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Carreira31 janeiro 2026

Saiba mais sobre os desafios e oportunidades da medicina da dor no Brasil

De subárea a especialidade multiprofissional: demanda crescente por profissionais qualificados e avanços em tecnologias de tratamento no País
Por Redação Afya

A Medicina da Dor, antes vista como uma subárea da anestesiologia, consolida-se no Brasil como uma especialidade multiprofissional e estratégica frente ao envelhecimento populacional e ao aumento das doenças crônicas. Com o avanço da neurociência e das terapias integrativas, o campo passa a demandar não apenas anestesiologistas, mas também fisiatras, neurologistas, ortopedistas, clínicos e psicólogos, entre outros especialistas capacitados na abordagem integral do paciente com dor.

Nesse cenário, a Medicina da Dor (também conhecida como Algologia ou algologia clínica) emerge no País não apenas como uma área de vanguarda na assistência ao paciente, mas também como um campo de carreira com perspectivas promissoras e em constante evolução.

Doctor, women and checklist in healthcare support, hospital services and patient history, charts or results. Senior nurse writing on clipboard for registration, clinic sign up or medical consultation.

Alta prevalência e crescente demanda

Segundo dados da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), cerca de 37% dos brasileiros convivem com dor crônica, um contingente estimado em mais de 70 milhões de pessoas. As causas vão desde lombalgias e neuropatias até condições oncológicas e pós-cirúrgicas.

Nos últimos anos, o Ministério da Saúde e o Conselho Federal de Medicina (CFM) reconheceram o manejo da dor como campo estratégico dentro da Atenção Especializada, com incentivos à criação de Centros de Referência em Dor e Cuidados Paliativos em hospitais públicos e universitários. A tendência é de expansão desses serviços, especialmente em regiões com alta demanda reprimida e poucos profissionais qualificados.

De acordo com o Ministério da Saúde, a lombalgia é a dor crônica mais frequente (77%), seguida por dor no joelho (50%), no ombro (36%), no tornozelo (28%), nas mãos (23%) e na cervical (21%). Dores musculoesqueléticas são o problema de saúde mais frequente na população entre 15 e 64 anos, constituindo a principal causa de aposentadoria precoce, a segunda causa de tratamento de longo prazo e a principal causa de incapacidade em grupos dessa faixa etária.

O levantamento internacional Haleon Pain Index revela que, nos últimos dez anos, os impactos negativos na vida de quem convive com dores cresceram 25%. Ao todo, mais de 18 mil pessoas responderam ao questionário e relataram como a dor afeta sua rotina, seu emocional e o contato social. No geral, aqueles que vivem em países desenvolvidos tiveram um índice de prejuízos menor, por terem acesso a melhores estratégias de controle. Já as nações em desenvolvimento, como o Brasil, registraram taxas maiores.

Os britânicos tiveram a melhor marca, enquanto a população da Arábia Saudita é a que mais sofre. O Brasil ficou na média, com 5,86.

De acordo com a revista científica The Lancet, a dor, nas suas diversas manifestações, afeta a percepção geral de saúde e está associada a sintomas depressivos e à baixa qualidade de vida. A dor também é associada à menor produtividade e à exclusão da força de trabalho. O impacto da dor pode ser ainda mais grave entre indivíduos com baixo nível socioeconômico e aqueles que trabalham em setores como agricultura e serviços. No Brasil, o envelhecimento populacional e a crescente prevalência de doenças crônicas apontam para um futuro onde uma grande parte da população será afetada pela dor.

 

Formação e oportunidades de carreira

Atualmente, a Medicina da Dor é reconhecida como área de atuação pela Resolução CFM nº 1.973/2011, vinculada principalmente à anestesiologia, mas com abertura para outras especialidades médicas. O Ministério da Educação (MEC) e a Associação Médica Brasileira (AMB) certificam programas de residência e pós-graduação que enfatizam abordagens interdisciplinares, combinando farmacologia, fisioterapia, bloqueios guiados por imagem e terapias psicossociais.

