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Endocrinologia7 abril 2026

Nova diretriz da ABESO: abordagem da sarcopenia durante o tratamento da obesidade

Diretriz da ABESO orienta avaliação e manejo da sarcopenia na obesidade, destacando treino de força e proteína para preservar massa muscular durante o tratamento.
Por Ícaro Sampaio

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) publicou recentemente a Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, discutindo indicações da terapia farmacológica, medicamentos de escolha para cada perfil de paciente, terapia de manutenção e também a prevenção e manejo da sarcopenia durante o tratamento. E são justamente as orientações sobre a sarcopenia que iremos discutir agora.  

Entende-se a sarcopenia como uma condição caracterizada pela perda progressiva da função muscular associada à redução da massa muscular esquelética. Em idosos, esse processo é um marcador independente de fragilidade, risco de quedas, comorbidades e mortalidade. O termo obesidade sarcopênica refere-se à coexistência da obesidade e da sarcopenia, em um contexto de excesso de tecido adiposo e redução progressiva da quantidade ou qualidade da massa muscular.  

  1. Quando e como avaliar os pacientes quanto à presença de sarcopenia? 

A diretriz recomenda que todos os pacientes com obesidade e mais de 60 anos de idade ou em risco de sarcopenia, com indicação de tratamento farmacológico para obesidade, sejam avaliados quanto à presença de sarcopenia. Isso permite a implementação de estratégias para a preservação da massa muscular e de sua funcionalidade, de forma integrada ao tratamento farmacológico. A presença de sintomas clínicos ou de fatores de risco para sarcopenia, como idade avançada, quedas recorrentes, fraqueza, fadiga ou limitações progressivas nos movimentos, além das condições agudas e crônicas previamente descritas, indica a necessidade de avaliação da força, da massa muscular e da funcionalidade.  

Em idosos, o rastreamento pode ser realizado por meio do questionário SARC-F. Naqueles indivíduos em que o risco de sarcopenia é identificado, adotar o fluxo descrito a seguir: 

  • Primeiro: Avaliar a força muscular por meio da força de preensão palmar ajustada para o IMC com o uso de dinamômetro; do teste de sentar e levantar da cadeira; ou, ainda, da extensão de joelhos para avaliação da força do quadríceps; 
  • Segundo: Confirmar o diagnóstico por meio da avaliação da composição corporal, utilizando DEXA ou BIA; 
  • Terceiro: Identificar possíveis complicações associadas ao quadro que aumentam a gravidade clínica e o risco de desfechos desfavoráveis, como doenças metabólicas, alterações da funcionalidade e doenças cardiovasculares e respiratórias 

Leia mais: Novos critérios diagnósticos e definições de obesidade

        2. Como prevenir e tratar a sarcopenia?  

A diretriz recomenda, em caso de obesidade sarcopênica, independentemente da faixa etária, ou em idosos com obesidade, considerar o tratamento farmacológico para obesidade em conjunto com treinamento de força e aporte nutricional proteico adequado, a fim de promover perda de peso com manutenção ou melhora da capacidade funcional, minimizando a perda de massa muscular. 

O uso de medicamentos para o manejo da obesidade que promovem maior magnitude de perda de peso, como os fármacos de nova geração, pode resultar em reduções absolutas relevantes na massa magra.  A relevância clínica dessas alterações ainda permanece incerta, uma vez que não está claramente estabelecido em que medida a redução observada da massa magra se traduz em piora de parâmetros de força e funcionalidade.  

Estudos incluindo pessoas com idade entre 50 e 70 anos, observaram que a realização de treinamento resistido de duas a três vezes por semana, com duração de 20 a 60 minutos, reduziu a porcentagem de gordura corporal e aumentou a porcentagem de massa magra, a força muscular e a velocidade da marcha, em comparação com a não realização de exercício físico. Além do reforço muscular, o consumo adequado de proteínas é parte importante das estratégias de mitigação da perda de massa muscular esquelética e da força muscular durante a perda de peso. Em indivíduos acima de 65 anos, a ingestão recomendada de proteínas é de 1,0–1,2 g/kg de peso corporal por dia, podendo atingir 1,5 g/kg na ausência de contraindicações. 

Autoria

Foto de Ícaro Sampaio

Ícaro Sampaio

Redator em Endopapers. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UFCG).  Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro - BA. Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE. Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Médico Assistente e Preceptor no Serviço de Endocrinologia do Hospital das Clínicas da UFPE.

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