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Cirurgia22 agosto 2026

Telecirurgia robótica: o futuro chegou ao redor do mundo

Telecirurgia robótica alcança 92% de sucesso em procedimentos urológicos. Entenda os resultados e os desafios para ampliar seu uso.

Em julho de 2026 foi publicado no Journal Of Robotic Surgery o artigo intitulado “Safety and feasibility of robotic telesurgery in urological procedures: a systematic review and meta-analysis of clinical data” que aborda a viabilidade da realização de telecirurgias aplicadas a urologia, avaliando como desfecho primário as taxas de sucesso das cirurgias, e como desfechos secundários as taxas de complicações dos procedimentos, além da latência de ida e volta da rede.  

telecirurgia robótica

Métodos utilizados 

O artigo consiste em uma revisão sistemática e metanálise alinhada as diretrizes PRISMA, utilizando como bases de dados o Pubmed, Scopus, Web of Science e Cochrane até abril de 2026. Analisou 19 estudos clínicos, totalizando 164 pacientes.  

O N da amostra ainda pequeno pode ser justificado por ainda não ser uma técnica cirúrgica completamente difundida por todo o mundo, mas que promete chegar com força nos centros cirúrgicos dos países desenvolvidos nos próximos anos, ganhando mais notoriedade. O que antes parecia ficção científica, com um cirurgião operando um paciente a quilómetros de distância, hoje já é realidade.  

O que os resultados trazem de animador? 

O resultado da revisão foi animador. A taxa combinada de sucesso dos procedimentos foi bastante elevada, cerca de 92%. Não houve registros de conversão para cirurgia aberta ou laparoscópica tradicional. A taxa combinada de complicações foi relativamente baixa, de 12%, concentradas em um número baixo de estudos que fizeram parte da revisão.  

O tempo médio de latência da rede foi avaliado em 14 dos 19 estudos, rendo como média de resultado o valor de 123,3 milissegundos, garantindo movimentos precisos como na cirurgia robótica convencional. Importante destacar que na análise deste último desfecho houve uma heterogeneidade importante entre os estudos, devido a variação das tecnologias utilizadas e da conexão local. 

O que podemos levar para a prática? 

Resultados animadores favorecem a adoção da técnica cirúrgica em diferentes casos, permitindo que pacientes busquem cirurgiões mais altamente capacitados, ainda que em outras regiões do mundo. A medicina vem exigindo cada vez mais capacitação de seus profissionais, desta forma aumentando a excelência de resultados, impactando positivamente a saúde dos pacientes globalmente.  

A prática da telecirurgia ainda carece de revisões mais robustas, com N maior de cirurgias analisadas, além da viabilidade econômica para maior difusão da técnica em países menos desenvolvidos economicamente. No entanto, o que parecia um futuro distante, já é realidade, com resultados promissores no que diz respeito a segurança e sucesso dos procedimentos.  

Autoria

Foto de Caio Henrique da Silva Teixeira

Caio Henrique da Silva Teixeira

Conteudista médico na afya. Formado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência médica em Cirurgia Geral pelo Hospital Municipal Souza Aguiar (2025), atualmente em residência de Urologia pelo Hospital Federal do Andarai.

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Referências bibliográficas

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