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Carreira13 fevereiro 2026

Veja o que o residente precisa dominar nas emergências do Carnaval

Calor, consumo excessivo de álcool, aglomerações e os principais atendimentos que o médico residente precisa dominar na emergência

O Carnaval é quase sinônimo de pausa, sol, música alta, ruas com blocos e trios elétricos para a maioria das pessoas. Não para o residente ou médico em início de carreira. Para eles, essa época do ano pode significar agenda cheia, seja com plantões obrigatórios da residência em pleno feriado ou, quando a escala está livre, com alguns extras, muitas vezes assumidos na empolgação em algum grupo de plantão com o conhecido “Eu pego!”.

As situações causadas pela combinação de calor, consumo excessivo de álcool, longas horas em pé e aglomerações do Carnaval fazem o residente testar o quanto está tecnicamente preparado para agir em atendimentos estressantes e que também exigem tomada de decisão rápida.

Confira a seguir alguns dos casos mais frequentes nesses plantões e orientações rápidas sobre como se preparar para eles.

 

Distúrbios causados pelo calor, como desidratação, hipertermia e insolação

Calor, esforço físico, pouca ingestão de água e grandes aglomerações são condições que frequentemente podem levar os foliões a casos de distúrbios térmicos.

A desidratação é normalmente o distúrbio de entrada, causado pela pouca ingestão de água ou pelo aumento de perdas hídricas, com queixas inespecíficas e que não devem ser atribuídas apenas ao cansaço ou à festa, como mal-estar, hipotensão, taquicardia, disfunção orgânica ou alteração do nível de consciência.

Já a hipertermia tem um espectro clínico mais amplo e inclui desde câimbras e edema periférico até síncope e exaustão pelo calor. A insolação indica casos mais graves, com temperatura corporal acima de 40°C e podendo causar disfunção neurológica aguda.

No atendimento desses distúrbios, o residente deve estar atento durante a avaliação clínica ao nível de consciência, sinais vitais e a temperatura central. A conduta deve começar imediatamente, removendo o paciente do ambiente quente, retirando roupas excessivas e com medidas de resfriamento e hidratação oral ou venosa, conforme a gravidade.

Abuso de álcool e outras substâncias

O álcool também deixa de ser apenas a bebida mais consumida nas ruas para se tornar um motivo comum de procura por atendimento nas emergências no Carnaval. Ele pode aparecer tanto como causa direta, devido ao consumo em excesso, quanto associado a traumas, situações de violência e ou alterações comportamentais que chegam sem uma história clara. O paciente que dá entrada na emergência após o uso do álcool também pode ter queixas de dor, sintomas neurológicos ou possíveis lesões mascaradas durante o atendimento, por isso é algo que não pode ser menosprezado.

A abordagem inicial é de suporte, mas, quando necessário, deve garantir vias aéreas, oxigenação e circulação, com avaliação de glicemia capilar e investigação de sinais de trauma ou déficit neurológico. A correção da hipoglicemia, hidratação venosa, uso de antieméticos quando há náuseas persistentes e administração de tiamina podem ser considerados conforme o quadro clínico. A alta só deve ser feita quando a pessoa volta a um nível de consciência seguro, com sinais vitais estáveis e sem evidências de outras condições que precisem de investigação adicional.

Nos casos de intoxicações por substâncias estimulantes, o residente deve ficar atento a sinais de hipertermia, agitação psicomotora intensa, taquicardia, hipertensão e convulsões.

Traumas relacionados a aglomerações, empurrões e agressões

A festa de Carnaval também faz com que algumas pessoas se movimentam mais do que estão habituadas, muitas vezes com álcool envolvido, criando um cenário onde pequenos e grandes traumas tem uma probabilidade elevada de acontecer. Quedas, entorses, contusões, ferimentos cortantes e agressões físicas também estão entre os atendimentos comuns nas emergências no período.

Quando o paciente relata queda ou dor articular após aglomeração, a avaliação deve considerar a inspeção e palpação detalhada, descartar fraturas, lesões ligamentares ou comprometimento neurológico, analgesia conforme protocolos, encaminhamento para imagem complementar e a imobilização adequada quando indicado.

As aglomerações e empurrões também podem causar lesões por esmagamento, que muitas vezes não chama atenção imediatamente, mas que podem aparecer no atendimento com dor intensa, edema progressivo e risco de síndrome compartimental ou insuficiência renal aguda, por exemplo. Nos episódios de agressão física, além da avaliação clínica completa, o residente também deve ter a escuta atenta, fazer o registro detalhado e o encaminhar para suporte psicológico, quando indicado.

 

Outras situações frequentes no Carnaval

Esse também é um momento em que algumas doenças crônicas podem sair do controle, como asma, diabetes e hipertensão. Isso acontece em feriados prolongados porque muitas vezes a rotina muda, os horários se perdem, a medicação fica para depois ou esforço físico acaba sendo maior do que o habitual.

Crises de ansiedade, episódios de agitação, surtos psicóticos e comportamentos desorganizados também podem ser recebidos nos serviços de emergência. Nessas horas, sempre lembrar de monitorar a glicemia, sinais vitais, saturação de oxigênio, investigar o uso de álcool ou outras substâncias e excluir causas orgânicas. Mesmo na correria, também faça uma escuta atenta com linguagem simples, tom calmo e postura firme. Explicar o que está sendo feito e acalmar os pacientes desorientados e os familiares faz parte desse cuidado, mesmo em cenários de alta pressão.

Situações de violência sexual também demandam preparo do residente que não se aprende apenas nos livros. É preciso garantir segurança clínica e emocional, fazer o acolhimento com privacidade, escutar sem julgamentos e conhecer os fluxos institucionais, os serviços de referência e a rede de apoio disponível.

Autoria

Foto de Juliana Karpinski

Juliana Karpinski

Editora médica assistente de Carreira da Afya. Médica e Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). MBA em Gestão Estratégica pela UFPR.

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