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Dermatologia20 janeiro 2026

Caso clínico: pápulas na face em paciente pré-escolar. Qual o diagnóstico?

Paciente do sexo masculino, de 6 anos de idade, apresenta múltiplas pápulas, que se iniciaram aos 4 anos e vem aumentando.
Por Mariana Santino

Paciente do sexo masculino, de 6 anos de idade, apresenta múltiplas lesões na face iniciadas aos 4 anos de idade e que vem aumentando em quantidade. Também tem mancha branca no dorso desde o nascimento e episódios de convulsão.

Pápulas em torno do nariz
Figura 1. Múltiplas pápulas na região central da face. Imagem do autor.

Ao exame, múltiplas pápulas normocrômicas, algumas eritematosas, confluentes, nas regiões malares, sulcos nasogenianos, dorso nasal e asas nasais (Figura 1). No nariz, as lesões possuem maior diâmetro. No dorso, 3 manchas hipocrômicas com aspecto em folha e > 5 mm.

Qual o diagnóstico?

O diagnóstico é de angiofibromas faciais, critério maior no diagnóstico do complexo da esclerose tuberosa. Como o paciente também possuía as manchas hipomelanóticas, outro critério maior para a esclerose tuberosa, já fechava diagnóstico.

A esclerose tuberosa é doença genética autossômica dominante, causada por mutações nos genes supressores tumorais TSC1 e TSC2, que codificam a hamartina e a tuberina, respectivamente. O complexo hamartina-tuberina, por sua vez, regula o complexo mTOR, causando uma perda da inibição do crescimento celular.

A esclerose tuberosa pode afetar qualquer órgão com a presença de tumores benignos, como hamartomas e linfoangioleiomiomas. É composta também por convulsão, desordens neuropsiquiátricas, como déficit intelectual, e outras alterações cutâneas além dos angiofibromas, como as máculas hipopigmentadas, placa de shagreen e fibromas periungueais. As alterações cutâneas ocorrem em quase todos os pacientes.

Os angiofibromas são comumente observados nos pacientes de esclerose tuberosa, em mais de 80% dos casos, iniciando na idade escolar, a partir dos 6-8 anos ou ainda na fase pré-escolar, 2-5 anos. Não é condição ameaçadora de vida, mas altera a qualidade de vida e tem repercussão psicossocial.

Qual a clínica dos angiofibromas?

São múltiplas pápulas normocrômicas ou eritematosas, de formato de domo, geralmente com 1-3 mm de diâmetro, na região centrofacial (dorso nasal, asas nasais, regiões malares, sulcos nasogenianos e mento). Costuma poupar a lateral da face e a região supralabial. As pápulas podem coalescer e formar nódulos.

Na histopatologia, observa-se células fibroblásticas volumosas, fusiformes ou estreladas na derme, entre vasos dilatados e numerosos.

Qual o tratamento dos angiofibromas?

Não há consenso no melhor tratamento, sendo a maioria deles (curetagem, radiocirurgia, criocirurgia, eletrofulguração, dermabrasão, excisão por shaving, laser ablativo e peeling químico) dolorosos, invasivos e, muitas vezes, necessitando de múltiplas sessões para atingir algum resultado.

Em contrapartida, atualmente vem sendo descrito o uso de inibidores da rapamicina (mTOR) de uso tópico (o mais conhecido Sirolimo 0,05%, 0,1%, 0,2% ou 1%) com boa evolução clínica e resposta sustentada em torno de 4 meses na prevenção do aparecimento de novos angiofibromas, principalmente nas lesões menores e nos quadros menos numerosos. Tratamento precoce pode ser benéfico e podem ser necessários tratamentos cíclicos para evitar a recorrência.

Segundo metanálise de 2022 desenvolvida por Lin e colaboradores, Sirolimo 0,2% é a dose mais eficaz em termos de resposta clínica. Efeitos adversos costumam ser mínimos e, entre eles, irritação, queimação, prurido e pele com sensação de ressecamento. Estudos futuros são indicados ainda para avaliação da melhor dose, além do melhor veículo e duração do tratamento.

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Autoria

Foto de Mariana Santino

Mariana Santino

Médica pela Universidade Federal Fluminense (UFF)  • Residência Médica em Dermatologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)  • Título de Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia

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