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Dermatologia14 julho 2026

Síndrome mão-pé induzida por quimioterapia: o que dizem as diretrizes?

Revisão analisou diretrizes internacionais sobre prevenção, avaliação e tratamento da síndrome mão-pé (SMP) induzida por quimioterapia

A síndrome mão-pé (SMP), também conhecida como eritrodisestesia palmo-plantar é uma toxicidade cutânea frequente associada a quimioterápicos, especialmente capecitabina, 5-fluoracil, docetaxel e doxorrubicina lipossomal peguilada, podendo comprometer significativamente a qualidade de vida, podendo levar à redução ou interrupção do tratamento oncológico. O objetivo desta revisão foi comparar diretrizes internacionais sobre prevenção, avaliação e tratamento da SMP induzida por quimioterapia, identificando consensos, divergências e lacunas nas recomendações disponíveis.

Síndrome mão-pé induzida por quimioterapia: o que dizem as diretrizes?

Imagem de freepik

Como a revisão sobre síndrome mão-pé foi conduzida

Foi realizada uma revisão das diretrizes clínicas publicadas em inglês, identificadas por meio de busca no PubMed (até fevereiro de 2025) e pesquisa complementar no Google em organizações oncológicas internacionais. Foram incluídas apenas as versões mais recentes das diretrizes, com extração de informações referentes aos agentes associados à SMP, sistemas de graduação da gravidade, estratégias preventivas e recomendações de tratamento.

O que as diretrizes internacionais revelam sobre prevenção e tratamento

Foram identificadas seis diretrizes internacionais (BCC, ESMO, eviQ, ONS, UKONS AO e UKNCA). Houve ampla concordância quanto às medidas gerais de cuidado da pele, como evitar atrito, calor e agentes químicos, utilizar emolientes e hidratantes sem álcool e modificar a dose da quimioterapia nos casos de SMP grau 2 ou 3.

Entretanto, observaram-se diferenças nas recomendações terapêuticas. Apenas algumas diretrizes recomendaram celecoxibe para prevenção da SMP induzida por capecitabina, corticosteroides tópicos ou sistêmicos para cenários clínicos específicos e procedimentos de resfriamento das mãos e pés durante a administração de quimioterápicos específicos. A ESMO e a NOS apresentaram maior rigor metodológico na elaboração das recomendações.

Onde há consenso e divergência

A comparação entre as diretrizes demonstrou que o cuidado básico da pele representa o principal ponto de consenso, enquanto intervenções farmacológicas apresentam recomendações heterogêneas devido à escassez de evidências robustas. Os autores destacam que estudos recentes sugerem novas estratégias promissoras, como metilcobalamina e hidrocortisona tópica. O artigo também ressalta que muitas diretrizes permanecem desatualizadas e não incorporam essas evidências mais recentes.

Os autores também discutem limitações metodológicas das diretrizes existentes, incluindo ausência de descrição clara dos processos de desenvolvimento, pouca avaliação da qualidade das evidências, escassa participação de pacientes e baixa padronização das recomendações. Destacam ainda a necessidade de recomendações específicas para diferentes agentes quimioterápicos.

Caso clínico: Tratamento quimioterápico e lesões palmoplantares 

O que fica dessa comparação para o dia a dia

As diretrizes atuais para prevenção e tratamento da síndrome mão-pé apresentam variações importantes, principalmente quanto às recomendações farmacológicas e ao nível de evidência que as sustenta. Embora exista consenso sobre medidas gerais de cuidado cutâneo e ajuste da quimioterapia conforme a gravidade da toxicidade, os autores defendem a elaboração de diretrizes atualizadas, baseadas em revisão sistemática da literatura, com incorporação das evidências emergentes e com metodologia mais rigorosa. Isso contribui para maior padronização da prática clínica e otimiza o cuidado com os pacientes com síndrome mão-pé induzida por quimioterapia.

Autoria

Foto de Marselle Codeço Barreto

Marselle Codeço Barreto

Editora médica da Afya. Formada pela Faculdade de Medicina Souza Marques e Dermatologista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além da atuação na Afya, também é preceptora de Dermatologia e Dermatoscopia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ). Possui Título de Especialista em Dermatologia e é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) e International Dermoscopy Society (IDS).

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