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Cirurgia6 outubro 2020

ACSCC 2020: Como abordar as complicações abdominais por videolaparoscopia?

Cada vez mais os procedimentos por videolaparoscopia estão se tornado a forma mais aceita de tratamento. Mas o que fazer com as complicações?

Por Felipe Victer

Cada vez mais os procedimentos por videolaparoscopia estão se tornado a forma mais aceita de tratamento, no entanto a abordagem a complicações intra-abdominais não é tão aceita como modalidade inicial.

O “PS 315 – Laparoscopic Management of Intra-Abdominal Complications”, do American College of Surgeons Clinical Congress (ACSCC 2020), tenta desmistificar este fato e que em algumas situações o tratamento por vídeo pode ser extremamente benéfico.

médicos realizando videolaparoscopia

Abordagem de complicações por videolaparoscopia

De forma didática a aula “The Anastamosis is Leaking: Now What?”, pelo Prof. Mark H. Whiteford mostrou as diferentes estratégias de abordagem e sucesso de tratamento. Vídeos elucidativos com apenas lavagem e drenagem, sutura da fístula ou até mesmo resseção da anastomose e reconfeccção da mesma. Salienta o apresentador que quando há uma deiscência é importante criar um estoma derivativo. O tipo de abordagem também varia conforme a apresentação clínica do quadro.

A obstrução de delgado foi abordada pela Profa. Dana A. Telem, e a importância do manuseio das alças com delicadeza e sempre caminhar do “conhecido para o desconhecido”, isto é buscar uma alça com diâmetro normal e ir “correndo a alça” em direção a obstrução a fim diagnosticar e tratar e tratar a causa. O uso de disseção cortante, e cuidado no uso de eletro bisturi são pontos fundamentais para o sucesso do procedimento.

E nos casos de sangramento, será que é conveniente manter a cirurgia por vídeo?

Neste tópico, abordado por Oliver A. Varban, relembra que para tratar um sangramento por vídeo primeiro é necessário localizar a origem que pode ser na parede abdominal, no omento, alça ou víscera maciças. Também é importante o uso de equipamentos adequados, como aspiradores, evacuadores de fumaça, pinças de energia para hemostasia, clipes, etc.

Importante notar que as modalidades de hemostasia devem ser utilizadas de forma que não atrapalhe o uso de outras formas de hemostasia, isto é um clipe metálico pode dificultar a aplicação de energia hemostática. Ao final de uma revisão de hemostasia, é importante diminuir a pressão do pneumoperitônio para certificar que nenhum ponto está sendo tamponado pela própria pressão.

Todos os apresentadores foram uníssonos em determinar que o uso da cirurgia minimamente invasiva pode ser utilizado e em alguns casos sendo preferível a técnica aberta. No entanto, a boa condição clínica do paciente é fundamental para que isto ocorra. Além disto a conversão para a cirurgia aberta não deve ser postergada em caso de dificuldades.

Para levar para casa

O tratamento de complicações abdominais por videolparoscopia é factível, porem o paciente, o cirurgião, auxiliar, anestesista e toda a equipe devem estar aptos para este tipo de abordagem. A conversão não pode ser encarada como uma falha de tratamento e sim que a cirurgia por vídeo não foi benéfica para aquela situação, e o paciente irá melhor se beneficiar de uma abordagem convencional.

Acompanhe o congresso com a gente! Veja também:

Referência bibliográfica:

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