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Cirurgia19 outubro 2026

Câncer de pulmão inicial ganha novas recomendações da AATS

Consenso revisa estadiamento, biomarcadores e terapias perioperatórias no câncer de pulmão inicial com base em novas evidências.
Por Jader Ricco

O câncer de pulmão de não pequenas células em estágio inicial passou por mudanças relevantes desde o consenso da American Association for Thoracic Surgery, publicado em 2023. A atualização de 2026 revisa estadiamento, diagnóstico, cirurgia, tratamento neoadjuvante e terapia adjuvante diante da incorporação de novos dados de ensaios randomizados, com maior peso para estratégias perioperatórias, testagem molecular e avaliação multidisciplinar.

O documento mantém o estadiamento preciso como base do manejo e reforça que decisões cirúrgicas e sistêmicas devem ser integradas desde o início. A revisão também incorpora mudanças concretas na seleção de pacientes para quimioimunoterapia, terapia-alvo e ressecção pulmonar, considerando características clínicas, patológicas e moleculares.

O tratamento multimodal está em transformação

A atualização substitui o documento de 2023 e reflete uma mudança do modelo centrado em cirurgia seguida de terapia adjuvante seletiva para estratégias cada vez mais personalizadas e perioperatórias. Em pacientes com CPNPC ressecável nos estágios II e III, sem alterações de EGFR ou ALK, recomenda-se quimioterapia à base de platina associada à imunoterapia como regime neoadjuvante ou perioperatório preferencial, com classe I e nível de evidência A.

Para pacientes clinicamente operáveis com doença ressecável em estágio III e cirurgia planejada, o consenso recomenda terapia sistêmica pré-operatória sem radioterapia. Em tumores do sulco superior, ou “tumores de Pancoast”, sem doença N2, a estratégia ideal permanece individualizada, com discussão em equipe multidisciplinar, pois a comparação direta entre quimiorradioterapia neoadjuvante e quimioimunoterapia neoadjuvante não está estabelecida.

 

Saiba mais: Consenso AATS 2026 atualiza manejo do câncer de pulmão N2+

O consenso AATS organiza recomendações por evidência

A AATS reuniu um grupo com cirurgiões torácicos, oncologistas clínicos, radio-oncologista e patologista pulmonar, além de revisão externa por especialistas de diferentes áreas. As questões clínicas foram estruturadas pelo formato PICO, seguidas de buscas em EMBASE e Medline, revisão da literatura e síntese das evidências para diagnóstico, estadiamento, tratamento neoadjuvante e terapia adjuvante.

As recomendações foram submetidas a um método Delphi modificado. O processo exigiu taxa de resposta mínima de 80% e pelo menos 75% de concordância para definir consenso, com classificação da força da recomendação entre as classes I e III e do nível de evidência entre A e C-EO.

Como o manejo do CPNPC integra estadiamento e biomarcadores?

O estadiamento do câncer de pulmão recém-diagnosticado deve incluir tomografia computadorizada e PET, recomendação de classe I e nível B-R. A imagem cerebral é recomendada diante de doença nodal ou tumor com pelo menos 4 cm, enquanto pode ser considerada em pacientes sem comprometimento nodal e com tumores menores, conforme sintomas e outros fatores clínicos.

O estadiamento mediastinal patológico antes do tratamento é recomendado para tumores centrais, lesões com pelo menos 3 cm ou achados suspeitos de doença nodal na TC ou PET, com classe I e nível B-NR. Para tumores periféricos maiores que 2 cm, o procedimento deve ser considerado devido à possibilidade de doença nodal oculta.

A testagem de biomarcadores deve começar precocemente em pacientes com doença localmente avançada, com recomendação de classe I e nível A. O documento destaca a avaliação de alterações moleculares e de PD-L1, porque a seleção das estratégias pré e pós-operatórias passou a depender dessas informações, especialmente na presença de EGFR ou ALK.

Na cirurgia, a ressecção oncológica adequada inclui margem R0 e avaliação linfonodal sistemática das estações mediastinais e hilares. A ressecção sublobar pode ser uma alternativa à lobectomia em pacientes selecionados com tumor periférico, linfonodos negativos e até 2 cm, enquanto a lobectomia permanece padrão para tumores maiores ou quando a ressecção sublobar não consegue assegurar margens adequadas.

 

Saiba mais: Principais atualizações NCCN de abril de 2026 e o papel da testagem molecular

Se houver alterações acionáveis, terapia adjuvante muda de estratégia

Após a ressecção, pacientes com CPNPC patológico nos estágios IB a III devem ser encaminhados à oncologia clínica para discutir terapia sistêmica adjuvante, com classe I e nível A. O consenso também recomenda testagem molecular abrangente e avaliação de PD-L1 nos tumores ressecados nos estágios IB a III, e pacientes com adenocarcinoma e alterações de EGFR ou ALK devem discutir terapia-alvo adjuvante com a oncologia clínica.

Nos pacientes com doença ressecada nos estágios II e III, sem terapia pré-operatória e sem alterações de EGFR ou ALK, recomenda-se avaliação para imunoterapia adjuvante após quimioterapia. Na presença de doença pN2 incidental após ressecção, a orientação é utilizar terapia sistêmica conforme os biomarcadores, enquanto a radioterapia pós-operatória não deve ser empregada rotineiramente fora de indicações específicas definidas em discussão multidisciplinar.

Na prática, o câncer de pulmão inicial exige integração entre estadiamento anatômico, avaliação mediastinal, biomarcadores e planejamento terapêutico antes da cirurgia. A principal mudança em relação a 2023 é a maior incorporação de estratégias neoadjuvantes e perioperatórias, com manutenção da cirurgia de qualidade, da avaliação linfonodal e da seleção molecular como componentes centrais da tomada de decisão.

 

Saiba mais: ACP 2025 Câncer de pulmão avanços no tratamento e rastreamento

 

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial, com supervisão e revisão de médicos.

Autoria

Foto de Jader Ricco

Jader Ricco

Editor médico na Afya. Graduação em medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Residencia em cirurgia geral pela Santa Casa de Belo Horizonte e em cirurgia oncológica pelo Instituto Mário Penna. Mestre em ciencias aplicadas à cirurgia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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