O câncer de pele melanoma é uma neoplasia originada dos melanócitos, com incidência crescente, especialmente em populações de pele clara. Está associado à exposição à radiação ultravioleta, incluindo o bronzeamento artificial, embora alguns subtipos ocorram em áreas fotoprotegidas.
Sua etiopatogenia é multifatorial, envolvendo fatores ambientais, genéticos e biológicos, com destaques para mutações em oncogenes como BRAF, NRAS e KIT, além da inativação de genes supressores tumorais, levando a ativação da via MAPK e proliferação celular descontrolada.
Clinicamente, manifesta-se como lesão pigmentada nova ou em modificação, podendo apresentar assimetria, bordas irregulares, variação de cores, diâmetro > 6mm, e aumento progressivo do tamanho (regra do ABCDE), porém as formas amelanóticas e nodulares podem dificultar o diagnósrtico.

Diagnóstico do câncer de pele melanoma
O diagnóstico é clínico auxiliado por dermatoscopia. Várias estruturas e padrões dermatoscópicos já foram descritos no melanoma, como assimetria, estrias/pseudópodes, véu azul-esbranquiçado, borrões, rede invertida, polimorfismo vascular, padrão multicomponentes, dentre outros e a apresentação clínica e dermatoscópica pode variar de acordo com o subtipo, topografia e espessura do tumor. Estruturas como véu azul-esbranquiçado, vasos atípicos e áreas vermelho-leitosas estão mais associadas a melanomas invasivos e a piores fatores histopatológicos prognósticos.
A confirmação diagnóstica se dá por biópsia excisional. A biópsia deve ser feita com margens estreitas e a avaliação histopatológica deve contar com a análise da presença de ulceração, mitoses e o índice de Breslow, que avalia a espessura do tumor.
Tratamento
O tratamento é realizado através da ressecção cirúrgica, com margens de segurança, de acordo com a espessura tumoral, sendo curativa nos casos localizados. A pesquisa de linfonodo sentinela deve ser realizada quando Breslow maior ou igual a 0,8mm com ulceração. Quando há acometimento locorregional ou metastático, podem ser indicadas linfadenectomia, ou imunoterapia com inibidores de checkpoint imunológico (anti PD-1/PD-L1, anti CTLA-4) e terapias- alvo para mutações de BRAF/MEK, a depender do estadiamento e condições clínicas do paciente.
A detecção precoce é fundamental, já que a sobrevida diminui significativamente nos estágios avançados da doença.
Autoria

Marselle Codeço Barreto
Médica pela Faculdade de Medicina Souza Marques e Dermatologista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Preceptora de Dermatologia e Dermatoscopia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ). Possui Título de Especialista em Dermatologia e é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) e International Dermoscopy Society (IDS).
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