Logotipo Afya

Produzido por

Anúncio
Endocrinologia3 abril 2025

Efeito da Vitamina D na Regressão do Pré-Diabetes para Normoglicemia: Novos dados!

O pré-diabetes é uma condição altamente prevalente, afetando cerca de 38% da população adulta nos Estados Unidos e centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. Tradicionalmente, os esforços de saúde pública e pesquisa clínica têm se concentrado na prevenção da progressão da pré-diabetes para o diabetes tipo 2. Contudo, há um reconhecimento crescente …

Por Ícaro Sampaio

O pré-diabetes é uma condição altamente prevalente, afetando cerca de 38% da população adulta nos Estados Unidos e centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. Tradicionalmente, os esforços de saúde pública e pesquisa clínica têm se concentrado na prevenção da progressão da pré-diabetes para o diabetes tipo 2. Contudo, há um reconhecimento crescente sobre os benefícios clínicos da regressão do pré-diabetes para a normoglicemia (normal glucose regulation – NGR). A restauração do metabolismo glicêmico normal está associada a menor risco de diabetes e menor prevalência de complicações microvasculares, sugerindo que intervenções capazes de promover essa reversão metabólica podem ter impacto clínico significativo.

‍
Nesse contexto, a vitamina D tem despontado como uma potencial aliada. Reconhecida principalmente por seu papel na saúde óssea, a vitamina D tem sido associada à melhora da sensibilidade à insulina e à modulação da resposta inflamatória. Análises anteriores já haviam demonstrado sua capacidade de reduzir o risco de progressão para diabetes. Uma recente metanálise publicada no Journal of the Endocrine Society amplia esse conhecimento ao investigar especificamente se a suplementação de vitamina D pode aumentar a chance de regressão do pré-diabetes para normoglicemia.

‍
O estudo revisou sistematicamente dados de ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo que avaliaram o uso oral de vitamina D em adultos com pré-diabetes, com pelo menos seis meses de duração e que relataram o desfecho de regressão à normoglicemia. Foram incluídos dez ensaios envolvendo um total de 4.478 participantes, com idade média variando de 20 a 74 anos, índice de massa corporal entre 24 e 38 kg/m² e níveis séricos médios de 25-hidroxivitamina D entre 12 e 28 ng/mL.

‍
A análise conjunta mostrou que 18,5% dos participantes que receberam vitamina D alcançaram normoglicemia ao final do acompanhamento, em comparação com 14,0% do grupo placebo. O risco relativo de regressão à normoglicemia com vitamina D foi de 1,27 (IC 95%: 1,12–1,45), sem heterogeneidade significativa entre os estudos. Ou seja, a vitamina
D aumentou a probabilidade de regressão para normoglicemia em adultos com pré-diabetes em 27% em comparação com aqueles no grupo de controle. Em todos os estudos incluídos, os níveis basais médios de 25(OH)D foram inferiores a 30 ng/mL, o que reforça o raciocínio clínico de priorizar essa intervenção em indivíduos com pré-diabetes e hipovitaminose D documentada. O grande problema é que as doses utilizadas nos estudos variaram amplamente. Muitos dos estudos utilizaram estratégias de “tratamento até a meta”, ajustando as doses para alcançar níveis séricos ideais de vitamina D.

‍

O perfil de segurança da suplementação de vitamina D foi satisfatório. A taxa de hipercalcemia foi discretamente mais alta no grupo vitamina D (0,7%) comparado ao grupo controle (0,3%), mas sem significância estatística. Nenhum dos ensaios relatou elevação clinicamente relevante dos níveis séricos de cálcio. Em geral, a intervenção foi bem tolerada.

‍
Apesar dos resultados promissores, esta metanálise apresenta limitações importantes que impedem que suas conclusões sejam tomadas como verdades definitivas. Primeiro, muitos dos ensaios incluídos não foram originalmente desenhados para avaliar a regressão à normoglicemia como desfecho primário, mas sim a prevenção do diabetes, o que pode influenciar a robustez da coleta e análise desse dado específico. Além disso, houve grande heterogeneidade na definição de normoglicemia entre os estudos, o que dificulta a padronização do desfecho e pode introduzir viés de classificação. Finalmente, a ampla variação nas doses e formulações de vitamina D utilizadas limita a possibilidade de estabelecer uma recomendação clínica precisa. Esses fatores reforçam a necessidade de mais estudos prospectivos, bem desenhados e com desfecho primário centrado na regressão à normoglicemia para confirmar os achados desta análise.

‍

Referência:

Philip M Kretschmer, Ethan M Balk, Anastassios G Pittas,  Effect of Vitamin D on Regression to Normal Glucose Regulation in Adults With Prediabetes, Journal of the Endocrine Society, Volume 9, Issue 5, May 2025

‍

Autoria

Foto de Ícaro Sampaio

Ícaro Sampaio

  • Graduação em medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco
  • Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro - BA
  • Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE
  • Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
  • Médico endocrinologista no Hospital Esperança Recife e Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa

anuncio endocrinopapers

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Endocrinologia