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Dermatologia29 abril 2026

Corticosteroides tópicos na dermatite actínica: guia prático MASCC 2026

MASCC 2026 recomenda terapia tópica para prevenir dermatite por radioterapia em pacientes de alto risco

A dermatite actínica (DA) afeta a maioria dos pacientes submetidos à radioterapia (RT), com potencial de comprometer a qualidade de vida, causar interrupções do tratamento e aumentar custos assistenciais.

A corticoterapia tópica demonstrou ser eficaz na prevenção dessas lesões, porém, apesar da eficácia reconhecida e do baixo custo, os corticosteroides tópicos (CT) ainda não foram incorporados de forma uniforme às diretrizes clínicas globais, lacuna que esta declaração de prática clínica do grupo de Oncodermatologia da Multinational Association for Supportive Care in Cancer (MASCC) busca preencher através da formulação deste guia prático.

Objetivo e metodologia

Este guia prático tem como objetivo oferecer orientação a profissionais de saúde sobre o uso de CT na prevenção e manejo da DA aguda. A base de evidências foi construída a partir de busca no MEDLINE (até novembro de 2025), incluindo apenas ensaios clínicos randomizados (ECRs) que avaliaram CT versus placebo ou agentes não corticosteroides em pacientes sob RT radical ou adjuvante — totalizando 19 ECRs. As recomendações foram elaboradas por um grupo multidisciplinar e multinacional da MASCC Oncodermatology Study Group, com apreciação crítica das evidências e consenso formal. O documento foi revisado pelo MASCC Guidelines Committee.

Corticosteroides tópicos na dermatite actínica: guia prático MASCC 2026

Imagem de freepik

Principais recomendações

Para quem indicar: Os CT são indicados para prevenção da DA em pacientes de alto risco: principalmente os com câncer de mama (grande volume mamário, IMC elevado, pós-mastectomia, irradiação nodal, boost de leito tumoral, uso de bolus) e câncer de cabeça e pescoço (RT radical ou adjuvante ≥ 50 Gy, com ou sem quimioterapia ou anti-EGFR). Em pacientes de maior risco, o uso pode ser iniciado já no primeiro dia de tratamento; caso contrário, deve começar aos primeiros sinais de dermatite leve.

Prevenção e preparo da pele: É recomendado o uso de sabonetes suaves, sem fragrância, secar a pele com cuidado sem esfregar, e manter a pele hidratada, com uso de emolientes. Deve-se evitar fricção, agentes queratolíticos e exposição solar.

Como usar: A profilaxia pode iniciar desde o primeiro dia da radioterapia com aplicação do CT duas vezes ao dia. Nos casos de grau 1 da escala CTCAE v6.0 ou RTOG (eritema leve/descamação seca), sem maceração, é recomendado o tratamento e o corticosteroide de escolha é o furoato de mometasona 0,1% creme (potência intermediária) principalmente em face/pescoço, ou valerato de betametasona 0,1%, aplicado duas vezes ao dia mantido por 1 a 2 semanas após o término da RT ou até a resolução dos sintomas.

Recomenda-se aplicação em pele limpa e levemente úmida, ao menos 4 horas antes ou após a RT, na dose de 1 unidade de ponta de dedo por área equivalente a duas palmas da mão. Deve-se fazer uma cobertura uniforme da área e evitar excesso, aplicação em feridas abertas ou na pele ulcerada ou infectada. Deve-se suspender se houver descamação úmida, ulceração ou infecção.

O uso associado de cremes de barreira ou outros tópicos não é recomendado por falta de evidência e maior risco de interferência no tratamento.

Como monitorar: É recomendada avaliação semanal dos pacientes e orientar sobre efeitos adversos, como atrofia e irritação local.

Limitações e lacunas metodológicas

Os 19 ECRs incluídos restringiram-se a pacientes com câncer de mama (n=15) e de cabeça e pescoço (n=4), com heterogeneidade substancial em técnicas de RT, tipos e esquemas de aplicação dos CT e critérios de desfecho. Tumores pélvicos, sarcomas de partes moles e cânceres de pele — populações de alto risco para DA — estão sub-representados. Nenhum ECR reportou desfechos de segurança em longo prazo. A ausência de dados sobre uso concomitante de CT com películas de barreira ou outros tópicos impede recomendações combinadas. A generalização para contextos de RT moderna (técnicas de alta conformação) é limitada.

Mensagem prática para o clínico

Em pacientes com câncer de mama ou de cabeça e pescoço com fatores de risco bem definidos, inicie furoato de mometasona 0,1% creme no primeiro dia de RT, duas vezes ao dia. Monitore a pele semanalmente. Suspenda imediatamente o CT se houver maceração, ulceração ou infecção — e acione intervenções específicas (curativos, antibióticos tópicos). Oriente o paciente a higienizar a pele de forma suave, evitar fricções e manter hidratação. Para tumores sem dados de ECR, a decisão deve ser individualizada e discutida com o paciente. O documento oferece ainda um guia para o paciente, útil em consultas ambulatoriais para garantir adesão.

* Este artigo foi elaborado com auxílio de IA e revisado pela equipe médica do Portal Afya.

Autoria

Foto de Marselle Codeço Barreto

Marselle Codeço Barreto

Médica pela Faculdade de Medicina Souza Marques e Dermatologista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Preceptora de Dermatologia e Dermatoscopia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ). Possui Título de Especialista em Dermatologia e é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) e International Dermoscopy Society (IDS).

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