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Cirurgia24 junho 2026

Colecistostomia percutânea: manejo clínico   

Artigo trouxe o parecer de especialistas sobre questões comuns após colecistostomia percutânea em paciente com colecistite aguda
Por Felipe Victer

Em alguns cenários clínicos é necessário a introdução de drenos percutâneos para tratar um paciente crítico com colecistite aguda. No entanto, ainda existe algum grau de debate: o que deve ser feito após a introdução do dreno, quando retirar por exemplo?  

Assim foi realizado um trabalho de consenso no qual uma série de especialistas responderam a perguntas sobre questionamentos corriqueiros após a introdução de um dreno percutâneo.   

Colecistostomia percutânea: manejo clínico   

Imagem de rawpixel/freepik

Quanto ao uso da drenagem percutânea  

O grupo de especialistas reafirmaram que a colecistectomia por videolaparoscopia é o tratamento ideal para pacientes com colecistite aguda, e que a drenagem deve ser reservada para aqueles com condições clínicas restritas. De uma maneira geral pacientes com ASA > III. (84,6% de consenso)  

Em algumas situações restritas, como a colecistite acalculosa, a drenagem percutânea deve ser o tratamento definitivo e até preferível sobre a colecistectomia por vídeo (80% de consenso).  

Leia também: Colecistostomia na colecistite aguda: indicações, técnica, e evidências atuais 

Duração de acompanhamento  

A via transparieto hepática, deve ser preferível sobre a via transperitoneal devido a uma menor incidência de complicações (81,6% de consenso). Quando implantado por via trans-hepática o dreno deve ser mantido no mínimo 4 a 6 semanas antes da retirada, e a via transperitoneal no mínimo 6 semanas. Antes da retirada de qualquer dreno biliar é importante a realização de colangiografia, a fim de detectar eventuais extravasamentos e avaliar a patência da via biliar.   

Momento da colecistectomia  

Chegou-se a um consenso que a colecistectomia deve ser realizada entre 6 a 8 semanas após a inserção do dreno (84,6%), porém sem consenso alcançado se o dreno deve ou não ser mantido por todo este período. Também não houve consenso em colecistectomias antes das 4 semanas se a realização pode ser realizada ou não.    

Outros tratamentos  

Um tratamento endoscópico recente (LAMS) com uso de stents metálicos é uma modalidade promissora e pode ser sugerida para pacientes sem condições clínicas para serem submetidos a tratamento cirúrgico. No entanto, a literatura é escassa e não há como atingir um grau de recomendação.   

Discussão  

O uso de drenagem da vesícula biliar é uma alternativa viável para pacientes que não estão aptos a realizarem o procedimento cirúrgico. Uma boa parte das complicações surgem no pós-procedimento por uma falta de diretrizes e consensos de como manejar esses pacientes. A colecistite aguda continua sendo melhor tratada com colecistectomia por videolaparoscopia.  

Na literatura, há diversas formas de manejar o dreno após a sua implantação e este consenso encontrou um tempo mínimo de dreno de 4-6 semanas. Alguns estudos sugerem o clampeamento antes da retirada, no entanto isso não alcançou consenso.   

Podemos concluir que a manutenção do dreno deve ser mantida de 4-6 semanas e que a colecistectomia intervalada realizada entre 6-8 semanas.   

Saiba mais: Colecistectomia videolaparoscópica: indicações, técnica e cuidados pós-operatórios

Para levar para casa  

Sem dúvida o manejo do dreno de vesícula biliar não tem uma conduta única estabelecida. Cada serviço tem a sua peculiaridade. O que é unânime é que pode ser uma excelente alternativa em pacientes críticos com colecistite aguda. Esse trabalho nos auxilia a manter uma conduta mais unânime no manejo desse paciente. 

Autoria

Foto de Felipe Victer

Felipe Victer

Editor médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com residência médica em Cirurgia Geral (2007) e Cirurgia Geral - Programa Avançado (2009) pela mesma instituição. Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e Sobracil. Coordena área de esôfago/estômago com ênfase em cirugia minimanente invasiva do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ.

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Referências bibliográficas

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