A Anvisa publicou em 23 de setembro de 2026 alerta sobre a venda de tirzepatida em pó nas redes sociais. As ofertas trazem tutoriais de reconstituição e autoaplicação domiciliar, sem controle de qualidade de injetáveis. O órgão aponta risco infeccioso porque a formulação não é produzida em ambiente estéril e cita um peptídeo sem registro sanitário.
A tirzepatida regularizada é dispensada em farmácias comuns e de manipulação, mediante prescrição. As de manipulação seguem nota técnica com critérios para importar e manipular IFAs (insumos farmacêuticos ativos) de agonistas do GLP-1. O pó é vendido ilegalmente online, alvo de ações policiais apoiadas pela Agência.
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Que lacunas de controle de qualidade de injetáveis a Anvisa aponta na tirzepatida irregular?
Sem avaliação da Anvisa, a tirzepatida em pó não tem identidade do princípio ativo, teor ou pureza confirmados. O paciente fica exposto a dose incerta e a contaminação microbiana e particulada.
A reconstituição domiciliar soma contaminação por ar, superfícies, recipientes, diluente e material de aplicação. Os desfechos vão da infecção no sítio de aplicação, com abscesso, à sepse com disfunção orgânica e óbito. Partículas do pó podem causar inflamação e lesão tecidual.
Giovanna Tiemy Marchelli Yui, médica de família e comunidade da Afya comenta que: “O problema não está apenas na tirzepatida em pó ou na reconstituição feita em casa. A mesma preocupação vale para qualquer produto que não tenha sido regularizado pela vigilância sanitária, inclusive canetas adquiridas no exterior e trazidas de forma irregular, como as comercializadas no Paraguai.”
A especialista acrescenta ainda: “É compreensível que, diante do custo e da dificuldade de acesso a esses medicamentos, muitas pessoas busquem alternativas. Porém, como médicos, temos a responsabilidade de orientar pensando também na segurança. Quando não sabemos exatamente a procedência, a composição, a concentração e as condições de armazenamento do que foi aplicado, fica muito mais difícil prever os efeitos daquele produto e até conduzir adequadamente um evento adverso caso ele aconteça.”
CBL-514 está em fase 2 e ainda não tem registro sanitário
A Anvisa também aponta nas redes o CBL-514, medicamento injetável divulgado para redução de gordura localizada. O efeito é apenas suposto, pois a molécula segue em ensaios clínicos de fase 2. Nessa etapa, o medicamento não tem registro nem autorização de venda.
Os estudos buscam evidências de segurança, eficácia e qualidade, hoje insuficientes para sustentar o uso clínico. Sem esses dados, não há garantia de que o benefício esperado supere os danos potenciais. Os resultados poderão subsidiar, no futuro, a solicitação de registro sanitário à Anvisa e a outras agências.
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Ministério da Saúde pede à Conitec análise da incorporação de GLP-1 no SUS
O Ministério da Saúde protocolou na Conitec, em 24 de setembro de 2026, pedido de avaliação de semaglutida ou liraglutida para obesidade. A prevalência da doença, de 11,8% em 2006, chegou a 25,7% em 2024, o que amplia a demanda por tratamento prolongado.
Uma eventual incorporação de GLP-1 no SUS deverá fixar critérios clínicos de acesso, voltados a pacientes nos quais o controle da obesidade reduza complicações ou procedimentos de maior complexidade. Além do alerta sobre a tirzepatida em pó, a Anvisa avalia em 2026 medidas de proteção para injetáveis de GLP-1 diante da manipulação irregular.
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Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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