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Oncologia28 janeiro 2025

Custo-efetividade da nutrição parenteral suplementar em oncologia

Estudo realizou análise exploratória para reunir evidências sobre a relação de custo-efetividade do potencial da nutrição parenteral suplementar
Por Gabriela Costa

A desnutrição é uma comorbidade comumente relacionada ao câncer, podendo chegar a até 85% de prevalência dependendo do tipo de câncer. A desnutrição está associada a piores desfechos clínicos, aumento dos custos em saúde e pior qualidade de vida para os pacientes. 

As diretrizes clínicas de terapia nutricional recomendam o uso de nutrição parenteral suplementar (NPS) quando apenas a nutrição oral ou enteral não for suficiente para atingir as metas calórico-proteicas dos pacientes com câncer.  

No entanto, não é dada a devida importância a esse tipo de terapia nutricional, o que resulta em subutilização da NPS, particularmente principalmente em pacientes que recebem nutrição enteral (NE) mas que continuam subnutridos. 

Metodologia 

Esse é um estudo de revisão de literatura onde foi realizada uma análise exploratória para reunir evidências sobre a relação de custo-efetividade do potencial da NPS versus apenas NE sozinho em um cenário de câncer. 

Veja mais: Quando indicar a nutrição parenteral em pacientes graves?

Resultados encontrados e discussão 

A revisão da literatura destacou os benefícios da NPS no estado nutricional  e funcional entre pacientes com ncer em risco de desnutrição. A NPS foi relacionada à melhoria das alterações no IMC, MLG, AF e PAB, e na prevenção de complicações. Sendo que o IMC e o AF foram preditores de sobrevivência em alguns estudos. 

Um AF diminuído ou um IMC muito baixo ou muito alto foram associados a menor sobrevida e menor qualidade de vida. O pequeno número e a natureza heterogênea dos estudos que avaliaram o PAB dificultaram a síntese dos resultados; nenhuma tendência clara foi determinada. 

A análise exploratória de custo-utilidade fornece uma estimativa da potencial relação de custo-efetividade de usar NPS (especificamente NP+NE) em pacientes comncer. Os resultados demonstraram que a NPS tem o potencial de prolongar a sobrevida. Indivíduos com tumores inoperáveis ou em estágio IV têm um prognóstico extremamente ruim, portanto o potencial para melhora é limitado. É portanto possível que os resultados clínicos e de custo-benefício seriam melhores em pacientes com doença menos grave e com maior expectativa de sobrevida. 

Conclusão 

Este estudo demonstra que a NPS está ligada a melhorias no IMC e no AF, e que níveis saudáveis de IMC e AF estão ligados a maior em sobrevivência e qualidade de vida. Devendo haver, portanto, uma correlação entre NPS e esses resultados em pacientes com câncer em risco de desnutrição. 

Estudos futuros devem ter como objetivo fundamentar essas associações e focar em pacientes com diferentes tipos e estágios do câncer. Isso ajudará a identificar a população que pode se beneficiar da NPS e determinar como a relação de custo-eficácia pode diferir em pacientes com câncer com prognóstico menos grave recebendo intervenções mais precoces com NPS. 

IMC= Índice de Massa Corporal  

MLG= Massa Livre de Gordura 

AF= Ângulo de Fase 

PAB= Pré-Albumina 

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Referências bibliográficas

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