O processo de envelhecimento inclui diversas alterações no corpo humano; entre elas, a massa muscular esquelética começa a diminuir gradualmente a partir dos 30 anos e esse declínio se acelera após os 65 anos, juntamente com uma redução na força muscular. A sarcopenia refere-se à perda de massa e função muscular relacionada à idade, e a obesidade sarcopênica é um tipo de obesidade caracterizada pelo declínio da massa muscular, da força muscular e do desempenho físico, cuja prevalência em idosos chega a 11%. Ambas são síndromes geriátricas cujos biomarcadores e mecanismos são pouco claros.
Diante da falta de marcadores específicos para rastreamento precoce, de resultados discordantes e da escassez de metanálises, pesquisadores chineses publicaram em setembro de 2026, na revista Medicine, um estudo de metanálise onde foram incluídos artigos que descrevem associações entre biomarcadores séricos e sarcopenia/obesidade sarcopênica, incluindo fatores inflamatórios, marcadores relacionados a hormônios, marcadores de resposta ao estresse oxidativo e mediadores circulantes.
Metanálise investiga biomarcadores séricos associados à sarcopenia
Em comparação com pacientes não sarcopênicos, os pacientes sarcopênicos apresentaram níveis séricos elevados de proteína C-reativa (PCR), interleucinas, fator de necrose tumoral, cistatina C, nitrogênio ureico sanguíneo e colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL-C).
Por outro lado, níveis séricos mais elevados de vitamina D, alanina transaminase, albumina, hemoglobina, triglicerídeos (TG), ácido úrico, glicemia e insulina de jejum estiveram associados a uma menor incidência de sarcopenia.
Não foram observadas diferenças significativas entre pacientes sarcopênicos e não sarcopênicos quanto à contagem de glóbulos brancos, contagem de plaquetas, aspartato transaminase, fosfatase alcalina, bilirrubina, colesterol total (CT), creatinina, velocidade de hemossedimentação, colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL-C) ou níveis de hormônio estimulante da tireoide (TSH).
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Obesidade sarcopênica apresenta perfil metabólico distinto
Em comparação com indivíduos saudáveis, pacientes com obesidade sarcopênica apresentaram níveis séricos mais elevados de proteína C-reativa (PCR), colesterol LDL (LDL-C), colesterol total (CT), triglicerídeos (TG), leucócitos, creatinina, ácido úrico, glicemia de jejum e insulina de jejum.
Por outro lado, níveis mais altos de colesterol HDL (HDL-C) e vitamina D estiveram associados a um menor risco de obesidade sarcopênica, que apresentaram níveis de TG mais baixos do que pacientes com obesidade simples, não havendo diferenças significativas entre os dois grupos quanto aos níveis de PCR, HDL-C, LDL-C, CT, vitamina D, glicemia ou interleucina-6.
Biomarcadores de sarcopenia podem contribuir para a avaliação clínica
O desenvolvimento da obesidade sarcopênica está relacionado a inflamação crônica de baixo grau, resistência à insulina, estresse oxidativo e disfunção mitocondrial. Níveis inflamatórios elevados podem acelerar o catabolismo de proteínas no músculo esquelético, promover o acúmulo de gordura e, consequentemente, levar ao declínio da massa e da função muscular.
A sarcopenia e a obesidade sarcopênica não representam diferentes graus de gravidade de uma mesma doença, mas sim duas condições distintas, com perfis de biomarcadores séricos e mecanismos patológicos independentes. Este estudo elucida as correlações e os mecanismos subjacentes que envolvem diversos biomarcadores séricos e essas duas condições, avançando na compreensão da sua fisiopatologia molecular, fornecendo subsídios robustos para a diferenciação clínica, a avaliação da gravidade da doença e o desenvolvimento de estratégias de intervenção personalizadas.
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Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão de médicos.
Autoria

Letícia Japiassú
Conteudista médica na Afya. Graduação em medicina Unirio. Pós Graduação em Endocrinnologia PUC-RJ. Especialista em Clínica Médica, Nutrologia e Terapia Nutricional Parenteral e Enteral.
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