Nesta segunda-feira (09/02), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu alerta de farmacovigilância sobre os riscos do uso indevido de medicamentos agonistas do receptor GLP-1. De acordo com a agência, o risco já consta nas bulas aprovadas no Brasil, contudo as notificações de uso de canetas fora das indicações aprovadas e sem prescrição e acompanhamento de profissional médico habilitado têm aumentado no cenário internacional e nacional.
Em seu alerta, a Anvisa afirma que “O devido monitoramento médico é motivado justamente pelo risco de eventos adversos graves, como pancreatite aguda, que podem incluir formas necrotizantes e fatais. Apesar do alerta, não houve mudança na relação de risco e eficácia dessas substâncias. Ou seja, os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, de acordo com as indicações e modos de uso aprovados e constantes da bula.”
Pancreatite
A autoridade reguladora do Reino Unido (MHRA), em alerta recente, informou que, entre 2007 e outubro de 2025, foram registradas 1.296 notificações de pancreatite relacionadas aos usuários desses medicamentos, incluindo 19 óbitos.
Enquanto no Brasil, de 2020 até 7 de dezembro de 2025, ocorreram 145 notificações de suspeitas de eventos adversos e seis suspeitas de casos com desfecho de óbito.
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Controle de receita para agonistas do receptor GLP‑1
A Anvisa lembrou que, em 2025, por preocupações relacionadas aos efeitos adversos do uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas, já havia publicado resolução determinando a retenção de receita, com prescrição em duas vias e validade de 90 dias, mesmo procedimento realizado na venda de antibióticos
A agência governamental ainda destaca que “uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica, eleva significativamente o risco de efeitos adversos e dificulta o diagnóstico precoce de complicações graves.”
Orientação para os médicos sobre os efeitos adversos de canetas emagrecedoras
Seguindo indicação da Anvisa, os profissionais de saúde, ao suspeitarem de reação adversa, devem interromper o tratamento e, tendo a confirmação, notificar os eventos adversos no VigiMed, de forma a contribuir para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos no país.
*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista formado pela Universidade Estácio de Sá (UNESA) em 2009, com extensão em Produção Editorial (UNESP) e Planejamento Digital (M2BR Academy).
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