complicações cirúrgicas.
Além das intervenções oftalmológicas, a diretriz recomenda otimizar o controle glicêmico, pressórico e lipídico para reduzir a progressão da doença. Entretanto, em pacientes com hiperglicemia crônica, a redução muito rápida da glicose pode provocar agravamento inicial da retinopatia. Nesses casos, a SBD orienta considerar avaliação retiniana antes da intensificação terapêutica e acompanhamento mais frequente diante de alterações preexistentes.
Outro ponto de atenção envolve gestantes com diabetes preexistente. A recomendação é realizar avaliação da retina a cada trimestre e durante o primeiro ano após o parto, devido ao risco de desenvolvimento ou progressão das lesões.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Bruna Lupp
Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.