A acne é uma das queixas dermatológicas mais comuns, e gera grande repercussão na autoestima dos pacientes, com aumento do risco de isolamento social, ansiedade e depressão. É uma doença multifatorial: fatores genéticos, metabólicos, hormonais e ambientais estão envolvidos. Dessa forma, além do tratamento farmacológico usual, vários estudos têm investigado o papel da nutrição na patogênese da doença.
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O efeito do consumo de laticínios na acne é um tema altamente controverso. Muitos estudos sugerem uma associação positiva entre a ingestão de leite e o risco de acne, devido à sua capacidade de promover aumento dos níveis de fator de crescimento semelhante à insulina-1 (IGF1), que estimula a síntese de andrógenos, proliferação celular, inflamação e produção de sebo.

Leite e acne
O poder acnegênico do leite parece estar mais associado ao seu conteúdo em componentes hormonais e moléculas bioativas (esteroides, a-lactalbumina, hormônios estimuladores de fatores de crescimento, IGF-1) do que ao seu conteúdo de gordura (ácidos graxos e colesterol). Alguns estudos mostram a ocorrência (e até mesmo associação mais forte) de acne em consumidores de leite desnatado em comparação ao leite integral. Mesmo com esses dados, ainda é muito controverso se o efeito agravante da acne tem relação com o tipo de leite (integral, semidesnatado ou desnatado).
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A quantidade de leite ingerido também parece estar relacionada com o agravamento da dermatose, especialmente se a frequência é superior a três vezes na semana. Mesmo com esses dados, mais estudos são necessários antes de adotar dietas restritivas a laticínios em pacientes com acne.
Autoria

Gabriela Aquino
Dermatologista, graduada em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais. Realizou intercâmbio acadêmico no Departamento de Dermatologia da Radboud University, Holanda. Residência médica de Dermatologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Aprovada no TED - Título de Especialista em Dermatologia e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
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