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Cirurgia15 maio 2025

Câncer de esôfago: Quimioterapia periopeatória/Quimiorradioterapia pré-operatória

Estudo ESOPEC trial trouxe novos paradigmas no tratamento do adenocarcinoma de esôfago e da junção esofagogástrica
Por Jader Ricco

O câncer de esôfago é o nono mais comum em todo mundo. Os dois principais tipos são o carcinoma de células escamosas (CEC) e o adenocarcinoma respondendo por cerca de 95% dos cânceres de esôfago. A incidência do adenocarcinoma de esôfago e da junção esofagogástrica (JEG) vêm aumentando nos países desenvolvidos. 

Nos últimos 10 anos, o tratamento do esôfago vem se desenvolvendo. Estudos como The Dutch Chemoradiotherapy for Oesophageal Cancer Follwed by Surgeru Study (CROSS) revolucionou o tratamento do câncer de esôfago com o estabelecimento de quimiorradioterapia pré-operatória seguido de cirurgia para CEC e adenocarcinoma de esôfago. Entretanto, a eficácia desse esquema nos casos de adenocarcinoma de esôfago e de JEG, menor comparada com o CEC, promoveu novos estudos.  

Em janeiro de 2025, o tão esperado estudo ESOPEC trial, já apresentado na American Society of Clinical Oncology (ASCO) em 2024, foi publicado, trazendo novos paradigmas no tratamento do adenocarcinoma de esôfago e JEG. 

Leia mais: QT x QRT como neoadjuvantes no câncer de esôfago: qual a abordagem mais efetiva?

Métodos 

O ESOPEC trial é um ensaio clínico fase 3 realizado em 25 centros oncológicos na Alemanha. O estudo avaliou 483 pacientes, randomizados em 2 grupos: grupo FLOT, com 221 pacientes e grupo quimiorradioterapia pré-operatória, com 217 pacientes. 

No grupo FLOT (fluoracil, leucovorin, oxaliplatina, docetaxel), a proposta de tratamento foi quimioterapia perioperatória, com 4 ciclos de quimioterapia antes da cirurgia e 4 ciclos após, iniciados 4 a 6 semanas após a cirurgia. No grupo quimiorradioterpia pré-operatória, a proposta foi o tratamento aos moldes do protocolo CROSS, com radioterapia (na dose de 41,4Gy) e quimioterapia (carboplatina e paclitaxel – 5 ciclos semanais) antes da cirurgia. 

Dentre os critérios de inclusão, o tipo histológico foi, obrigatoriamente, adenocarcinoma. O estádio tumoral (classificação TNM) foi T2-T4c, Nx, M0; ou Tx, N0, M0. 

O seguimento oncológico desses pacientes foi realizado em 3 anos e o desfecho primário foi a sobrevida global. Os desfechos secundários foram sobrevida livre de doença, recidiva tumoral, estádio tumoral após a cirurgia, regressão tumoral após terapia pré-operatória, complicações, morte associada à cirurgia e eventos adversos. 

Resultados e Discussão 

A sobrevida global em 3 anos foi de 57,4% (95% IC, 50.1 a 54.0) no grupo FLOT e de 50,7% (95% IC; 43,5 a 57,5) no grupo quimiorradioterapia (HR 0,70; 95% IC, 0,53 a 0,92; p=0,01). A sobrevida global média foi de 66 meses no grupo FLOT e 37 meses no grupo quimiorradioterapia, indicando melhores resultados no grupo FLOT. 

A análise dos desfechos secundários também revelou superioridade do grupo FLOT em relação à sobrevida livre de doença em 3 anos, que correspondeu a 51,6% (95% IC; 44,3 a 48,4) nesse grupo e 35,0% (95% IC; 28,4 a 41,7) no grupo quimiorradioterapia. 

Os efeitos adversos graves foram observados em 98 pacientes (47,3%) no grupo FLOT e em 82 (41,8%) do grupo quimiorradioterapia. 

Os resultados apurados no ESOPEC demonstram superioridade do esquema FLOT para pacientes com adenocarcinoma de esôfago e JEG em relação à quimiorradioterapia aos moldes do CROSS, evidenciados na maior sobrevida global e sobrevida livre de doença no grupo FLOT. 

A recidiva locorregional, apesar de ter sido maior no grupo FLOT, não foi um evento comum, ocorrendo em 17 pacientes do grupo FLOT e em 9 pacientes do grupo quimiorradioterapia. Por outro lado, metástases a distância foram bem mais comuns no grupo quimiorradioterapia.  

Veja também: Câncer de esôfago avançado em pacientes idosos: estratégias de tratamento

Mensagem prática 

O ESOPEC traz uma mudança de paradigmas no tratamento do adenocarcinoma de esôfago e JEG ao comprovar maior eficácia da quimioterapia perioperatória.  

É importante ressaltar que o ensaio clínico em análise foi somente para pacientes com adenocarcinoma. Nos pacientes com CEC, o protocolo CROSS já está consolidado, demonstrando resultados superiores à cirurgia direta ou a neoadjuvância somente com quimioterapia para pacientes T2-T4c, Mx, M0; ou Tx, N+, M0. 

Autoria

Foto de Jader Ricco

Jader Ricco

Editor médico na Afya. Graduação em medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Residencia em cirurgia geral pela Santa Casa de Belo Horizonte e em cirurgia oncológica pelo Instituto Mário Penna. Mestre em ciencias aplicadas à cirurgia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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