Logotipo Afya
Anúncio
CirurgiaSET 2022

Qual o antisséptico mais eficaz no controle de infecção de sítio cirúrgico?

Uma metanálise comparou diferentes antissépticos em diversas concentrações na busca pelo mais efetivo na prevenção de ISC em adultos.

A infecção de sítio cirúrgico (ISC) é a complicação pós-operatória mais comum, estando associada não somente ao aumento de morbidade, como também à elevação de custos hospitalares. Objetivando formular medidas eficazes no controle de ISC, guidelines da World Health Organization (WHO) e do UK National Institute for Health and Care Excellence (NICE)  estabeleceram recomendações para preparo cirúrgico da pele, indicando o uso de soluções alcoólicas de clorexidina, sem especificar concentração, como ferramenta antisséptica nesse contexto.  

Todavia, considerando a ampla gama de publicações mais recentes abordando essa temática, tem-se questionado qual antisséptico é, de fato, mais efetivo, assim como a concentração a ser utilizada na prática cirúrgica. Uma metanálise recente de estudos multicêntricos randomizados publicada no The Lancet comparou diferentes antissépticos em diversas concentrações na busca pelo mais efetivo na prevenção de ISC em adultos submetidos a qualquer tipo de cirurgia. 

Comparação entre cirurgia aberta e laparoscópica no tratamento do câncer gástrico 

Métodos

Foram incluídas na análise estudos que compararam dois ou mais agentes (clorexidina, iodo ou olanexidina) em diferentes concentrações em base aquosa ou alcoólica em pacientes a partir de 18 anos submetidos a procedimentos em centro cirúrgico. O desfecho primário avaliado foi a ocorrência de ISC (superficial, profunda ou relacionada a órgão ou cavidade) e o desfecho secundário foi a ocorrência de eventos adversos relacionados ao uso dessas substâncias.  

Resultados

A partir de 27 estudos selecionados para essa metanálise, 17.735 pacientes foram avaliados, sendo identificados 2.144 casos de ISC (incidência média de 12,1%). Em cirurgias classificadas nos diferentes potenciais de contaminação, clorexidina alcoólica entre 2% e 2,5% reduziu significativamente a taxa de ISC quando comparada a solução aquosa de iodo. Concentrações maiores, como clorexidina a 4%, não mostraram benefício adicional. Já em cirurgias limpas, a incidência de ISC foi de 4,8%(158 em 3.301 pacientes), sendo a clorexidina em diferentes concentrações igualmente eficaz ao iodo em solução aquosa ou alcoólica. Adicionalmente, o uso de olanexidina 1,5% se mostrou potencialmente superior ao iodo. Porém, por ser uma substância com recente liberação para uso clínico, apenas um estudo randomizado reportou sua utilização, sendo necessária evidência literária mais sólida para ratificar seu benefício. 

Em relação aos efeitos adversos, dos dez estudos que avaliaram esses eventos, metade não reportou sua ocorrência e metade apenas eventos menores como eritema, prurido, dermatite, irritação cutânea e eventos alérgicos mínimos. 

Considerações finais

Em resumo, em qualquer tipo de cirurgia em adultos, o uso de clorexidina alcoólica nas concentrações de 2% a 2,5% se apresentou superior quando comparado à solução aquosa de iodo na prevenção de ISC.

ESC 2022: diretriz de risco cirúrgico aponta para complicações cardiovasculares perioperatórias

Mensagem prática

Protocolos bem estabelecidos e baseados em evidências sólidas que minimizem complicações pós-operatórias são essenciais para redução da morbimortalidade, tempo de internação e, consequentemente, custos hospitalares. Por isso, estabelecer medidas simples como higienização adequada de mãos, uso de antisséptico eficaz no preparo da pele e administração de antibioticoprofilaxia conforme indicação são ferramentas em potencial para melhora de indicadores pós-operatórios, devendo ser prioritárias na prática de todo cirurgião. 

Anúncio

Assine nossa newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Ao assinar a newsletter, você está de acordo com a Política de Privacidade.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Referências bibliográficas

Compartilhar artigo