A panometria esofágica, conhecida pela sigla inglesa FLIP (functional luminal imaging probe), é um novo teste funcional do órgão em que uma imagem luminal é obtida por meio de um cateter.
Como funciona o exame?
O exame é pautado em uma bolsa cilíndrica, complacente e com volumes variáveis entre 40 e 70 mL, dotada de 16 eletrodos, espaçados em 1 cm, além de um sensor de pressão distal, que é introduzida, por meio de uma endoscopia digestiva alta (EDA), de forma que os 2 sensoriais distais fiquem alocados na câmara gástrica.
Avalia-se, de forma dinâmica, a área seccional luminal esofágica, bem como a sua distensibilidade durante uma distensão volumétrica controlada. A bolsa cilíndrica é distendida, a partir de um volume inicial de 40 mL, adicionando-se, de forma seriada, 10 mL de solução salina, até um volume alvo de 70 mL. Durante esse processo, é realizada a aquisição da topogramas dinâmicos da impedância à planimetria, bem como a quantificação da distensibilidade do órgão e avaliação da resposta contrátil secundária à distensão (peristalse secundária).
Aplicabilidade
A aplicabilidade à esofagite eosinofílica (EoE) está relacionada à estimativa, em tempo real, dos diâmetros esofágicos, permitindo a identificação de estenoses e avaliação da carga fibroestenótica. Outra vantagem do método é o provimento de informações sobre o comportamento biomecânico esofágico em resposta à distensão, úteis na identificação de dismotilidade esofágica. É importante ressaltar que não é considerada uma ferramenta diagnóstica de EoE e nem deve ser realizada antes de uma EDA convencional.
Classificação dos achados
A panometria esofágica permite a inferência da rigidez esofágica por meio de um parâmetro denominado platô de distensibilidade. Trata-se do diâmetro esofágico fixo mais estreito observado em resposta ao aumento dos volumes e pressões à FLIP, estando a sua redução associada a risco aumentado de impactação, necessidade de dilatação esofágica em 1 ano e maior proporção de aneis esofágicos estreitos e estenoses esofágicas.
A redução do platô de distensibilidade se associa à duração dos sintomas e ao atraso presumido no diagnóstico da EoE, bem como a achados endoscópicos mais avançados (Escore EREFS), indicando a natureza progressiva do processo fibrótico nessa condição.
Classificação fisiomecânica de Carlson na esofagite eosinofílica | ||
Parâmetros | Distensibilidade esofágica | |
Normal | Reduzida | |
Complacência (mm³/mmHg) | > 450 | ≤ 450 |
Platô de distensão (mm) | < 17 (ou 225 mm²) | ≤ 17 (ou 225 mm²) |
Uma vez avaliados os parâmetros de distensibilidade acima mencionados, deve-se seguir com a subclassificação baseada na resposta contrátil e abertura da junção esofagogástrica (JEG):
Distensibilidade esofágica | |
Normal |
Reduzida (fibroestenose) |
|
|
Mais recentemente foi elaborado o escore C2D2, também baseados em dados da FLIP, que se associa de forma significativa e positiva com a contagem de eosinófilos e com o escore EREFS, além de ofertar uma odds ratio (OR) de 14,5 para a predição de resposta aos inibidores de bomba protônica (IBP) quando ≤ 3.
Os seus parâmetros incluem a complacência esofágica (redução intensa se < 300 e moderada se entre 300 e 450 mm³/mmHg), resposta contrátil (sendo a sua ausência o parâmetro de maior gravidade), platô de distensibilidade (redução intensa se < 14 e moderada se entre 14 e 17 mm) e o diâmetro máximo da JEG (redução grave se < 12 e moderada se entre 12 e 16 mm).
Conclusão e Mensagens práticas
- A panometria esofágica (FLIP) é uma ferramenta emergente e promissora na avaliação de pacientes com esofagite eosinofílica (EoE) e que tem se mostrado útil na quantificação da carga fibroestenótica. Provavelmente a sua indicação residirá na persistência sintomática a despeito de terapia otimizada e seleção de candidatos à dilatação esofágica ou escalonamento terapêutico.
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