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Endocrinologia25 setembro 2026

Cirurgia metabólica amplia controle do diabetes tipo 2

Procedimento pode reduzir uso de medicamentos e favorecer o controle glicêmico; critérios atuais ampliam a indicação para alguns pacientes.
Por Gabriela Costa

A cirurgia metabólica ganhou espaço no controle do diabetes tipo 2 após a ampliação dos critérios para o procedimento no Brasil. Em 2025, o Conselho Federal de Medicina (CFM) fez atualizações para cirurgia bariátrica e metabólica. Enquanto pacientes sem comorbidades podem ter indicação cirúrgica a partir de IMC de 40 kg/m², aqueles com IMC entre 30 e 35 kg/m² e diabetes tipo 2 também passaram a estar entre os grupos que podem ter indicação para o procedimento. 

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) diferencia as abordagens pelo objetivo do tratamento. A bariátrica prioriza a obesidade, enquanto a metabólica busca controlar doenças associadas, especialmente o diabetes tipo 2. As técnicas cirúrgicas utilizadas são as mesmas para ambas as abordagens, sendo as mais comuns o bypass gástrico e gastrectomia vertical, ou sleeve.

Este infográfico foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão de médicos.

médicos fazendo cirurgia

Cirurgia metabólica pode reduzir uso de medicamentos

Parte do efeito da cirurgia metabólica sobre o diabetes ocorre por alterações hormonais que vão além da perda de peso. Após o procedimento, a chegada mais rápida dos alimentos a porções mais distais do intestino pode aumentar a liberação de GLP-1, hormônio que participa do controle da glicemia e da saciedade. Esse mecanismo ajuda a explicar por que a melhora do diabetes pode ocorrer poucos dias após a cirurgia, antes mesmo de uma perda significativa de peso. O GLP-1 também está no centro da ação de medicamentos utilizados no tratamento do diabetes e da obesidade, como a semaglutida, que atua como agonista de seu receptor.

Evidências de longo prazo ajudam a dimensionar esse efeito. O estudo randomizado STAMPEDE, publicado no New England Journal of Medicine (NEJM), acompanhou 150 pacientes com diabetes tipo 2 e IMC entre 27 e 43. Os participantes receberam tratamento médico intensivo isolado ou associado ao bypass gástrico ou ao sleeve.

Após cinco anos, 29% dos pacientes submetidos ao bypass e 23% dos que fizeram sleeve atingiram hemoglobina glicada de até 6%, uma meta glicêmica rigorosa que indica controle substancial da doença. No grupo de tratamento clínico, o percentual foi de 5%. Os grupos cirúrgicos também apresentaram maior redução da hemoglobina glicada e menor uso de medicamentos para diabetes.

Os resultados do STAMPEDE mostram que a melhora glicêmica pode se manter no longo prazo. Em cinco anos, a hemoglobina glicada caiu 2,1 pontos percentuais nos grupos cirúrgicos, ante 0,3 no tratamento clínico.

O estudo também registrou menor uso de insulina. A redução foi de 35% após bypass e 34% após sleeve, comparada a 13% com tratamento médico, indicando menor necessidade de terapia farmacológica.

Saiba mais: Remissão do diabetes tipo 2 após bypass gástrico em diferentes faixas etárias

Remissão do diabetes não dispensa acompanhamento

A resposta não é igual para todos. No STAMPEDE, diabetes com duração inferior a oito anos e bypass estiveram associados à maior chance de hemoglobina glicada de até 6%. Parte dos pacientes perdeu controle glicêmico durante o acompanhamento.

Por isso, cirurgia e tratamento clínico não são estratégias excludentes. A SBCBM apresenta o procedimento como parte do tratamento do diabetes tipo 2, e as normas do CFM mantêm a abordagem multidisciplinar. A indicação deve ser individualizada e o acompanhamento permanece necessário após a cirurgia metabólica.

Saiba mais: Semaglutida e tirzepatida versus gastrectomia vertical no diabetes tipo 2

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Gabriela Costa

Gabriela Costa

Jornalista pela Universidade Federal Fluminense.

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