Os diagnósticos de melanoma devem apresentar novo crescimento em 2026, segundo a atualização do relatório Skin Cancer Facts & Statistics, elaborado pela Skin Cancer Foundation a partir de dados recentes da American Cancer Society (ACS). As projeções indicam aumento de 10,6% no número de novos casos em comparação aos anos anteriores.
Saiba mais: Câncer de pele melanoma: Como manejar?
A estimativa aponta que cerca de 234.680 casos de melanoma serão diagnosticados ao longo de 2026. Desse total, aproximadamente 112 mil devem ser classificados como melanomas invasivos, enquanto 122.680 correspondem a lesões in situ, consideradas não invasivas. Os dados indicam maior incidência desses casos iniciais entre homens, com projeção de 65.400 diagnósticos, frente a 46.600 entre mulheres.
Crescimento dos diagnósticos e desafios do rastreamento
O levantamento também evidencia um crescimento expressivo dos melanomas invasivos na última década, com aumento acumulado de 46,6% nos casos recém-diagnosticados. Esse avanço é atribuído a múltiplos fatores, como o envelhecimento da população, que amplia a exposição cumulativa ao sol ao longo da vida, e o aprimoramento das estratégias de rastreamento dermatológico. A disseminação de tecnologias como a dermatoscopia e métodos de imagem não invasivos tem permitido identificar lesões cada vez mais precoces, inclusive aquelas de comportamento biológico incerto.
Saiba ainda: ASCO 2025: Novos horizontes nos tratamentos de melanoma
Esse cenário, no entanto, traz desafios para a prática clínica. A dificuldade em diferenciar melanomas iniciais com potencial de progressão daqueles que permaneceriam indolentes ao longo do tempo levanta preocupações sobre possíveis excessos diagnósticos e terapêuticos, incluindo biópsias e tratamentos que podem não trazer benefício clínico significativo para todos os pacientes.
Queda da mortalidade e importância da prevenção
Apesar do aumento na incidência, o relatório aponta uma tendência favorável na mortalidade. Entre 2016 e 2026, as taxas de óbitos por melanoma apresentaram queda média anual de cerca de 3% entre homens e 2% entre mulheres, resultado associado principalmente aos avanços no tratamento da doença em estágios avançados. Ainda assim, estima-se que 8.510 mortes por melanoma ocorram em 2026, sendo 5.500 em homens e 3.010 em mulheres.
Outro fator de atenção é a circulação de desinformação sobre o uso de protetor solar, especialmente em ambientes digitais, o que pode impactar comportamentos preventivos e influenciar a incidência futura do câncer de pele. Diante das projeções, especialistas destacam a importância de estratégias que combinem prevenção eficaz, detecção precoce equilibrada e uso racional dos recursos especializados, com foco em estratificação de risco e acesso direcionado ao cuidado.
Leia ainda: Dermatologia e diversidade: Inclusão de peles não brancas na formação médica
Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.