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Carreira28 agosto 2025

Problem-Based Learning: melhorando o pensamento crítico e as habilidades clínicas

Por Juliana Karpinski

Você já saiu de uma aula expositiva com dezenas de slides, sentindo que aprendeu muito pouco sobre o assunto apresentado? Se a resposta for sim, saiba que essa sensação é mais comum do que você imagina entre os estudantes de medicina, e tem explicação. Os métodos tradicionais de ensino têm uma grande contribuição para a formação médica, mas frequentemente geram uma forma de aprendizagem passiva, com foco excessivo na memorização de conteúdo e pouca ênfase no pensamento crítico, tomada de decisão e habilidades práticas.

E como tornar a compreensão dos conteúdos mais acessível durante a faculdade? Uma metodologia de ensino introduzida inicialmente na América do Norte, vem ganhando espaço há algum tempo nas escolas médicas: o Problem-Based Learning (PBL), ou Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP).

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Doctors and nurses studying medicine

O que é o PBL?

Diferente dos modelos de ensino tradicionais, o PBL é uma abordagem centrada no estudante e baseada em situações-problema reais. Os estudantes trabalham em pequenos grupos, com o apoio de um tutor, para discutir e resolver casos clínicos. Em vez de simplesmente assistir a uma aula teórica sobre apendicite, por exemplo, os estudantes investigam hipóteses, discutem fisiopatologia, exames e condutas, permitindo que conhecimento sobre o tema seja construído ao longo dos estudos.

Esse tipo de atividade proposta pelo PBL contribui para o desenvolvimento de habilidades de pensamento crítico, aprendizagem autodirigida, comunicação interpessoal e, principalmente, o desenvolvimento de uma mentalidade clínica ativa nos estudantes de medicina. E isso é um destaque para essa metodologia, pois são competências exigidas para o futuro profissional. Mas é importante lembrar que ela ainda não é a solução de todos os problemas da formação médica.

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PBL no Ensino Médico

O estudo Critical thinking and clinical skills by problem-based learning educational methods: an umbrella systematic review (BMC Medical Education) avaliou a eficácia do PBL para melhorar o pensamento crítico e as habilidades clínicas dos alunos em comparação com métodos tradicionais de educação. Essa metodológica demonstra certas vantagens no desenvolvimento de competências como:

  • Raciocínio diagnóstico;
  • Habilidades de resolução de problemas;
  • Comunicação em equipe;
  • Capacidade de buscar e interpretar informações científicas.

 

Por contribuir com o desenvolvimento dessas competências, o PBL tem sido bem-sucedido em áreas da Medicina em que o pensamento crítico e a integração de conhecimentos são requisitos para a boa compreensão dos conteúdos, como Clínica médica, Obstetrícia e Ginecologia, Anatomia e Patologia e Biologia Celular.

Mas essa metodologia ainda é questionável em áreas mais técnicas, como a Radiologia Diagnóstica ou a Cirurgia, em que a prática direta e o desenvolvimento de habilidades operacionais são necessários. Os métodos tradicionais baseados em instrução direta e repetição prática continuam desempenhando um papel mais forte na formação do médico nessas áreas.

Por isso, ao invés de substituir completamente os modelos clássicos, o ideal seria adotar uma abordagem de ensino híbrida, que combine o ensino tradicional, focado na transmissão de conhecimento puro, e metodologias ativas como o PBL, que estimulam o pensamento autônomo e a aprendizagem colaborativa.

Na prática, essa integração já é uma realidade em diversas faculdades de Medicina no Brasil, que vêm incorporando o PBL de forma parcial e progressiva nos currículos ao longo da graduação. Isso torna a formação mais dinâmica, direcionada para o aluno e alinhada com as experiências reais que o médico irá enfrentar durante a atuação profissional.

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Referências bibliográficas

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