O mercado de trabalho, tanto no setor público quanto privado, mostra expansão constante. Hospitais terciários e redes de reabilitação têm criado serviços de dor para reduzir internações, melhorar a qualidade de vida dos pacientes e otimizar custos hospitalares. Além disso, cresce a demanda por consultórios especializados, especialmente em grandes centros urbanos.

Regulamentação e credibilidade: a exigência do registro profissional

Um desafio da área é garantir credibilidade e segurança aos pacientes. Segundo o Conselho Federal de Medicina, profissionais que não possuem o devido Registro de Qualificação de Especialista (RQE) não podem se intitular “especialistas em dor”. 

Esse cuidado regulamentar é fundamental para evitar práticas inadequadas, “propagandas enganosa” ou tratamentos fora dos protocolos éticos e científicos. Além disso, fortalece a Medicina da Dor como área legítima e séria, contribuindo para consolidá-la no sistema de saúde.

Inovação e tecnologia no tratamento da dor

A incorporação de tecnologias como neuromodulação elétrica, radiofrequência, bloqueios guiados por ultrassom e o uso controlado de canabinoides medicinais transformou o manejo clínico da dor no Brasil.

Estudos recentes publicados na Revista Brasileira de Anestesiologia (2024) apontam aumento de 45% na adoção de técnicas minimamente invasivas, especialmente em hospitais de ensino. A integração entre medicina baseada em evidências, telemonitoramento e protocolos de desmame de opioides representa um avanço significativo para a segurança do paciente e a sustentabilidade do sistema de saúde.

Vantagens e desafios para o profissional da dor

Para o médico que considera seguir esse caminho, a área oferece várias vantagens:

  • Alta demanda por pacientes: especialmente idosos e pessoas com doenças crônicas, com perspectivas de crescimento no envelhecimento da população.
  • Diversidade de atuação: ambulatórios, clínicas particulares, equipes hospitalares ou centros especializados; atuação interdisciplinar com fisioterapia, psicologia, reabilitação.
  • Possibilidade de impacto real: alívio no sofrimento físico e emocional, restaurando funcionalidade e qualidade de vida.
  • Flexibilidade de formação: a existência de cursos de pós-graduação e especializações permite que médicos formados em diferentes áreas migrem para a dor.

 

Por outro lado, há desafios concretos:

  • Necessidade de formação sólida e contínua: o manejo da dor exige conhecimento técnico, clínica multidisciplinar e sensibilidade para lidar com casos complexos.
  • Baixa cobertura de serviços especializados: dificulta a atuação fora de grandes centros urbanos.
  • Aversão ou desinformação de parte da população: recorrendo muitas vezes à automedicação ou buscando soluções rápidas.

 Um campo que exige sensibilidade e propósito

Mais do que dominar técnicas, o profissional da Medicina da Dor precisa desenvolver escuta empática, visão biopsicossocial e trabalho em equipe. O desafio não é apenas aliviar sintomas, mas restaurar funcionalidade, autonomia e qualidade de vida.

O futuro da Medicina da Dor no Brasil

As perspectivas para a Medicina da Dor no Brasil são promissoras. O avanço das políticas públicas, a valorização da especialidade e o protagonismo da pesquisa clínica abrem oportunidades para jovens médicos que buscam unir tecnologia, humanização e impacto social.

Nos próximos anos, espera-se:

  • expansão de redes de atendimento (na rede privada e pública);
  • maior integração com especialidades como reabilitação, psiquiatria e geriatria,
  • incentivo à formação de médicos especializados,
  • adoção de abordagens multidisciplinares, combinando intervenções farmacológicas, terapias físicas, psicossociais e promoção de qualidade de vida.

Para quem escolhe seguir esse caminho, trata-se de uma profissão com relevância social, bom potencial de empregabilidade e a oportunidade de atuar numa das frentes mais sensíveis e transformadoras da medicina contemporânea.

Autoria

Foto de Redação Afya

Redação Afya

Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.

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